Resenha: A última dança de Chaplin, Fábio Stassi

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Autor: Fabio Stassi – Editora: Intrinseca              Ano: 2015 – Páginas: 224

Classificação 2.5/5 ⭐️ 🚍

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Sinopse:

Combinando elementos reais com ficção, A última dança de Chaplin conta os últimos anos de um dos maiores ícones do cinema americano. Na noite de Natal de 1971, Charlie Chaplin recebe a visita da Morte. O famoso ator está com oitenta e dois anos, mas ainda não se sente preparado para ver as cortinas se fecharem uma última vez. Desesperado por acompanhar o crescimento do filho mais novo, o ator propõe à Morte um acordo: se conseguir fazê-la rir, ganhará mais um ano de vida.

Enquanto espera o encontro fatídico, Chaplin escreve uma carta para o filho, contando a ele seu passado: da infância pobre na Inglaterra, com o pai alcoólatra e a mãe louca, ao auge do sucesso nas telas de cinema dos Estados Unidos, passando pelo circo, pelo vaudeville e por empregos estranhos, como tipógrafo, boxeador e embalsamador.

” Quando eu contar a minha história, eu dizia a mim mesmo, começarei daí. Do momento em que a manivela do projetor começa a girar”

O que eu conheço do Chaplin é a fama, até porque nunca assisti seus filmes ou biografia, e para minha surpresa, olha eu lendo um livro sobre a vida dele! Ok, é uma ficção, mas algumas passagens são reais.

Minha relação com o Chaplin é um pouco confusa, porque eu sempre fiquei boquiaberta com sua inteligencia e criatividade, mas quando descobri que ele foi acusado de estupro, hum, sei lá, sabe?

” Com as mulheres nunca fui tímido. Cresci na promiscuidade dos teatros, no meio de centenas de corpos de atrizes e cantoras que se despiam juntas entre um número e outro”

Mas vamos falar da obra, não do homem.

” Nunca contei isso a ninguém. Ouça bem.”

O livro é uma carta de Charlie para seu filho adolescente. É noite de Natal e Charlie sabe que dessa vez não conseguirá fazer a morte rir. Como ele não poderá ver seu filho crescer, ele decide escrever uma carta contando sua vida e talvez com isso seu filho possa conhecer melhor o pai.

A carta começa do nascimento até a noite em questão. Pouco fala sobre os filmes, o foco é na vida pessoal, infância, a ida para os Estados Unidos, a relação com os pais e o irmão, sua vida no circo e os encontros com a Morte no fim da vida.

” A morte desaparece da poltrona. O homem se apoia com dificuldade na escrivaninha e solta um grande suspiro de alívio”

” Sim, quantas vezes nascemos na vida? Tantas que precisamos logo aprender a nos criarmos sozinhos, a não parar de nascer.”

Chaplin sempre foi um espirito livre, não conseguia ficar no mesmo lugar e no mesmo emprego por muito tempo, por esse motivo ele já passou por vários estados e países e por todas as profissões possíveis, de palhaço de circo a embalsamador. Mas ele sempre voltava para o teatro, sua grande paixão. Chaplin era desapegado até do seu irmão, seu único vínculo familiar, já que seu pai morreu e sua mãe estava internada com alzheimer. Ele abandou o irmão e caiu no mundo sem nenhum ressentimento.

E como todo ator na década de 50 e 60, ele era pobre de maré de si. Pobre de não ter o que comer e usar a mesma roupa por semanas…de alugar quartinhos em hotéis precários. Mas ele nunca perdeu a vontade de viver ou amaldiçoou sua condição. Ele parecia estar satisfeito com a vida que tinha.

” A vida me fez baixo suficiente para que eu não precise me ajoelhar diante de ninguém”

O livro tem passagens muito interessantes, fala sobre a época que o cinema foi inventado e como isso abalou o teatro e o circo e fala também como os filmes eram produzidos.

A leitura desse livro foi um pouco estranha, eu tinha preguiça de ler mas quando retomava ia longe…eu parava e no dia seguinte enrolava para ler, e essa situação durou três semanas. Sei lá, nunca senti isso antes, por isso fica na dúvida se recomendo ou não.

Comentem a opinião de vocês! Alguém aqui é fã do Chaplin? 

Até a próxima.

Beijo, outro, tchau!

assinatura nova ana marys

Resenha: Gelo Negro, Becca Fitzpatrick

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        Autor: Becca Fitzpatrick – Editora: Intrínseca Ano: 2015 – Páginas: 304

Classificação 4/5 ⭐️ 🚍

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Sinopse:

Britt Pfeiffer passou meses se preparando para uma trilha na Cordilheira Teton, um lugar cheio de mistérios. Antes mesmo de chegar à cabana nas montanhas, ela e a melhor amiga, Korbie, enfrentam uma nevasca avassaladora e são obrigadas a abandonar o carro e procurar ajuda. As duas acabam sendo acolhidas por dois homens atraentes e imaginam que estão em segurança.

Os homens, porém, são criminosos foragidos e as fazem reféns. Para sobreviver, Britt precisará enfrentar o frio e a neve para guiar os sequestradores para fora das montanhas. Durante a arriscada jornada em meio à natureza selvagem, um homem se mostra mais um aliado do que um inimigo, e Britt acaba se deixando envolver. Será que ela pode confiar nele? Sua vida dependerá dessa resposta.

” Já ficara bêbada antes, mas nunca daquele jeito. Ele lhe dera alguma coisa. Devia ter colocado alguma droga em sua bebida. A droga a deixava exausta e ela se sentia pesada.”

Esse livro estava na minha lista de leitura desde o lançamento…não sei porque demorei tanto para ler, mas ainda bem que demorei, porque acabei comprando ele por 9,90 😀 

E pensa num livro bom, sério mesmo, uma história ótima! Só pecou no romance, a autora deu uma viajada em umas partes e deixou muito meloso, por isso eu não dei uma nota cinco. Mas tirando isso todo o resto é incrível. É uma história com muitas reviravoltas, para se surpreender a cada virada de página.

Tá, mas do que fala o livro? Desculpa, me precipitei né?

Britt e sua melhor amiga Korbie decidem passar o recesso de verão nas montanhas para fazer escalada, esquiar, comer brigadeiro de panela rs..e principalmente porque Britt precisa esquecer de vez seu último namorado, Calvin ( que por acaso é irmão da Korbie).

Na viagem de ida elas pegam um chuva forte seguida de uma nevasca e são obrigadas a abandonar o carro e ir em busca de abrigo. Depois de horas de caminhada na neve elas encontram um cabana e pedem socorro. O problema é que os homens que estão na cabana são dois criminosos que estão fugindo da polícia.

Tenso heim parsa. Vai morrer na neve ou vai ficar como refém de criminosos? Fica aí a reflexão.

” – Podemos fazer isso da maneira mais fácil, ou da maneira em que vocês acabam mortas. E, acreditem em mim, se gritarem, resistirem ou discutirem, eu vou atirar.”

” De repente, pensamentos desesperados e irracionais bombardearam minha mente. Eu tinha que sair dali. Tinha que correr. Talvez eu não fosse congelar na floresta…iria correr sem parar, até estar fora de perigo.”

A partir do momento que as meninas entram na cabana a história toma um ritmo acelerado e tenso. Você fica com aquele sentimento ” putz vão morrer”, ” não, agora vão morrer”…” eita, vai morrer”….e daí, bum, a história dá aquela reviravolta que você fica de boca aberta! Fantástico!

” Pressionei o rosto nos braços cruzados e deixei escapar um som profundo de agonia. As lágrimas corriam corriam pelo meu rosto. O pesadelo estava me arrastando de volta.”

” Mais do que nunca, eu me ressentia de qualquer atração que pudesse estar sentindo por ele. Ele era meu sequestrador.”

Falando sobre os personagens, a Britt é uma adolescente muito mimada, ela mesma confessa que é muito dependente do pai e do irmão, como se eles devessem sempre cuidar dela. Imagina uma menina dessa perdida no meio de uma nevasca? Já a Korbie é uma péssima amiga, invejosa, nada fiel…mas mesmo assim elas se consideram melhores amigas. Vai entender né? 

