Resenha: O Mundo Pós-Aniversário, Lionel Shriver

mundo pós-niver

Autor: Lionel Shriver     Editora: Intrínseca     Páginas: 542      Ano: 2009

Classificação 3/5 ⭐️ 🚍

Á venda l Submarino l Americanas

Sinopse: 

 Aborda o relacionamento aparentemente sólido de um casal de americanos
radicado em Londres. Ele é um disciplinado pesquisador de um instituto de estudos estratégicos; ela, uma acomodada ilustradora de livros que depara com uma vontade incontrolável de beijar outro homem; um velho amigo do casal, jogador de sinuca que figura no topo do ranking do esporte, um dos mais populares entre os britânicos. Lionel Shriver busca oferecer ao leitor dois desdobramentos do futuro dessa mulher sob a influência de dois homens diferentes, e assim escreve duas histórias. A partir daquele único beijo, tenta retratar alternativas para união e rompimento, e explorar as consequências e as motivações mais íntimas de uma escolha.

 

“Mas é engraçado como aquilo que nos atrai numa pessoa é o mesmo que passamos a desprezar nela”.

 

Não podemos esperar nada simples ou fantasioso. Lionel Shriver tem um ritmo tipicamente difícil de acompanhar, devido aos seus assuntos bruscos e sua leitura prolongada e trabalhosa. Seus personagens são fiéis a realidade, por isso muitas das vezes algo parece cruel demais. Cada livro da autora é direcionado à um tema. Aqui, ela expõe uma verdade nua e crua da infidelidade.

 

Nesse livro, o leitor é levado para duas histórias a partir de uma decisão: a que Irina beija um homem, que não é seu marido, e a que ela não o beija. Ou seja, temos dois mundos paralelos retratando como seria a vida da principal a partir dessas escolhas.

 

Existe um capítulo do primeiro e um do último capítulo. Do segundo ao penúltimo existem dois de cada. Os de caixa escura mostram as situações de sua vida ao beijar Ramsey, e os de caixa branca é quando ela não cede ao beijo.  (Imagem ao lado esquerdo).

 

A história começa com Lawrence, marido de Irina, convencendo-a de ir jantar com Ramsey, um antigo amigo dos dois. Era aniversário do homem e Lawrence não poderia estar presente. Depois de muitas objeções, ela desiste e aceita jantar com o amigo em seu aniversário.

 

“Era um alívio fugir da companhia de Lawrence, nem que fosse por um pouquinho; mas da própria realidade do alívio não havia como fugir, e isso a desconcertou”.

 

Ela não achou que poderia ser interessante, mas, durante o evento, Irina se sentiu espantosamente confortável, se agradando da companhia de Ramsey. Então aqui ela faz sua decisão.

Temos a Irina com Ramsey, e a Irina com Lawrence. Não gostei da primeira versão. Mas tem um porém: se ela não fizesse algumas coisas, outra pessoa o faria, o que significa que a infidelidade está no destino da mulher.

 

Em uma das versões da narrativa com Ramsey, rico e famoso jogador de sinuca, ela não esperava por problemas financeiros, porém esse é o menor dos problemas. Irina se pega muitas vezes pensando em como seria sua vida se ainda estivesse com Lawrence. Seu casamento com Ramsey lhe rendeu muitas dores de cabeça.

 

“Afundada na poltrona durante as primeiras rodadas do Mundial, ela teve de admitir que estava entediada. E não apenas um pouquinho. Era um tédio implacável, um tédio de arrancar os cabelos, um tédio que lhe dava vontade de se matar”.

 

“Essa noite estava deixando flagrantemente de encarar a ‘normalidade’ pela qual ela havia ansiado. Mas a normalidade, tal como a entendera um dia, parecia ser coisa do passado”.

 

Já nos capítulos claros, onde ela está com Lawrence, não é muito diferente. O homem externava inteligência e simpatia. Um exemplo de homem. Eles sabiam se comportar em público. Mas em relação ao seu casamento, ele deixava transparecer indiferença com ela muitas das vezes. 

 

“Outros confiavam no casal como um parâmetro, a prova de que era possível ser feliz; esse papel era um fardo”.

 

O final, como sempre, é imprevisível. Costumo dizer que a Lionel, em todo final de capítulo, dá um soco no nosso estômago. Sabe aqueles quotes que a gente lê e pensa: “Rem!”? Então, ela faz isso. Principalmente em Precisamos Falar Sobre o Kevin. Veja um quote que encontrei em O Mundo Pós Aniversário:

 

“(…) como era raro, nos últimos tempos, ver alguma coisa bonita na televisão”.

 
Associaram? Brincadeiras à parte, gostaria de finalizar com alguns alertas. O livro tem 554 páginas, há muitas sem diálogo e a leitura não é tranquila. Quem desejar ler precisa ter noção disso para poder chegar até o fim compreendendo a intencionalidade da autora. Ou seja, ele transmite, acima de tudo, a relação entre os casais formados. Podemos até reparar que não há muitos personagens. Gostaria de destacar isso. Lionel analisa e explora tudo o que diz respeito a relação Irina+Ramsey e Irina+Lawrence basicamente no livro todo. Não é como se a história em si contasse alguma coisa, mas o que importa é a reação dos personagens principais quando batem de frente com o ciúme, desconfiança, desentendimento com a família do cônjuge, falta de paciência, brigas, situações inesperadas etc.

Sou completamente apaixonada pelos livros da Lionel, no entanto O Mundo Pós Aniversário me deixou inquieta, levando-me a questionar o porquê da autora escrever certas informações. Se você já leu, deixe seu comentário opinando sobre o livro, e se não leu comente o que achou sobre a história baseada na resenha. Seu comentário é muito importante!

Espero que essa resenha tenha aguçado a curiosidade de vocês. Ressalvo que este é meu ponto de vista, assim, abro um caminho para que vocês sintam-se a vontade e comentem quando e o que quiserem, pois a opinião de todos é válida!

Obrigada pela leitura!

assinatura nova luiza

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3 comentários sobre “Resenha: O Mundo Pós-Aniversário, Lionel Shriver

  1. Ana Perricone disse:

    Eu li! E não foi fácil – não que eu imaginasse que seria, rs. O livro é descritivo e por vezes fica bem lento! Lionel surpreende muito. Li Kevin no começo desse ano e não esqueço a história!! Tenho mais dois dela na estante para ler! Ansiosa..

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  2. Bianca Carvalho disse:

    Nossa!
    Eu já vi o filme de precisamos falar sobre Kevin, que AMEI (imagino que o livro seja ainda melhor) e fiquei com vontade de ler o mundo pós-aniversário. Mas na real, ainda bem que li sua resenha, porque não é o tipo de livro que eu estou na pegada de ler ultimamente, e só ia acabar me frustrando. Obrigada!

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