Resenha: Viva Para Contar, Lisa Gardner

viva para contar

Autor: Lisa Gardner     Editora: Novo Conceito Ano: 2012       Páginas: 476

Classificação 4/5 ⭐️ 🚍

Á venda l Submarino l Americanas 

Sinopse:

Em uma noite quente de verão, em um bairro de classe média de Boston, um crime foi cometido: quatro membros da mesma família foram brutalmente assassinados. O pai – e possível suspeito – agora está internado na UTI de um hospital, entre a vida e a morte. Seria um caso de assassinato seguido por tentativa de suicídio? Ou algo pior? D.D. Warren, investigadora veterana do departamento de polícia, tem certeza de uma coisa: há mais elementos neste caso do que indica o exame preliminar. Danielle Burton é uma sobrevivente, uma enfermeira dedicada cujo propósito na vida é ajudar crianças internadas na ala psiquiátrica de um hospital. Mas ela ainda é assombrada por uma tragédia familiar que destruiu sua vida no passado. Quase 25 anos depois do ocorrido, quando D.D. Warren e seu parceiro aparecem no hospital, Danielle imediatamente percebe: vai acontecer tudo de novo. Victoria Oliver, uma dedicada mãe de família, tem dificuldades para lembrar exatamente o que é ter uma vida normal. Mas fará qualquer coisa para garantir que seu filho consiga ter uma infância tranquila. Ela o amará, independentemente do que aconteça. Irá protege-lo e lhe dar carinho. Mesmo que a ameaça venha de dentro da sua própria casa.

“As vezes, os crimes mais devastadores são aqueles que acontecem mais perto de nós”.

Meu nome é Camila, tenho 32 anos. Sou Enfermeira especialista em Emergência que temporariamente é dona de casa com satisfação!

Sou apaixonada por livros e livrarias desde a infância, e minha verdadeira paixão por temas policiais veio pelos livros da Agatha Christie, que foram apresentados por meu pai na minha adolescência, sendo o primeiro que eu li, Noite das Bruxas, aquele que confirmou meu interesse por investigação, suspense e assassinato.

Sei que isso pode soar meio tétrico, mas esses assuntos realmente me fascinam! Pra ser sincera já tentei ler outros assuntos – dramas, ficção científica, biografias – e com exceção dos 7 livros da série Harry Potter que eu amo de paixão (e o desejo de passar minha aposentadoria em Hogwarts…) e das dezenas de livros de culinária que eu tenho (sou viciada em receitas!) temas policiais são meus prediletos…na verdade são os únicos pelos quais eu realmente me interesso, leio e releio sempre.

Nessa primeira resenha como colaboradora do blog, resolvi escrever sobre o livro Viva para Contar,  que trata de investigação e assassinato e de um assunto tabu na sociedade: psicopatia infantil.

O tema é instigante. Confesso que em vários capítulos fiquei tão ansiosa que após terminar a leitura alguns trechos teimavam em martelar minha cabeça, pensando na angustiante vivência dos personagens.

Esse foi o 13º livro da autora de best-seller do The New York Times Lisa Gardner. É um suspense envolvente. Se baseia em três histórias que correm em paralelo mas que apresentam elos de ligação: crianças problemáticas e sobreviventes. São personagens que tiveram suas vidas marcadas por traumas, sobreviveram a crimes e torturas, físicas ou psicológicas, ou sofrem com transtornos psiquiátricos.

Danielle

A história que serve de base para a narrativa é protagonizada por Danielle, uma enfermeira da ala de psiquiatria infantil que tem mais do que histórias de corredor pra contar. Ela é uma sobrevivente. Carrega culpa e sofrimento por uma tragédia familiar ocorrida há 25 anos.

Danielle passa mais tempo no hospital do que em sua própria casa, uma maneira de fugir de sua própria realidade, de seus próprios pensamentos.

 “- Meu pai matou a família inteira, exceto a mim. Será que aquilo significava que me amava mais do que aos outros, ou me odiava mais do que os outros?
– O que você acha? – era o que o dr. Frank sempre respondia.
– Acho que essa é a história da minha vida.”

 Sua vida se resume em trabalhar em excesso, dormir pouco, beber demais, se alimentar de menos e contar todos os dias que faltam para o aniversário de sua tragédia pessoal. E sentir culpa.

Sobreviver, quando todos que você ama se foram, traz culpa. Não ter sido capaz de proteger sua família, traz culpa. Lidar com crianças com as quais você não é capaz de manter o controle, traz culpa

E assim ela vai sobrevivendo e lutando contra seus fantasmas. Porém nem sempre você pode viver a história da sua vida como você sempre desejou.

 “Mas me levanto a cada manhã. E, a cada noite, eu ainda faço a mesma promessa. Viverei com mais luz no coração. Vou continuar a trabalhar com crianças doentes. E vou me apaixonar por um homem realmente bom. Eu sou a única sobrevivente, e sobrevivi para contar esta história.”

D.D. Warren

D.D. Warren é sargento, investigadora de polícia em Boston, loira, bonita, com quase 40 anos, “com um apetite de lutador de sumô, mas o corpo de uma supermodelo”. Adora o estresse, dorme pouco, namora menos ainda, passa dias seguidos no departamento de polícia envolvida em desvendar um mesmo caso. Mas sente um prazer absoluto quando um crime é solucionado e consegue desvendar toda a trama. Ela até se diverte com isso.