” As palmas das minhas mãos estavam arranhadas e sangrando por causa da queda. Olhei para elas sem reação…aquilo não estava acontecendo comigo. Eu não estava ali fora de novo, no frio, enfrentando a morte.”

Para quem nunca viu a neve, o livro dá umas dicas super legais de como sobreviver na neve. Já me sinto preparada hahah

E para finalizar: sim, eu recomendo o livro! Os momentos de romance são chatos mas a trama compensa muito! Sem contar que a capa é linda e vai ficar show na sua estante ❤

Ah! E a autora do livro é a mesma da saga ” Hush Hush”. Nunca li e nunca lerei.

Tô aqui aguardando o comentário de vocês.

Beijo, outro, tchau!

assinatura nova ana marys

Resenha: A estrela que nunca vai se apagar, Esther Earl

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Autor: Esther Earl – Editora: Intrínseca               Ano: 2014 – Páginas: 448

Classificação 5/5 ⭐️ 🚍

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Sinopse:

A Estrela Que Nunca Vai Se Apagar conta a história de Esther Grace Earl, diagnosticada com câncer da tireoide aos 12 anos. A obra é uma espécie de diário da jovem, com ilustrações, fotos de seu arquivo pessoal, textos publicados na internet, bate-papos com os inúmeros amigos que fez on-line e reproduções de cartas escritas em datas comemorativas como aniversários. A jovem perdeu a batalha contra a doença, mas deixou um legado de otimismo e celebração ao amor. Atualmente sua mãe, Lori Earl, preside a instituição sem fins lucrativos This Star Won´t Go Out (tswgo.org), que apoia pacientes e famílias que lutam contra o câncer.

” Apenas seja feliz, e, se não conseguir ficar feliz, faça coisas que te deixem feliz.”

Quando eu comecei a ler esse livro eu já sabia que a Esther não tinha sobrevivido mas mesmo assim eu fiquei com esperança. E eu chorei heim! Ô sofrimento!

Esse é um livro lindo, uma história real e principalmente uma lição de vida! Eu fiquei surpresa em ver como uma adolescente pode falar tantas coisas inteligentes, como se já tivesse vivido muito. O livro é composto por trechos do diário de Esther, fotos pessoais, postagens da família no blog e declarações de amigos e médicos.

É muito amor em 448 páginas. São muitos sentimentos…De verdade, leia! 

trecho a estrela que nunca vai se apagar

Esse trecho destruiu meu coração 😦

Ah uma curiosidade, muitas pessoas pensam que o livro ‘ A culpa é das estrelas’ foi baseado na vida de Esther. Mas não é. Esther serviu de inspiração para a história mas não tem nenhuma relação com a vida dela. Não existiu nenhum Gus, viagem para conhecer um escritor, visitar a casa de Anne Frank…Mas mesmo assim é uma linda homenagem de John Green para Esther. Ah e eles se conheceram mesmo! Foram amigos e tudo mais! Legal né 🙂 

É isso! Leiam e comentem, comentem se já leram, comentem sobre o tempo, sobre as olimpíadas..hahaha…brincadeira!

” Lembrem-se que vocês tem sorte, mesmo se acharem que não tem. Porque sempre tem alguma coisa pela qual ficar agradecido.”

Até a próxima!

Beijo, outro, tchau!

assinatura nova ana marys

Resenha: Tony e Susan, Austin Wright

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Autor: Austin Wright    Editora: Intrínseca  Páginas: 344               Ano: 2011

Classificação 4/5 ⭐️ 🚍

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Sinopse:

Há vinte e cinco anos, Susan Morrow deixou Edward Sheffield, seu primeiro marido. Certo dia, instalada confortavelmente na casa em que mora, com os filhos e o segundo marido, inesperadamente ela recebe, pelo correio, um embrulho que contém o manuscrito do primeiro romance escrito por Edward. Ele lhe pede que leia seu livro: Susan sempre foi sua melhor crítica, justifica. Tony e Susan, de Austin Wright, publicado originalmente nos Estados Unidos em 1993, ganha nova edição, dezoito anos depois de seu lançamento, por se tratar, segundo seus editores, da “mais impressionante obra de arte da ficção americana desde Revolutionary Road, de Richard Yeats”, publicado no Brasil como Foi apenas um sonho.
Ao iniciar a leitura, Susan é arrastada para dentro da vida do personagem Tony Hastings, um professor de matemática que leva a família de carro para a casa de veraneio no Maine. Quando a vida comum e civilizada dos Hastings é desviada de seu curso de forma violenta e desastrosa, Susan se vê novamente às voltas com seu passado, obrigada a encarar a própria escuridão e a dar um nome para o medo que corrói seu futuro e que vai mudar sua vida.

“A gente escreve porque todo o resto morre, é para preservar aquilo que morre. A gente escreve porque o mundo é uma confusão desconexa, que não se consegue entender, a menos que se faça um mapa com as palavras. (…) a gente escreve porque lê, escreve a fim de refazer para uso próprio as histórias da nossa vida”.

Antes de começar, o livro é cruel. Pode esquecer quem achou que o autor introduziria algum tipo de narrativa romântica entre sexos opostos. É um perigo para os leitores que se envolvem com facilidade. Como disse Robert Thomson (jornalista australiano): “Um thriller com a pegada de um pit bull”.

Susan Morrow é uma mulher casada e mora com seus três filhos e seu segundo marido. Antes deste casamento, ela se relacionou com Edward Sheffield; este tinha o sonho de se tornar escritor, mas desistiu dele para trabalhar com corretagem de imóveis. Inusitadamente, recebe uma carta de Edward perguntando se ela queria ler o seu manuscrito: Animais Noturnos. Chocou-se, pois faziam vinte anos que não recebia notícias dele. O homem dizia que ela sempre lhe dava as melhores críticas, por isso fazia questão de que ela o lesse.

Arnold, seu segundo marido, estaria fora por três dias a trabalho. Com a ideia de não aparentar inconveniente, esperou que ele viajasse para iniciar sua leitura de Animais Noturnos.

A história que se passa induz a submetermos inteiramente a ela, sendo exatamente assim o sentimento provocado em Susan. Criou uma relação de envolvimento tamanha em relação ao romance, suscitando vasto ceticismo sobre o rumo de sua vida. Várias lembranças jorraram de sua memória a cada página que virava. Descobrimos uma Susan do passado. A Susan que ainda era de Edward.

“Casta e platônica, essa foi a situação enganosa que levou Edward a seduzir Susan, ou Susan a seduzir Edward, tanto faz, cujo resultado final foi o casamento que tornou necessário o divórcio. Ter o coração partido significa ter uma história, e a história de ambos os uniu”.

Tony e Susan é dividido em sessões de leitura, que são feitas por Susan, e seus interlúdios, o presente da vida dela. Nos interlúdios, Susan demonstra conecção com Tony, o personagem principal de Animais Noturnos, chegando a sentir medo com ele. Já as sessões de leitura são as partes que Susan lê o livro. Incrível é Austin apresentar uma situação na qual mostra um leitor e suas emoções, assim também a história que está lendo.

Em Animais Noturnos, o universo é tenebroso, levando um homem a beira da loucura. Mal sabia o quão grave seria o resultado do momento em que decidiu passar uns dias com sua família em uma casa de veraneio era.

“O dinheiro compensaria os sonhos perdidos”.

Será mesmo?

Espero que essa resenha tenha aguçado a curiosidade de vocês.

Ressalvo que este é meu ponto de vista, assim, abro um caminho para que vocês sintam-se a vontade e comentem quando e o que quiserem, pois a opinião de todos é valida!

Obrigada pela leitura!

assinatura nova luiza

Resenha: Cidade dos Etéreos – Livro II, Ransom Riggs

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Autor: Ransom Riggs – Editora: Intrínseca   Páginas: 284 – Ano: 2016

Classificação 4/5 ⭐️ 🚍

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Sinopse:

Cidade dos Etéreos dá sequência ao celebrado O orfanato da srta. Peregrine para crianças peculiares, em que o jovem Jacob Portman, para descobrir a verdade sobre a morte do avô, segue pistas que o levam a um antigo lar para crianças em uma ilha galesa. O orfanato abriga crianças com dons sobrenaturais, protegidas graças à poderosa magia da diretora, a srta. Peregrine.

