Resenha: A Sonata a Kreutzer, Lev Tolstói

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 Autor:  Lev Tolstói           Editora: 34                    Páginas: 113                      Ano:  2007

Classificação 5 ⭐️ 🚍

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Sinopse:

O tema da infidelidade no casamento já havia ocupado Tolstói na década de 1870, quando redigiu ‘Ana Karênina’, uma de suas obras-primas. Em ‘A Sonata a Kreutzer’, que veio à luz mais de dez anos depois, o tema retorna com uma intensidade fora do comum, potencializada pelos anos de crise religiosa do escritor. Aqui, para além da questão da fidelidade no matrimônio, Tolstói investiga de forma aguda o desequilíbrio nas relações entre homens e mulheres, e a hipocrisia de que se reveste o comportamento sexual da sociedade.

“…supõe-se em teoria que o amor é algo ideal, elevado, mas na prática o amor é ignóbil, porco, sendo repugnante e vergonhoso falar e lembrar-se dele. […] as pessoas fingem que o repugnante e vergonhoso é belo e sublime.”

Muitos não deve saber, mas o nome do livro é uma referência uma sonata para violino e piano do Beethoven – ela leva o mesmo nome. A Kreutzer não possui muitas informações, mas sabemos que Ludwig a compôs para um de seus acompanhantes,  George Bridgetower, um ilustre e prodígio na área. No entanto, durante uma conversa de bar, Tio Beeth fica constrangido com uma situação providente de George. Furioso, Beethoven altera o nome da obra que até então era chamada Sonata per mulaticco lunattico para Sonata a Kreutze, sendo esta uma homenagem a o maior violinista da Europa na época, Rodolphe Kreutzer.

Um belo dia, Tolstói teve um insight durante uma apresentação particular da Kreutzer em sua residência. As notas e suas ideias entraram em sincronia dando origem ao livro resenhado neste momento. O autor russo passava por diversos problemas relacionados a infidelidade e esse é o eixo principal da obra.

Conciso em uma viagem de trem, o monólogo segue com os desequilíbrios na relação entre homens e mulheres, entre casais sendo mais específica, visando, então, a hipocrisia social. Pózdnichev seria a versão do autor no livro, ou seja, Pózdnichev seria o próprio Tolstói. Com isso, temos a confissão de uma vida boêmia regrada  a ciúmes e adultério durante a sua juventude. Além disso, temos um debate da inconstância emocional entre o homem e a mulher, a relação da mulher como objeto sexual e o divórcio.

Tolstói, homem altamente sensível a música trouxe um intertexto com Beethoven ao construir uma obra com personagens profundos, complexos e bem construídos. Para você que nunca leu absolutamente nada do autor, este livro é uma boa pedida. A linguagem não é complexa e as traduções disponíveis são de boa qualidade, especialmente a da editora 34 que vem traduzido diretamente do russo.

Boa leitura!

assinatura Barbara

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