Resenha: Profissão Repórter 10 anos, Caco Barcellos e Equipe

profissão reporter

Autor: Caco Barcellos    Editora: Planeta        Páginas: 384       Ano: 2016

Classificação 4/5 ⭐️ 🚍

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Sinopse:

Comandado por Caco Barcelos, considerado por muitos o melhor jornalista da TV brasileira, o programa Profissão Repórter chega a uma década de existência com o chamado sucesso de público e de crítica. Ao longo de cerca de 250 programas, a produção semanal, exibida na TV Globo, conquistou inúmeros prêmios, foi objeto de estudo em universidades e virou referência para quem quer ser repórter. O livro Profissão Repórter 10 anos grandes aventuras, grandes coberturas comemora este aniversário trazendo o relato dos jornalistas que fizeram vinte das melhores reportagens exibidas pela TV Globo.

Mais do que apenas um relato dos bastidores, os autores das reportagens revelam um pouco da alma de cada programa onde, como diz Caco Barcelos, a estrela principal tem que ser e é a reportagem de qualidade.

“Os acasos são fascinantes. Deixar-se levar pela história, a pequena ou a grande história, é um fetiche de nove entre dez repórteres que passaram pelo programa (e muitos narram episódios do tipo com detalhes saborosos nas próximas páginas). Para mim, o acaso é um pouco mais. É quase uma justificativa para minha existência: em 1978, meu pai reparou numa baixinha adorável no cinema Belas Artes. Trocaram olhares na fila da sessão e telefones na saída do filme. E aqui estou. Fruto do acaso. Fosse outro filme a que algum dos dois decidisse assistir, fosse outro cinema, fosse outro dia, fosse outro horário, eu não existiria. Se a sessão estivesse lotada demais, e meu pai não desse conta de prospectar a baixinha adorável, eu não existiria” (Caio Cavechini)

O programa Profissão Repórter era um quadro do Fantástico que desde 2006 é transmitido pela Rede Globo, atualmente às quartas-feiras. Eu já assisti várias vezes o programa, e quando vi o Caco Barcellos bonito assim na capa logo quis ler.

O livro é dividido em 5 partes: Um novo desafio, Grandes aventuras, A redação e o repórter, Grandes coberturas e Olhares Externos. São histórias dos repórteres que trabalharam no programa ao longo desses 10 anos. O texto  que abre o livro “Histórias entre o céu e a terra” foi escrito pelo Caco, quando, atrás de uma boa história, foi cobrir o garimpo na Amazônia. Tamanha foi sua surpresa quando ele soube que, durante uma viagem de barco, havia ficado ao lado de um criminoso foragido e detalhe é que só foi descobrir isso quando retornou aos estúdios. Tinha perdido a grande história.

“Acredito que a gente pode mudar a vida das pessoas contando uma história. Acredito que é nossa obrigação ouvir as pessoas que não são habitualmente ouvidas, que precisamos estar perto do povo para mostrar suas dificuldades, que os relatos mais importantes surgem nas situações mais simples.” (Gabriela Lian)

Tem um texto “Um passaporte haitiano”, do Thiago Jock em que ele retrata a vinda de um migrante do Haiti para o Brasil. E pensar que enquanto muitos brasileiros querem sair do nosso país, tem gente que sonha em vir pra cá e trazer a família. O repórter fica tão conectado com a matéria que acaba se preocupando com o futuro do haitiano. Espera e faz de tudo para ajudá-lo.

Temos também o relato da repórter Gabriela Lian, “A corda do Círio de Nazaré”, onde ela retrata sua vivência ao lado dos fiéis. A dificuldade e sua preocupação com a estética são descritas por quem, mesmo não tendo a mesma fé, viveu na pele o dia dos pagadores de promessa.

“Eu me afastei, chorando, respirei fundo, dei um tempo e voltei. Como é possível criar uma casca e não se deixar afetar por esse tipo de coisa? Que profissão é essa que fui escolher? Esse tipo de pergunta é aquele que brota uma vez para não nos deixar mais. Cinco anos depois, ainda não tenho respostas, mas novas perguntas” (Eliane Scardovelli)

E tem o relato do editor Rafael Armbrust de como é juntar horas de gravação e fazer disso algo interessante, mesmo sem aparecer de fato na tela da TV. E a alegria de sua vó quando finalmente ia ao ar uma reportagem em que ele era o repórter e o editor.

Todos os textos do livro são bons! A parte que mais gostei foi “Grandes Coberturas” e o texto que mais gostei foi “Syntagma, St. Paul e Serra da Saudade”, por Paula Akemi, que relata suas experiências durante a reportagem nessas praças. Indico para fãs do programa, entusiastas do jornalismo e curiosos que, como eu, adoram uma boa história.

“Ver um repórter renomado e respeitado na Globo, com três livros publicados, desdobrando-se para conseguir mostrar uma história é animador e também inspirador e faz com que os mais jovens não desanimem em cenários muito adversos, de silêncio e porta na cara.” (Felipe Gutierrez, sobre Caco Barcellos)

Quando assisto reportagens, me dá uma vontade de ser jornalista, ficar viajando por aí e ganhar para isso. O livro me fez enxergar o repórter como trabalhador, que tem que ficar longe da família e trabalhar com jornada incerta, tudo para nos contar uma história.

Beijocas!

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