Neste segundo livro, o grupo de peculiares precisa deter um exército de monstros terríveis, e a srta. Peregrine, única pessoa que pode ajudá-los, está presa no corpo de uma ave. Jacob e seus novos amigos partem rumo a Londres, cidade onde os peculiares se concentram. Eles têm a esperança de, lá, encontrar uma cura para a amada srta. Peregrine, mas, na cidade devastada pela guerra, surpresas ameaçadoras estão à espreita em cada esquina. E, além de levar as crianças a um lugar seguro, Jacob terá que tomar uma decisão importante quanto a seu amor por Emma, uma das peculiares.

Telecinesia e viagens no tempo, ciganos e atrações de circo, malignos seres invisíveis e um desfile de animais inusitados, além de uma inédita coleção de fotografias de época — tudo isso se combina para fazer de Cidade dos etéreos uma história de fantasia comovente, uma experiência de leitura única e impactante.

“Eu estava ali por um motivo. Havia algo que eu precisava fazer, não apenas ser; e não era fugir ou me esconder, muito menos desistir no instante em que as coisas começassem aparecer aterrorizantes ou impossíveis”. (p. 95)

cidade dos etereos

fotos do livro

Esse é o segundo livro da série O Orfanato da Srta. Peregrine Para Crianças Peculiares. O primeiro está sendo adaptado por Tim Burton, divo das anormalidades, senhor das coisas estranhas, rei da melancolia, amante do terror e das olheiras fundas. E não era pra menos. Burton é genial! Todos os seus trabalhos têm um toque especial que, logo de cara, já nota-se que é sua criação. Sem mais, vamos para a resenha!

Como todos já sabem, ou não, Jacob e os peculiares estão em retirada. O orfanato foi destruído, e com eles estão alguns objetos simbólicos; o que restou para se lembrar do seu lar. Além disso, eles também contam com a presença da srta. Peregrine presa em forma de uma ave. A Ymbryne poderia, no máximo, permanecer por três dias nessa forma, pois a natureza animal poderia neutralizar seu interior humano. Com isso, eles partem à procura de uma salvação para a srta. Peregrine.

cidade dos etereos cidade dos etereos cidade dos etereos

Durante a jornada, eles encontram muitos acólitos e etéreos, os quais tentam enclausurá-los. Jacob, nosso narrador, é um peculiar diferente do grupo; matou um etéreo. Não só por isso, mas ele deixou sua família, sua vida pra trás a fim de ajudar os peculiares do orfanato.

“Naquele momento, fiquei profundamente grato aos ciganos e à cumplicidade da parte animal de meu cérebro, que achava uma refeição quente, uma canção e o sorriso de uma pessoa amada suficientes para me distrair de toda escuridão, mesmo que por pouco tempo”. (p.125)

Emma, por quem nutre um forte sentimento, o questiona várias vezes sobre insistir em ajudá-los. A garota enxergava o que Jacob abandonou, e, de fato, era tudo o que os outros peculiares sonhariam em ter.

“(…) eu optara por mergulhar em um mundo que jamais imaginara, onde vivia entre as pessoas mais vivas que eu já tinha conhecido, onde fazia coisas que nunca tinha imaginado ser capaz de fazer e sobrevivia a coisas às quais nunca tinha sonhado sobreviver”. (p.130)

As partes mais importantes do livro são o início e o fim. Muitas passagens no meio foram prolongadas. Embora, as vezes, no livro haja algo de grande proporção, enquanto poderia ser menor, não o compromete. Muitos que leram também puderam perceber isso através das fotos que foram encaixadas nas cenas. São as cenas que se adequam às fotos, e não o escritor que as conduz. Foi assim que aconteceu com primeiro livro da série, como explica Ransom Riggs.

Logo nas últimas páginas, temos uma listagem dos donos de algumas delas, além de uma entrevista exclusiva com o autor onde o mesmo explica que as fotos foram encaixadas nas cenas, e não ao contrário. Diz ele que elas tomaram papel secundário aqui.

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Imagem que achei mais sinistra.

Ainda sobre as fotos, o livro não é tão sombio quanto as mesmas sugerem. O ritmo me lembrou bastante Percy Jackson. Minha expectativa era de encarar um texto obscuro e apavorante. Quando não, ele chega até a ser engraçado. Não me decepcionou, só fez mais juz ao ditado: não julgue um livro pela capa. Óbvio que têm certas coisas, digamos, peculiares. De outro modo, não seria Tim Burton interessado.

Enquanto lia, imaginei a cena e dei uma risada:

” – Eu já era mais leve que o ar no instante em que nasci – comentou Olive, com orgulho. – Saí da barriga da minha mãe e fui flutuando para o teto do hospital! A única coisa que me impediu de sair pela janela e subir até as nuvens foi o cordão umbilical. Dizem que o médico desmaiou de choque!”. (p.139)

Ressalvo que este é meu ponto de vista, assim, abro um caminho para que vocês sintam-se a vontade e comentem quando e o que quiserem, pois a opinião de todos é valida!

Obrigada pela leitura!

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Resenha: Como Partir o Coração de um Dragão, Cressida Cowell

como partir o coração de um dragão

Autor: Cressida Cowell  Editora: Intrínseca   Páginas: 320                Ano: 2012

Classificação 5/5 ⭐️ 🚍

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Sinopse:

Soluço Spantosicus Strondus III foi o mais grandioso herói já visto em todo o território viking. Ele era bravo, impetuoso e muitíssimo inteligente. Mas até mesmo os grandes heróis podem ter dificuldades no começo, principalmente se seu companheiro é um dragãozinho teimoso, mal-educado e desobediente como o Banguela.

Em Como partir o coração de um dragão, a nova aventura da série Como treinar o seu dragão, Soluço está bastante ocupado: tem que conseguir completar a Tarefa Impossível, derrotar os Berserks, salvar Perna-de-peixe de virar comida de monstro e, ainda por cima, descobrir o secretíssimo segredo do Trono Perdido. Parece muita coisa? Não para Soluço; afinal, é para isso que servem os heróis, não é?

” -É isso mesmo, seu traste. Dizem por aí que a Praia do Coração Partido é assombrada pelo fantasma de uma mulher em um navio fantasma… procurando eternamente seu filho morto e perdido… e se encontra VOCÊ em vez dele…”

Dia 18 de abril é Dia Nacional do Livro Infantil. E pra comemorar, a resenha é de um livro para crianças, mas a história é uma delícia, que a minha criança interior adorou aproveitar. Eu indico para meninos e meninas a partir de 7 anos sem limite final de idade.

como partir o coração de um dragão

Princesa Pirracenta e o Perna-de-Peixe.

Soluço é o mais improvável futuro rei, um garoto de aparência comum, cabelos ruivos, magro e de rosto sardento, que fala dragonês fluentemente. Tem como melhor amigo Perna-de-Peixe, garoto alto, magricela e romântico. Seu dragão Banguela é um dragãozinho de jardim com metade do tamanho dos dragões de caça.

O livro começa com o sumiço de Camicazi, menina minúscula, corajosa e desgrenhada, filha da chefe das Ladras do Pântano. A tribo dos Hooligans, da qual Soluço é o herdeiro do trono, sai na busca pela criança perdida.

Ao passar pelo Arquipélago Oriental, uma parte de mundo excepcionalmente perigosa, os vikings Hooligans encontram Oso, o rei mais poderoso e brutal no Mundo Barbárico. Ele é inteligente e acredita que a tribo Hooligans está realizando um ataque. Além disso, no momento em que encontram-se nas terras de Oso e dos Criminosos Feiosos, é descoberto que Perna-de-Peixe havia enviado um poema para a princesa da tribo. Esse poema vai parar na mão do rei Oso e ele quer saber quem o enviou, pois cortejar sua filha tornava-o automaticamente noivo.

