Resenha: O Perfume – A História de Um Assassino, Patrick Süskind

o perfume

Autor: Patrick Süskind         Editora: Record        Ano: 1985                Páginas: 218

Classificação 5/5 ⭐️ 🚍

Á venda l Submarino

Sinopse:

Jean-Baptiste Grenouille, nascido na França no século XVIII, em meio a entranhas e ao fedor de peixes num mercado de rua, rejeitado pela mãe e pela natureza, não traz consigo nem o cheiro nem a beleza que se esperam de um recém nascido. Não consegue nem mesmo despertar qualquer instinto maternal nas amas de leite, as quais caridosamente o alimentam. Ele não é amado por ninguém.

Sua infância em um orfanato sob os cuidados de Madame Gallard, a qual não possui olfato e portanto não consegue se afeiçoar a nenhuma de suas crianças por acreditar que as mesmas não têm cheiro, apenas contribui para a sensação de excluído social. Durante sua sobrevivência percebe que é dotado de uma sensibilidade e memória olfativa prodigiosa e sai em busca da essência perfeita. Se torna aprendiz e depois mestre perfumeiro. E o mais importante, aprende a dar nomes aos infinitos odores que consegue distinguir. Precisa extrair o perfume do ser humano , a essência da beleza no seu estado mais puro para que possa exalar o odor das pessoas que o fascinam, inspirar amor nos outros e assim conseguir o carisma e atenção que lhe foram negados desde o seu nascimento. Nem que para isso precise matar.

** Nota da Ana: Pessoal, essa é a última resenha da Camila nesse ano, ela está saindo de licença maternidade do blog rs. Ano que vem teremos resenhas novas e um bebê novo para alegrar a gente! Muito amor envolvido ❤️

“(…) tinha conseguido, graças ao seu próprio gênio reconstruir o odor humano e fizera-o de uma forma tão perfeita que até uma criança se enganara. (…) Seria capaz de criar um perfume não só humano, mas sobre-humano. Um perfume angelical, tão indescritível, bom e pleno de energia vital que quem o respirasse ficaria enfeitiçado e, quem o usasse, amaria Grenouille de todo o coração.”

 O Perfume, publicado originalmente em 1985, é um daqueles livros em que o leitor sofre uma verdadeira imersão devido a riqueza de detalhes e caracterizações.

Você praticamente “inala” os cheiros descritos, os bons e os ruins.

Você consegue sentir, de maneira bastante incômoda por sinal, a falta de amor e afeto vivida pelo personagem principal e sua necessidade doentia de resgatar esses sentimentos e por consequência, resgatar sua humanidade.

Nessa obra de Süskind afeto e olfato estão intimamente ligados.

É  muito mais do que a história de um assassino.

Numa época em que banho não fazia parte da rotina das pessoas, mercados ao ar livre eram a regra e dejetos eram descartados rotineiramente nas ruas, as pessoas “de sorte” – e muito dinheiro- podiam se dar ao luxo de encomendar perfumes em tradicionais perfumarias parisienses que serviam para camuflar seus próprios odores e disfarçar os odores ao seu redor.

Mas para Grenouille, isso não bastava. Ele precisava sentir a essência pura. E percebe que para tal ele precisa de matéria prima também pura, ou seja corpos recém assassinados, que ainda trazem consigo o calor e o odor genuíno.

Ele se torna obsessivo em sua busca.

“Quando estava morta, ele a deitou no chão, em meio aos caroços de nectarina, e rasgou o seu vestido, e o fluxo de aroma tornou-se uma enchente, inundando-o com seu cheiro agradável. (…) Tendo sugado todo seu cheiro, ficou por algum tempo agachado ao seu lado para se recompor, pois estava impregnado dela. Não queira desperdiçar nada do seu aroma. (…) Em seguida levantou-se e apagou a vela com um sopro.”

 Patrick Süskind, alemão, nascido na Baviera, é considerado uma das pessoas mais retraídas do cenário literário alemão. Avesso a exposições desnecessárias, não é muito favorável a adaptação de suas obras ao cinema, porém O Perfume, deu origem a um filme homônimo em 2006, dirigido por Tom Tykwer, que conta com a participação de Dustin Hoffman, Alan Rickman e Ben Winshaw.

É um dos raros exemplos onde pouco se observa a típica perda de detalhes neste tipo de transferência, livro-filme. O filme mantém a originalidade do autor e o caráter surrealista da obra.

O filme merece ser visto (e olha que para mim essa afirmação quase nunca é verdadeira…) e o livro, lido e relido para que se consiga absorver todos os detalhes e significados que o autor minuciosamente apresenta, muitas vezes nas entrelinhas.

“Quem dominasse os odores dominaria o coração das pessoas.” 
(Patrick Süskind)

Até ano que vem!

assinatura camila

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2 comentários sobre “Resenha: O Perfume – A História de Um Assassino, Patrick Süskind

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