E em muitos trechos ela quebra um pouco o clima tenso que a narrativa impõe. Ela tem um humor peculiar, um tanto sarcástico.

Está num jantar quase romântico quando é chamada para visitar uma cena de crime no mínimo assustadora: família de classe média alta, assassinada dentro de sua própria casa, na hora do jantar, cada um com um modus operandi. Todos com exceção do pai, que sobreviveu e passa por uma cirurgia após um tiro na cabeça. Tentativa de suicídio? Talvez. E o elo vem quando D.D. Warren é informada que um dos filhos do casal sofria de psicopatia e esteve internado sob os cuidados da enfermeira Danielle. Dias após esse crime, outro acontece. Outra família, também em Boston, é assassinada em sua casa. Porém é uma família de classe baixa, onde o pai estava envolvido no tráfico de drogas. Mas todos foram mortos de maneiras distintas, não seguindo um padrão, que é o que se espera em casos de assassinos seriais.

Será que os dois casos estão relacionados? Ou são tristes histórias de famílias que foram destruídas por assassino ocasional, apenas coincidências?

Durante a busca por respostas, D.D. se vê cada vez mais envolvida com um membro de sua equipe e não vê a hora de solucionar os dois casos e iniciar qualquer tipo de relacionamento que não seja profissional e não envolva crimes.

“(…) Fechamos o caso, alguma emissora de TV produz um documentário a respeito, e finalmente consigo fazer sexo. D.D. se interrompeu. Provavelmente não deveria ter dito aquela última parte em voz alta.”

Victoria

Victoria é uma mãe que ama seus filhos mais do que a si mesma. Mesmo que isso venha a lhe custar a própria vida.

Ela é mãe de Evan, um garotinho que passa a maior parte dos seus dias a base de sedativos, intercalando períodos de brincadeiras com períodos de fúria e descontrole. Ele está na segurança de sua casa.

Mas será que Victoria está segura?

“Seguro sua mão, que agora está relaxada, não mais ferindo nem destruindo. Imagino se esta será a noite em que finalmente vai me matar. Este é Evan, meu filho. Ele tem 8 anos.”

Ela também tem uma filha e um ex-marido, os quais abandonou. Tudo por Evan.

Mas ela precisa agir assim. Ela também é uma sobrevivente.

Seu filho é uma criança com transtorno psiquiátrico, que antes dos 5 anos passou por dezenas de especialistas, recebeu inúmeros diagnósticos, teve várias babás, deixou de frequentar o jardim de infância por ser uma ameaça para colegas e professores. Passou por terapias e teve indicações de internações mas que por total risco e instinto de proteção de sua mãe é mantido dentro de casa…não que isso garanta a segurança dos dois.

Esses trechos narrados por Victoria são com toda certeza meus prediletos!

Eles trazem o dia a dia de uma mãe que sabe dos graves problemas do filho mas que opta em abdicar de sua própria vida em prol da dele. Que vive, dorme e acorda com medo. Que aprendeu a dormir o mínimo necessário para não enlouquecer, que tranca os armários com cadeados e vive sempre alerta.

Tem trechos que chegam a dar medo, são relatos detalhados do que é conviver com um psicopata. Mesmo que ele tenha apenas 8 anos. Mesmo que você o ame.

 “Sempre pensei que o momento chegaria no meio da noite. (…) Eu cairia no chão e meu filho estaria sobre mim, com a boca espumando.”
 “- Ele disse que foi o diabo que o mandou mata-la. E disse que era melhor que a ambulância viesse depressa, porque ele ainda não havia terminado.”

Se o livro aborda de maneira fidedigna os casos de psicopatia infantil? Sinceramente não sei, tem certos exageros, pode romancear demais. Que trata de crimes que podem ocorrer em nosso meio? Com certeza.

Sei que é envolvente e mesmo com suas 476 páginas prendeu minha atenção e me trouxe várias vezes a perturbadora sensação de que essas coisas acontecem, independente de como você espera, que crimes ocorrem mesmo dentro de casa, quando você se sente seguro, com as pessoas que você ama. E principalmente, que nem sempre sobreviver é a melhor opção.

Espero que tenham gostado e até a próxima!

assinatura camila

Anúncios

3 comentários sobre “Resenha: Viva Para Contar, Lisa Gardner

  1. danielavieira89 disse:

    Camila, bem vinda!
    Adoreiii a resenha! Acho que vamos nos dar bem hahahahaha Adoro esses gêneros que você curte também. Fiquei super interessada. Acho que quando é psicopatia INFANTIL, o negócio fica mais macabro.
    Bjos

    Curtido por 1 pessoa

  2. Universos de Papel disse:

    Adorei a resenha Camila!
    Ótima estreia! rs…
    Suspense policial é tudo de bom mesmo. Inclusive estou lendo Agatha Christie nesse momento rsrs…
    A tua resenha prendeu totalmente minha atenção e embora eu ainda não tivesse conhecido, acabou de entrar para minha listinha rs…
    Obrigada e bjinhuss 😉

    Curtir

Conte o que você achou!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s