“-…Se eu pudesse voltar no tempo, não teria me demorado naquela Baia Amaldiçoada para chorar preciosas lágrimas salgadas sobre o cadáver dele, permitindo que os humanos me envolvessem em correntes e me enterrassem nesta floresta. Não, eu abriria as asas e partiria para o céu azul e claro e o deixaria para que os peixes comessem… Fui muito castigado pela minha fraqueza em amar e confiar em um humano.”

Para o noivo conseguir o direito de se casar com a princesa, teria que cumprir uma prova muito complicada e perigosa, denominada Tarefa Impossível, provando que era um herói. A princesa chama-se Pirracenta, com cerca de 1,85 m de altura, cabelos ruivos e cheios e olhos verdes, com um lindo Dragão-laço vermelho que mora em seu cabelo, linda e mal-humorada. Era seu 12° noivo, todos os outros não haviam retornado da Tarefa.

como partir o coração de um dragãoPara evitar o pior, Soluço assume a culpa por enviar o poema de amor, sendo assim, caberá a ele realizar a Tarefa Impossível. Acontece que, sentindo-se culpado e querendo provar que é um herói, Perna-de-Peixe foge para a missão sozinho, montado em seu dragão Bexiguento.

Soluço vai atrás de seu amigo, carregando Banguela em um cesto, sobe nas costas do dragão Caminhante do Vento para a ilha de Berserk. Após passar por dragões monstros gigantescos chamados Papa-Abelhas Gigantes, Soluço é atingido por algo e perde a consciência. Acorda entre homens e mulheres imensos e musculosos, carregando arcos, flechas e grandes espadas de chumbo.

Esse é só o início da aventura, muitos mistérios precisam ser resolvidos. Onde está Camicazi? Pirracenta terá um dia algum marido? Onde está Soluço e quem são esses Vikings? E o leitor conhece mais sobre os antepassados de Soluço.

“A fêmea ergueu o braço para lançar longe o berço… e então parou quando ouviu o choro vindo dali… Fervendo de indignação, ela ergueu as garras para matar o bebê… e parou quando ele voltou a chorar…

O bebê, contorcendo-se, esqueceu de sentir medo e esfregou a bochechinha na pele de cobra lisa de seu peito, em busca de comida.”

Eu dei esse livro para o meu filho de 7 anos e lia para ele à noite. Em uma noite em que estava ocupada, o pai dele leu no meu lugar. Só que depois eu me peguei lendo o capítulo que havia perdido sozinha, e percebi que essa história para crianças estava me prendendo a atenção.

Também pudera, o livro é rico em detalhes, cheio de surpresas e aventuras que alimentam nossa imaginação. E os personagens são viking, reis, princesas nada convencionais, um bruxa e um dragão-marinho chamado Furioso muito castigado. E o Banguela é a coisa mais linda e engraçada do livro, os diálogos entre Soluço e ele são ótimos, imagina você conversando com o seu bichinho de estimação! Detalhe é que o dragãozinho do livro é bem diferente do personagem do filme “Como treinar o seu dragão”.

Leia para uma criança! Dê o livro de presente para uma e depois peça emprestado! É um passatempo que vale a pena! Beijocas!

assinatura nova tábata

 

Resenha: O Mundo Pós-Aniversário, Lionel Shriver

mundo pós-niver

Autor: Lionel Shriver     Editora: Intrínseca     Páginas: 542      Ano: 2009

Classificação 3/5 ⭐️ 🚍

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Sinopse: 

 Aborda o relacionamento aparentemente sólido de um casal de americanos
radicado em Londres. Ele é um disciplinado pesquisador de um instituto de estudos estratégicos; ela, uma acomodada ilustradora de livros que depara com uma vontade incontrolável de beijar outro homem; um velho amigo do casal, jogador de sinuca que figura no topo do ranking do esporte, um dos mais populares entre os britânicos. Lionel Shriver busca oferecer ao leitor dois desdobramentos do futuro dessa mulher sob a influência de dois homens diferentes, e assim escreve duas histórias. A partir daquele único beijo, tenta retratar alternativas para união e rompimento, e explorar as consequências e as motivações mais íntimas de uma escolha.

 

“Mas é engraçado como aquilo que nos atrai numa pessoa é o mesmo que passamos a desprezar nela”.

 

Não podemos esperar nada simples ou fantasioso. Lionel Shriver tem um ritmo tipicamente difícil de acompanhar, devido aos seus assuntos bruscos e sua leitura prolongada e trabalhosa. Seus personagens são fiéis a realidade, por isso muitas das vezes algo parece cruel demais. Cada livro da autora é direcionado à um tema. Aqui, ela expõe uma verdade nua e crua da infidelidade.

 

Nesse livro, o leitor é levado para duas histórias a partir de uma decisão: a que Irina beija um homem, que não é seu marido, e a que ela não o beija. Ou seja, temos dois mundos paralelos retratando como seria a vida da principal a partir dessas escolhas.

 

Existe um capítulo do primeiro e um do último capítulo. Do segundo ao penúltimo existem dois de cada. Os de caixa escura mostram as situações de sua vida ao beijar Ramsey, e os de caixa branca é quando ela não cede ao beijo.  (Imagem ao lado esquerdo).

 

A história começa com Lawrence, marido de Irina, convencendo-a de ir jantar com Ramsey, um antigo amigo dos dois. Era aniversário do homem e Lawrence não poderia estar presente. Depois de muitas objeções, ela desiste e aceita jantar com o amigo em seu aniversário.

 

“Era um alívio fugir da companhia de Lawrence, nem que fosse por um pouquinho; mas da própria realidade do alívio não havia como fugir, e isso a desconcertou”.

 

Ela não achou que poderia ser interessante, mas, durante o evento, Irina se sentiu espantosamente confortável, se agradando da companhia de Ramsey. Então aqui ela faz sua decisão.

Temos a Irina com Ramsey, e a Irina com Lawrence. Não gostei da primeira versão. Mas tem um porém: se ela não fizesse algumas coisas, outra pessoa o faria, o que significa que a infidelidade está no destino da mulher.

 

Em uma das versões da narrativa com Ramsey, rico e famoso jogador de sinuca, ela não esperava por problemas financeiros, porém esse é o menor dos problemas. Irina se pega muitas vezes pensando em como seria sua vida se ainda estivesse com Lawrence. Seu casamento com Ramsey lhe rendeu muitas dores de cabeça.

 

“Afundada na poltrona durante as primeiras rodadas do Mundial, ela teve de admitir que estava entediada. E não apenas um pouquinho. Era um tédio implacável, um tédio de arrancar os cabelos, um tédio que lhe dava vontade de se matar”.

 

“Essa noite estava deixando flagrantemente de encarar a ‘normalidade’ pela qual ela havia ansiado. Mas a normalidade, tal como a entendera um dia, parecia ser coisa do passado”.

 

Já nos capítulos claros, onde ela está com Lawrence, não é muito diferente. O homem externava inteligência e simpatia. Um exemplo de homem. Eles sabiam se comportar em público. Mas em relação ao seu casamento, ele deixava transparecer indiferença com ela muitas das vezes. 

 

“Outros confiavam no casal como um parâmetro, a prova de que era possível ser feliz; esse papel era um fardo”.

 

O final, como sempre, é imprevisível. Costumo dizer que a Lionel, em todo final de capítulo, dá um soco no nosso estômago. Sabe aqueles quotes que a gente lê e pensa: “Rem!”? Então, ela faz isso. Principalmente em Precisamos Falar Sobre o Kevin. Veja um quote que encontrei em O Mundo Pós Aniversário:

 

“(…) como era raro, nos últimos tempos, ver alguma coisa bonita na televisão”.

 
Associaram? Brincadeiras à parte, gostaria de finalizar com alguns alertas. O livro tem 554 páginas, há muitas sem diálogo e a leitura não é tranquila. Quem desejar ler precisa ter noção disso para poder chegar até o fim compreendendo a intencionalidade da autora. Ou seja, ele transmite, acima de tudo, a relação entre os casais formados. Podemos até reparar que não há muitos personagens. Gostaria de destacar isso. Lionel analisa e explora tudo o que diz respeito a relação Irina+Ramsey e Irina+Lawrence basicamente no livro todo. Não é como se a história em si contasse alguma coisa, mas o que importa é a reação dos personagens principais quando batem de frente com o ciúme, desconfiança, desentendimento com a família do cônjuge, falta de paciência, brigas, situações inesperadas etc.

