Resenha: Grande Irmão, Lionel Shriver

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Autor: Lionel Shriver         Editora: Intrínseca  Páginas: 336                        Ano: 2013

 

Sinopse:

Pandora é uma empreendedora bem-sucedida que vive em Iowa com o marido, Fletcher, um homem de temperamento irritadiço, que nunca consegue relaxar. Edison, irmão de Pandora, antes um conhecido pianista de jazz em Nova York, está completamente falido, sem ter onde morar. Contrariando o marido, Pandora envia uma passagem aérea para o irmão e abre sua casa para hospedá-lo. Depois de quatro anos sem se encontrarem, ela quase não o reconhece quando vai buscá-lo no aeroporto e depara com um homem mais de cem quilos acima do peso. Em casa, os hábitos desleixados de Edison criam um enorme desconforto para Fletcher, até que Pandora decide se comprometer com o emagrecimento do irmão e abdica de tudo para ajudá-lo.

Construído com a inteligência e a força impactante de Lionel Shriver, Grande irmão é um livro sobre um assunto ao mesmo tempo social e dolorosamente íntimo. Shriver mostra, sem rodeios, como a obesidade grave pode atingir uma família de modo devastador e nos faz questionar se é possível proteger as pessoas que amamos delas mesmas.

“Essa era a pergunta do ovo ou da galinha que eu não tinha conseguido dissecar. Edison estava gordo por estar deprimido, ou deprimido por estar gordo?”.

Com o mesmo estilo de sempre, Lionel Shriver, autora de Precisamos Falar Sobre o Kevin, nos leva a um universo crítico, incômodo e ácido ao abordar a obesidade como tema central em Grande Irmão. Preparem-se leitores, pois não posso escrever pouco de algo que se trata da magnífica Lionel.

O livro é narrado por Pandora, uma empresária bem sucedida que mora em Iowa nos Estados Unidos com seu marido Fletcher e dois enteados: Tanner e Cody. De um dia para outro descobre por Slack, um amigo de seu irmão mais velho Edison, que o mesmo está passando por uma situação difícil em Nova York. Apesar dos protestos de Fletcher, Pandora o chama para morar com eles quatro por um tempo até as coisas se normalizarem para o lado de Edison. O problema (problemão) que a pegou de surpresa foi quando se dirigiu ao aeroporto para recebê-lo. Notou que o irmão havia engordado radicalmente nesses quatro anos em que os dois não se encontraram. Foi um pouco constrangedor o momento, pois ela teve que ignorar a circunstância mostrando-se educada.

“O simples fato de fitá-lo parecia maldade”.

Para o espanto de Fletcher, seu cunhado passara mais tempo que desejara em sua casa. Os hábitos tão comumentes de Edison gerava vasto ceticismo criando uma barreira entre a transparência e a hipocrisia. Tais hábitos se resumia em empanturramento. Além disso, eles estavam desenvolvendo hábitos de Edison, embora sem querer. No fundo, Pandora sabia que ninguém estava sendo sincero com ninguém, pois ao invés dela ativar seu conteúdo sincero afetivo, fingia que não havia nada de errado, e seu irmão fazia o mesmo.

“Ele adora cuspir informações e não era mau contador de histórias. Mas era capaz de falar o dia inteiro sem que, no final, alguém o conhecesse melhor do que antes”.

Fletcher já havia exteriorizado várias vezes sua falta de complacência mediante a situação presente. Uma palavra dentre todas usadas no livro é a “autocomiseração”, que significa ter pena de si mesmo, e é exatamente assim que Edison se sente, assim também sua irmã em relação a ele. O momento em que isso chegou ao extremo foi quando Edison quebrou sem querer uma cadeira feita e carinhosamente apelidada por Bumerangue por Fletcher. A cena em que sucede a humilhação foi algo que Lionel transmitiu com muita destreza. É algo forte que dispensa compaixão. Fletcher se esbravejou como nunca. Desde o começo, não me simpatizei com ele, e não foi porque eu li o livro até o final e o conheci até o final que eu cedi. Não apenas pelo que fez com Edison, na verdade, todos têm vários pontos negativos que não me cativou. Tanto pelas relações marido e esposa, irmão e irmã e cunhado e cunhado, quanto ao inverso.

“Eu gostaria que ele houvesse pretendido dizer que não queria continuar a se matar de tanto comer. Mas a interpretação alternativa era mais provável: a de que o consumo exagerado e sistemático fosse proposital – um suicídio em câmera lenta, por meio de doces”.

Assim, um pouco impensável, Edison aposta com Fletcher comer um bolo inteiro caso ele não emagrecesse. Nessa altura, Fletcher já não queria mais Edison morando lá, e este já queria ir embora também. Esse assunto diz respeito a segunda parte do livro intitulada “II : MENOS”. A primeira até aqui tem por título “I : MAIS”. Diante disso, Pandora sentiu comiseração por seu irmão falido e prometeu que moraria com ele em outro lugar por um ano e o ajudaria em sua jornada rumo ao emagrecimento. Ela sabia que estava prestes a arruinar seu casamento, mesmo assim o fez. E Edison, que não se dava bem com Fletcher, se mostrou egoísta deixando a mulher abandonar sua família.

“Enquanto nos afastávamos, pensei nesta disparidade: Edison estava apostando o orgulho, Fletcher estava apostando um bolo e eu estava apostando meu casamento”.

Pode-se deduzir que os dias que se sucederam não foram nada fáceis para Fletcher, longe da esposa; Edison, tomando shakes e fazendo caminhas; e Pandora, cuidando como uma mãe de um irmão mais velho de 175 K. O que mais perturbou era que a relação entre Pandora e Edison havia criado uma intimidade de grande proporção. Eles estavam muito ligados como irmãos. Edison sentia muitos ciúmes de Pandora quando ela saía de casa. Uma vez ela saiu com Fletcher para matar a saudade, e então chamou Edison para ir junto. Vi Edison muito egoísta, e assim também Pandora. Como se os dois fossem um casal.

“Engraçado, a única coisa que me incomodou um pouco foi ele não ter corrigido a suposição errônea de Novacek de que éramos casados”.

(Imagino o sorrisinho de Edison ao perceber que Novacek os induziu como casal).

Temos por final um desfecho incrivelmente subversivo, incômodo, maçante, imponderável. Uma história contada por Pandora. Foi pra arrasar, arrombrar, lacrar.

“É uma história triste, mas não tem nenhum mistério”.

Que mistério!

Como deixa, aqui estão mais dois quotes do livro que não se encaixaram na resenha, mas senti a necessidade de postar:

“Sentir fome quando se está com excesso de peso é uma forma nitidamente burguesa de sofrimento, quando ninguém mais tem pena de nós, é difícil termos pena de nós mesmos”.

 

“O fracasso permite a libertação”.

Bom, espero que essa resenha tenha aguçado a curiosidade de vocês.

Ressalvo que este é meu ponto de vista, assim, abro um caminho para que vocês sintam-se a vontade e comentem quando e o que quiserem, pois a opinião de todos é valida!

Obrigada pela leitura!

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