Sou completamente apaixonada pelos livros da Lionel, no entanto O Mundo Pós Aniversário me deixou inquieta, levando-me a questionar o porquê da autora escrever certas informações. Se você já leu, deixe seu comentário opinando sobre o livro, e se não leu comente o que achou sobre a história baseada na resenha. Seu comentário é muito importante!

Espero que essa resenha tenha aguçado a curiosidade de vocês. Ressalvo que este é meu ponto de vista, assim, abro um caminho para que vocês sintam-se a vontade e comentem quando e o que quiserem, pois a opinião de todos é válida!

Obrigada pela leitura!

assinatura nova luiza

Resenha: Depois de você, Jojo Moyes

depois de vocêClassificação 3/5 ⭐️ 🚍

Á venda l Submarino l Americanas

Sinopse:

Quando uma história termina, outra tem que começar.

Com mais de 5 milhões de exemplares vendidos em todo o mundo, Como eu era antes de você conta a história do relacionamento entre Will Traynor e Louisa Clark, cujo fim trágico deixou de coração apertado os milhares de fãs da autora Jojo Moyes.
Em Depois de você, Lou ainda não superou a perda de Will. Morando em um flat em Londres, ela trabalha como garçonete em um pub no aeroporto. Certo dia, após beber muito, Lou cai do terraço. O terrível acidente a obriga voltar para a casa de sua família, mas também a permite conhecer Sam Fielding, um paramédico cujo trabalho é lidar com a vida e a morte, a única pessoa que parece capaz de compreendê-la.
Ao se recuperar, Lou sabe que precisa dar uma guinada na própria história e acaba entrando para um grupo de terapia de luto. Os membros compartilham sabedoria, risadas, frustrações e biscoitos horrorosos, além de a incentivarem a investir em Sam. Tudo parece começar a se encaixar, quando alguém do passado de Will surge e atrapalha os planos de Lou, levando-a a um futuro totalmente diferente.

” Falhei com você Will. Falhei com você de todas as maneiras possíveis.”

Já quero avisar de antemão queridos leitores, que vou soltar um spoiler aqui. Mas só um tá!

Assim como Lou, nós passamos o livro em luto. É difícil aceitar um outro homem na história. Mas é uma relação tão gostosa e bonita de acompanhar, que o leitor acaba dando uma brecha no coração.

A Clark continua a mesma. Eu achei que depois de Will ela se tornaria uma pessoa que viveria a vida, conforme as instruções dele. Mas a única mudança significativa foi que ela está se vestindo como uma pessoa comum: jeans e camiseta. Nada de meias de abelhas nem combinações bizarras e estampadas.

Depois de viajar e conhecer os lugares que Will pediu, Lou volta a Londres, compra um flat e trabalha como garçonete. Ela leva um vida bem blá e blé. Um dia, durante uma bebedeira no telhado, ela perde o equilíbrio, cai, quebra vários ossos, é socorrida por um paramédico alto e forte, fica de cama por dois meses e após  convencer a família que não pulou do telhado, seu pai deixa ela voltar a Londres desde que frequente um grupo de apoio ao luto.

E acreditem ou não, ela volta para a vidinha dela mas pelo menos começa a frequentar o grupo. Um certo dia, uma garota de 16 anos bate em sua porta e [ spoiler alert ] diz que é filha de Will Traynor. Pausa para o choque. 

No meio dessa confusão, ela se aproxima de Sam, o paramédico gato/alto/sarado/cuida do meu coração também.

Os momentos de romance são ótimos, mas as intermináveis discussões com a aborrecente encheu muito minha paciência. Não curti. Quero o Will gente, cadê o Will? Resnasce aí!

” Antes que eu pudesse pensar, me debrucei sobre a mesinha, estiquei o braço para alcançar sua nuca e o beijei. Ele hesitou apenas por um instante depois se inclinou para frente e retribuiu o beijo.”

” Não queria saber se ele era um mulherengo compulsivo ou se estava fazendo um jogo. Eu estava tão sufocada de desejo que, na verdade, não ligava se ele quebrasse o outro lado do meu quadril.”

As conversas no grupo de apoio são ótimas também. Muito engraçadas. A escrita da Jojo é engraçada e leve né.

E o final, bom, com certeza é melhor que o final do primeiro rs…e sinto que terá uma continuação. Será?

” De que adianta se aproximar de uma pessoa se vamos perdê-la? Mas outro dia comecei a pensar sobre o que realmente quero da vida e me dei conta de que quero alguém para amar.”

” Fiquei um pouco surpresa com a rapidez com que me acostumei a ter um homem nu por perto. Ainda mais um que conseguia se mexer.”

E ai curiosos para ler? Mesmo não sendo a leitura que eu esperava, indico ele. Foi muito bom reencontrar os personagens.

Me contem a opinião de vocês!

Até a próxima.

Beijo, outro, tchau!

assinatura nova ana

 

Resenha: Toda Luz que não Podemos Ver, Anthony Doerr

toda luz que não podemos ver

Autor: Antony Doerr          Editora: Intrínseca Páginas: 528                Ano: 2015

Classificação 4/5 ⭐️ 🚍

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Sinopse:

Marie-Laure vive em Paris, perto do Museu de História Natural, onde seu pai é o chaveiro responsável por cuidar de milhares de fechaduras. Quando a menina fica cega, aos seis anos, o pai constrói uma maquete em miniatura do bairro onde moram para que ela seja capaz de memorizar os caminhos. Na ocupação nazista em Paris, pai e filha fogem para a cidade de Saint-Malo e levam consigo o que talvez seja o mais valioso tesouro do museu. Em uma região de minas na Alemanha, o órfão Werner cresce com a irmã mais nova, encantado pelo rádio que certo dia encontram em uma pilha de lixo. Com a prática, acaba se tornando especialista no aparelho, talento que lhe vale uma vaga em uma escola nazista e, logo depois, uma missão especial: descobrir a fonte das transmissões de rádio responsáveis pela chegada dos Aliados na Normandia. Cada vez mais consciente dos custos humanos de seu trabalho, o rapaz é enviado então para Saint-Malo, onde seu caminho cruza o de Marie-Laure, enquanto ambos tentam sobreviver à Segunda Guerra Mundial.Uma história arrebatadora contada de forma fascinante. Com incrível habilidade para combinar lirismo e uma observação atenta dos horrores da guerra, o premiado autor Anthony Doerr constrói, em Toda luz que não podemos ver, um tocante romance sobre o que há além do mundo visível.

” Abram os olhos e vejam tudo o que conseguirem ver antes que se fechem para sempre. “

“Toda Luz que não Podemos Ver” começa em agosto de 1944 em Saint-Malo, França, final da Segunda Guerra Mundial, e nos são apresentados os personagens Marie-Laure, uma garota cega de dezesseis anos, francesa de rosto sardento; e Werner, um recruta alemão de dezoito anos e cabelos brancos.

saint malo

Saint-Malo, França

A história gira em torno desses dois personagens, os capítulos não seguem uma cronologia, em cada momento o leitor é levado a um lugar e tempo diferentes.

Marie-Laure quando criança mora com o pai em Paris. Ele trabalha como chaveiro no Museu Nacional de História Natural. Um homem inteligente e dedicado a sua filha, constrói para ela uma maquete detalhando de forma realista o que a filha irá encontrar nas ruas, e desperta em Marie-Laure o amor pela leitura presenteando-a com livros de aventura em braile.

Werner mora com a irmã mais nova Jutta, na Casa das Crianças, um orfanato em Essen, Alemanha, comandado por Frau Elena. Ele é um garoto muito inteligente e curioso, e consegue consertar um rádio velho, onde ele e a irmã gostam de ouvir um programa de ciências para crianças.

“Transmissões de Paris. Eles diziam o oposto de tudo o que a Deustschlandsender diz. Diziam que somos demônios. Que estamos cometendo atrocidades. Sabe o que significa a palavra, atrocidades

– Por favor, Jutta.

– É certo – pergunta Jutta – fazer algo apenas porque todas as outras pessoas estão fazendo?”

Então como diz o autor “A guerra lança seu ponto de interrogação”. E tudo muda na vida de todos. Marie-Laure sonhava em morar em Paris com o pai pelo resto de sua vida, mas tem que deixar a cidade. Werner sonha em ser engenheiro e não deseja abandonar a irmã, mas segue para um colégio militar. Lá ele conhece Frederick, único amigo em meio a todos os garotos, que tinha como sonho estudar pássaros, e tenho que deixar registrado que esse garoto sofre muito, e só de lembrar já quer escorrer uma lágrima no canto do olho. Tantos sonhos deixados para trás. Então temos dois lados da guerra. Será que vão se encontrar? Será?

No meio disso tudo há um diamante chamado Mar em Chamas, antes guardado no cofre do museu, e quando a guerra chega existem quatro diamantes, três falsificados pelo próprio museu e um verdadeiro. O pai de Marie-Laure leva um deles consigo. E inicia-se a busca desenfreada do comandante alemão Von Rumpel, especialista em pedras.

No começo do livro eu quase o abandonei, por ser uma leitura difícil, começa em 1944, no capítulo seguinte vai para 1934, e assim a história vai e volta e o leitor só descobre cada detalhe de cada parte aos poucos. Os capítulos são divididos em partes cada uma com um título, que não passam de 5 páginas, cada parte referente a um personagem. Mas, como sou persistente, continuei a leitura, e dou graças por isso. A história é brilhante, rica em detalhes, apesar de ser ficção, é tecida através de um momento triste que realmente existiu. Eu nunca tinha lido um livro com um personagem cego, e a descrição feita através de toque e cheiros é fascinante.

“O que é a cegueira? Onde deveria haver uma parede, as mãos nada encontram. Onde não deveria haver nada, uma perna de mesa arranha sua canela. Roncos de carros nas ruas; murmúrio de folhas no céu; sussurro de sangue em seus ouvidos. Na escada, na cozinha, mesmo ao lado da sua cama, vozes de adultos falam sobre desespero.”

Só quero deixar a minha indignação com o autor, porque ele salva um dos personagens para depois matá-lo. Isso não é justo!

Fora isso, é um livro para ter na estante e reler de tempos em tempos. Até agora estou extasiada e os acontecimentos passam pela minha cabeça. Se ficou curioso, leia, se já leu, me conte, que tô louca para falar com alguém sobre ele.

Beijocas!

assinatura nova tábata

Resenha: Cidades de Papel, John Green

CidadesDePapel

Autor: John Grenn         Editora: Intrínseca         Páginas: 368      Ano: 2013

Classificação 3 ⭐️ 🚍

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Sinopse: 

Quentin Jacobsen tem uma paixão platônica pela magnífica vizinha e colega de escola Margo Roth Spiegelman. Até que em um cinco de maio que poderia ter sido outro dia qualquer, ela invade sua vida pela janela de seu quarto, com a cara pintada e vestida de ninja, convocando-o a fazer parte de um engenhoso plano de vingança. E ele, é claro, aceita.
Assim que a noite de aventuras acaba e um novo dia se inicia, Q vai para a escola e então descobre que o paradeiro da sempre enigmática Margo é agora um mistério. No entanto, ele logo encontra pistas e começa a segui-las. Impelido em direção a um caminho tortuoso, quanto mais Q se aproxima de Margo, mais se distancia da imagem da garota que ele achava que conhecia.

“Soquei a terra com os punhos e fiquei ali, batendo e esmurrando sem parar, a areia se espalhando pelas mãos até que eu cheguei às raízes da árvore, e ainda assim continuei, a dor vibrando por minhas palmas e pulsos. Até então eu não havia chorado por Margo, mas enfim chorei, golpeando o chão e gritando porque não havia ninguém para me ouvir: eu sentia saudades dela, eu sentia saudades dela, eu sentia saudades dela, eu sinto saudades dela.”

É o último ano de escola de Quentin, um garoto que mora em Orlando, inteligente, filho exemplar, que anda com a turma da banda, mesmo que não saiba tocar nenhum instrumento. Ele é apaixonado por sua vizinha de olhos azuis Margo. Eles eram amigos aos 09 anos de idade, mas, após encontrarem um homem morto no parque em que brincavam, nunca mais foram próximos.

Em uma noite Margo aparece na janela de Quentin e pede sua ajuda para colocar em prática um plano de vingança, e nessa noite eles também invadem um parque temático.

No dia seguinte, Quentin está ansioso para ver como Margo iria se comportar perto dele. Só que ela não aparece na escola, e nem em lugar nenhum, nem nos próximos dias, pois havia desaparecido.

Margo sumia com frequência, mesmo assim ele começa a buscar pistas de onde ela possa estar, na realidade, Quentin fica obcecado com isso.

Seus amigos Ben e Radar o ajudam nessa busca por Margo. As pistas que acham os levam à uma loja de suvenires abandonada, último lugar em que ela esteve antes de desaparecer. Eles encontram uma pichação na parede feita por ela: você vai para as cidades de papel e nunca mais voltará.

No dia de sua colação de grau, Quentin continua a investigar e acredita que ela está em uma cidade chamada Agloe, em Nova York. Ele convence seus amigos, Ben e Radar, e Lacey, a melhor amiga de Margo, a irem até essa cidade, uma viagem de carro de 21 horas.

“Eis o que não é bonito em tudo isso: daqui não se vê a poeira ou a tinta rachando ou sei lá o quê, mas dá para ver o que este lugar é de verdade. Dá para ver o quanto é falso. Não é nem consistente o suficiente para ser feito de plástico. É uma cidade de papel… Todas aquelas pessoas de papel vivendo suas vidas em casas de papel, queimando o futuro para se manterem aquecidas. Todas as crianças de papel bebendo a cerveja que algum vagabundo comprou para elas na loja de papel da esquina. Todos idiotizados com a obsessão por possuir coisas. Todas as coisas finas e frágeis como papel e todas as pessoas também. Vivi aqui durante dezoito anos e nunca encontrei ninguém que se importasse realmente com qualquer coisa.”

O livro é dividido em três partes. A parte um intitulada “Os fios” é a apresentação dos personagens e descreve a melhor noite da vida de Quentin em sua aventura com Margo. Essa parte começa meio clichê, mas no fim é bem interessante.

A parte dois “A relva” é quando Margo some e deixa pistas que Quentin segue na intenção de achá-la. Eu achei entediante, e queria chegar logo na parte três.

Enfim, a parte três “O navio” é separado pelo autor em horas – ao todo são 21 – a viagem de carro em busca de Margo. Essa parte é bem legal, são quatro amigos na estrada, com partes que me lembraram de filmes com o Jim Carrey, quando Ben urina em garrafas (Debi e Lóide) e quando encontram uma vaca no meio da estrada (Eu, Eu mesmo e Irene).

Eu indico o livro só se você não tiver nada melhor para ler.

Beijocas!

assinatura nova tábata

Resenha: O Teorema Katherine, John Green

o teorema katherine

Autor: John Green            Editora: Intrínseca Páginas: 304              Ano: 2013

Classificação 4 ⭐️ 🚍

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Sinopse:

Se o assunto é relacionamento, o tipo de garota de Colin Singleton tem nome: Katherine. E em se tratando de Colin e Katherines, o desfecho é sempre o mesmo: ele leva o fora. Já aconteceu muito. Dezenove vezes, para ser exato.
Depois do mais recente e traumático término, ele resolve cair na estrada. Dirigindo o Rabecão de Satã, com seu caderninho de anotações no bolso e um melhor amigo bem fora de forma no banco do carona, o ex-garoto prodígio, viciado em anagramas e PhD em levar pés na bunda, descobre sua verdadeira missão: elaborar e comprovar o Teorema Fundamental da Previsibilidade das Katherines, que tornará possível antever, através da linguagem universal da matemática, o desfecho de qualquer relacionamento antes mesmo que as duas pessoas se conheçam.  Uma descoberta que vai mudar para sempre a história amorosa do mundo, vai vingar séculos de injusta vantagem entre Terminantes e Terminados e, enfim, elevará Colin Singleton diretamente ao distinto posto de gênio da humanidade. Também, é claro, vai ajudá-lo a reconquistar sua garota. Ou, pelo menos, é isso o que ele espera.

“Quando se trata de garotas (e, no caso de Colin, quase sempre se tratava), todo mundo tem seu tipo. O de Colin Singleton não é físico, mas linguístico: ele gosta de Katherines. E não de Katies, nem Kats, nem Kities, nem Cathys, nem Rynns, nem Trinas, nem Kays, nem Kates, nem – Deus o livre – Catherines. K-A-T-H-E-R-I-N-E.”

Colin é um garoto inteligente, célebre menino prodígio, de cabelo cacheado, que acabou de se formar no ensino médio. Era pra estar feliz, mas sua namorada Katherine acabou de virar ex-namorada, e não por sua vontade.

Ele está naquele momento deprimente pós-término, quando seu amigo Hassan – garoto acomodado, um tanto gordo e hirsuto de ascendência libanesa – aparece para animá-lo, e eles resolvem que irão fazer uma viagem de carro.

“Qual o sentido de estar vivo se você nem ao menos tenta fazer algo extraordinário? Que estranho acreditar que um Deus lhe deu a vida e, ao mesmo tempo, a vida não espera de você nada mais que ficar vendo TV.”

Colin e Hassan saem de Chicago em um Oldsmobile cinza estilo “banheira” (eu pesquisei no Google pra ver como era) sem destino certo, prontos para uma aventura.

Colin namorou 18 Katherines antes da K-19 e sempre foram elas que terminaram. Ele vê nessa coincidência uma chance de ser um gênio com seu momento “eureca”: decide que vai desenvolver um Teorema que determine quando será o fim de um relacionamento e quem irá terminar.

A viagem sem destino acaba tendo de fato um destino, e eles vão parar no Tennessee, onde conhecem Lindsey, uma garota de nariz longilíneo e empinado, grandes olhos castanhos, cabelo castanho-avermelhado, baixa e magra. Colin e Hassan ficam na cidade de Gutshot, pois vão trabalhar para a mãe de Lindsey, e assim começam suas aventuras.

O Teorema Katherine é um livro com personagens peculiares e romance adolescente. A parte em que Colin desenvolve seu estudo do Teorema foi tediosa para mim, mas deve-se levar em conta que não gosto nem um pouco de matemática. Com exceção disso, me interessei muito pela história, é curta e tem partes divertidas, como o dia em que eles saem para caçar javalis. Outra parte que eu também gostei foi quando o Colin resume como foi a passagem de todas as Katherines em sua vida.

“É possível amar muito alguém, ele pensou. Mas o tamanho do seu amor por uma pessoa nunca vai ser páreo para o tamanho da saudade que você vai sentir dela.”

Então, é isso, se quiser saber se o Colin consegue criar o Teorema, se supera a perda da Katherine 19, quais foram as aventuras que acontecem com ele, Hassan e Lindsey, aproveite a leitura! E digo uma coisa, ela vai ser bem rápida, pois a curiosidade de saber o que vem a seguir é grande. Beijocas!

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Resenha: Ordem (Saga Silo), Hugh Howey

ORDEM

Autor: Hugh Howey          Editora: Intrínseca Páginas: 512            Ano: 2015

Classificação 4/5 ⭐️ 🚍

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Sinopse:

E se a sobrevivência dos seres humanos dependesse do deslocamento de milhares de cidadãos para uma enorme cidade subterrânea, com gigantescas telas de TV transmitindo imagens desoladoras do mundo do lado de fora e ninguém fosse autorizado a sair?

A narrativa de Ordem, que alterna passado e presente, começa em um período anterior ao descrito em Silo, explicando como o mundo de Juliette foi transformado. São apresentados ao leitor um portador do século XXIII; um senador da Geórgia num futuro próximo; um garoto abandonado, cuja história termina quando a de Juliette começa, e Troy, que acorda em 2110 sem saber quem é.
Em Ordem, os personagens escapam da morte ao serem congelados em cápsulas criogênicas, sendo acordados de tempos em tempos para tomar remédios, realizarem alguns trabalhos alienantes e depois dormir outra vez. O livro volta no tempo, ao ano de 2049, revelando as decisões tomadas por alguns poucos poderosos, responsáveis por bilhões de mortes que deixarão a humanidade em vias de extinção. A narrativa torna-se claustrofóbica e contrita à medida que a humanidade é forçada a viver no silo e a tomar medicamentos que a fazem esquecer a destruição infligida aos amigos e parentes. 

Com uma sinopse dessa, o que sobra para falar?rs

” Preveja o inevitável – disse ela- e um dia você estará certo”.
***Atenção, se você não leu Silo, então não leia a resenha. Ou leia, você que sabe.***

No segundo livro da saga nós voltamos no tempo, em 2049(!), para entender o que aconteceu com o mundo e como fomos parar embaixo da terra. De imediato conhecemos o deputado estadual Donald Keene  que está numa sala de reunião com o  Senador Thurman lhe pedindo que construa uma abrigo subterrâneo, mas sem falar para que finalidade, apenas que se algo der errado a população terá onde se esconder.

” – Espere, não entendi – ele estudou o desenho – por que as luzes de cultivo?
– Por que Donny o prédio que eu quero que projete para mim…ele será subterrâneo.”

No primeiro livro nós vimos que existiam vários silos além do 18 onde mora a Juliette. A vida no silo 1 é completamente diferente dos demais, eles são os ‘capitães do navio’, eles conseguem falar com todos os silos, desativar silos, observar os silos por câmeras, enviar misseis… e o mais desesperador é que eles trabalham em turnos, após esse período são colocados para dormir em câmeras criogênicas, e acordados depois de alguns meses ou anos para voltarem ao trabalho. Algumas pessoas do silo 1 tem mais de duzentos anos e são mais saudáveis que eu. E eles não lembram das suas vidas antes do silo, as memórias foram apagadas ( mas é claro que sempre tem um encapetado para lembrar né).

” Será que fica mais fácil com o passar das gerações, a medida que as pessoas esquecessem, e os sussurros dos primeiros sobreviventes desaparecessem?”

Algumas partes ficaram confusas para mim, como exemplo essas paradinhas criogênicas e o significado de terem construído os silos. Na verdade não vi sentido, até eu faria uma rebelião com a Juliette, minha amiga.

A história é intercalada em anos e em silos diferentes: o mundo como nós conhecemos, o fim do mundo, o começo da vida nos silos, os silos que ‘ caíram’…mas não espere encontrar Juliette. Em compensação nós conhecemos toda a história do Solo, lembra dele? É aquele senhor doidinho barbudo que vivia sozinho no silo 17, sabe?

“- Acho que o estamos perdendo senhor.
– O que? Perdendo contato? Não está conseguindo falar com eles?
-Não senhor. Perdendo o 12, senhor. O silo. A coisa toda.”

O livro continua com aquele regime opressor, com aquela falta de ar e claustrofobia.  É uma história triste, em nenhum momento me senti feliz com os personagens, em nenhum momento eu vi os personagens felizes.

Apesar dele ser muito revelador e não ser previsível, achei cansativo,não sei se isso faz sentido rs. Também não acho que vai atrapalhar a leitura se você pular do primeiro para o terceiro, mas não me arrependo de ter lido, ter conhecido o Solo fez valer a pena.

” Mesmo que houvesse sobreviventes ao seu redor, a única companhia encontrada era do tipo que perseguia ou matava você.” – Solo.

E vocês já leram? Vão ler? Vem bater um papo aqui!

Até a próxima!

Beijo, outro, tchau!

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Resenha: Não Sou Uma Dessas, Lena Dunham

não sou uma dessas

Autor: Lena Dunham      Editora: Intrínseca  Páginas: 304                      Ano:  2014

Classificação 3/5 ⭐️ 🚍

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Sinopse:

Lena Dunham , a premiada criadora, produtora e estrela da série Girls, da HBO, apresenta uma coleção de relatos pessoais hilários, sábios e dolorosamente sinceros que a revelam como um dos jovens talentos mais originais da atualidade. Em Não sou uma dessas, Lena conta a história de sua vida e faz um balanço das escolhas e experiências que a conduziram à vida adulta. Comparada a Salinger e a Woody Allen pelo New York Times como a voz de sua geração, Lena é conhecida pela polêmica que desperta e por sua forma única e excêntrica de se expressar e encarar a vida. Engajada, a autora revela suas opiniões sobre sexo, amor, solidão, carreira, dietas malucas e a luta para se impor num ambiente dominado por homens com o dobro da sua idade.

” Coisas que aprendi com minha mãe: Família em primeiro lugar. Trabalho em segundo. Vingança em terceiro.”

Como já disse Stephen King ‘ quando se fala do passado todo mundo escreve ficção’.  E não é possível que a Lena não tem romantizado a história! Mas independente disso, a coragem que ela teve de expor sua vida pessoal ao mundo e principalmente lembrar de coisas que muitas vezes o melhor é esquecer, a torna uma mulher corajosa.

O livro intercala passado e presente. Todas as páginas tem desenhos que casam perfeitamente com a história e alguns fazem você ter vergonha de estar lendo em público. As histórias em sua maioria são engraçadas. Na verdade ou é engraçada ou é perturbador e ponto final. 

Me identifiquei muito com a Lena durante a leitura, os pensamentos e questionamentos são muito parecidos com os meus e isso me confortou. Vocês não fazem ideia do que é escutar o tempo inteiro coisas como ‘ nossa, só você pra pensar isso’, ‘ da onde você tira essas coisas’, ‘ nossa Ana que imaginação’,  e a pior, a que me castiga mais ‘ não, eu nunca pensei nisso’ seguido de uma feição assustada.

E encontrar alguém que passa por isso foi reconfortante.

É claro que a Lena me supera, ela pira muito mais do que eu, e acabei ficando com dó, por que eu fico com a mente cansada, imagina ela?!

É um livro divertido sem dúvidas mas também é um livro cansativo, quase terminando eu já estava de saco cheio da Lena, vontade de gritar:  ‘Para de ser louca mulher! Se controla!’ Mas com certeza toda essa loucura a ajudou a criar esse sucesso que ela se tornou.

Não é um livro para qualquer um e não é um livro de auto ajuda. Não espere encontrar dicas ou conselhos. Longe disso. O livro é um relato das experiências de vida dela, e a partir disso você tira suas conclusões sobre o que é a melhor coisa a se fazer ou simplesmente morre de rir e segue com a vida.

Alguns pontos interessantes sobre ela:

  • Os pais são muito conectados a arte e cultura. Desde criança ela visitava museus, escrevia muito, estava envolvida com peças de artes, artistas…
  • Na faculdade ela fez o curso de ‘ escrita criativa’. A autora da saga Divergente, Veronica Roth, também fez ele.
  • Os pais dela incentivavam ela a expor os sentimentos, e ela tinha um psicologo pra chamar de seu.
  • Todos os relacionamento amorosos foram desastrosos.
  • A vida sexual é um pesadelo.
  • Ela toma remédios para ansiedade e para dormir desde criança.
  • Ela é como toda mulher normal, se acha feia, gorda, incapaz…

E separei alguns trechos para aguçar a curiosidade e divertir vocês!

” Historias sobre a minha mãe, minha avó, sobre o primeiro cara que amei e virou semigay e sobre a primeira garota que amei e que virou minha inimiga. E, se eu puder lançar mão do que aprendi e tornar qualquer tarefa mais fácil para você ou evitar que você faça o tipo de sexo em que ache melhor nem tirar o tênis para o caso de querer sair correndo durante o ato, então cada passo em falso que dei terá valido a pena.”

” Eu era trabalhadora. Merecia beijos. Merecia ser tratada como um pedaço de carne, mas também ser respeitada pela minha inteligencia.”

” Para mim dormir era como morrer. Qual a diferença entre fechar os olhos e perder a consciência e morrer? O que separava a perda de consciência da obliteração permanente?”

” Não era feia demais a ponto de ser repulsiva e não era bonita demais a ponto de ser sedutora. Minha cama era uma parada de descanso para os solitários, e eu era a solteirona dona da estalagem.”

” E ele veio e ficou, mesmo depois de todos os meus convidados já terem ido embora. Foi quando soube que, no minimo, ele passaria a mão no meu peito.”

” Coisas que eu disse durante um flerte: Só tenho cecê em uma das axilas. Juro. A minha mãe é igual.”

” Danço feito louca, rio feito louca de minhas próprias piadasfaço referências superficiais à minha vagina, como se ela fosse um carro ou uma cômoda”.

“Para mim, evitar totalmente os homens casados quando se está solteira seria  como recusar atendimento em um hospital de Tijuana quando se está sangrando até a morte porque prefere um hospital americano imaculado, bem distante e do outro lado da fronteira”.

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E vocês já leram? Vão ler? Conta aqui!

Até a próxima!

Beijo, outro, tchau!

assinatura nova ana

Resenha: Objetos Cortantes, Gillian Flynn

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Autor: Gillian Flynn          Editora: Rocco/Intrínseca

Páginas: 299                Ano:  2008/2015

Sinopse:

Na própria carne, um romance policial com nuanças psicológicas recebido com entusiasmo pelo público e pela crítica dos EUA que prende o leitor do início ao fim. Na trama, a jornalista Camille Preaker é designada para cobrir o assassinato de duas pré-adolescentes na pequena cidade onde cresceu, e acaba reencontrando, após anos distante, a mãe neurótica e a meia-irmã que mal conhece. As poucas pistas da polícia a empurram para uma investigação paralela sobre a ação do suposto serial killer, que avança sobre os mistérios de Wind Gap, revelando segredos terríveis sobre a cidade, sua família e sobre sua vida.

 “Eu me corto, sabe? Também retalho, fatio, gravo, espeto…Sou um caso bem especial. Tenho uma razão. A minha pele, sabe, ela grita.”

Camille Preaker, editora de polícia do jornal Daily Post em Chicago, carrega consigo o vício pela bebida, um passado doloroso e muitas marcas pelo corpo. Literalmente. Marcas autoinflingidas em que registra seus tão confusos sentimentos, suas decepções, suas descobertas. Cicatrizes que “falam” por si só e marcam cada sentimento, cada momento de sua vida durante a adolescência: “cozinhar”, “bonequinha”, “perversa”, “calcinha”, “virgem”, “desaparecer”.

Numa pequena comunidade ao Sul de Missouri, Wind Gap, sua cidade natal, que há tanto ela deixou pra trás, junto de seu passado marcado pela morte de sua irmã caçula, um suposto serial killer que tem preferência por meninas começa a atacar e ela se vê obrigada a cobrir profissionalmente a investigação.

Apesar do caso em si já não ser agradável, o que mais a preocupa e aumenta sua ansiedade é o fato de retomar um pouco do convívio com sua família: sua mãe Adora, com sua personalidade fria, seu padrasto Alan, que parece viver alheio a realidade de sua própria casa, e sua meia-irmã, Amma, que carrega uma personalidade dupla: a menininha da família e a adolescente maliciosa, fria.

Camille precisará de coragem e muito autocontrole tanto para conseguir enfrentar a população assustada e arredia de Wind Gap em busca de algo que possa lhe ajudar a desvendar o perfil do tão temido assassino e principalmente de muito controle para lidar com seu anseio por automutilação.

Suas cicatrizes, antigas e dolorosas, tanto na carne quanto em sua alma, a levam de volta a seu passado, contam histórias, mas também poderão trazer as respostas para os dias de hoje.

“Cada pessoa tem sua própria versão de uma lembrança.”

Na Própria Carne foi o romance de estreia da autora Gillian Flynn, a mesma tão conhecida por Garota Exemplar, lançado pela editora Rocco em 2008 e relançado pela Intrínseca como Objetos Cortantes, em 2015. Sim, é o mesmo livro com resumos na contracapa diferentes…

No decorrer da leitura percebe-se o quanto a autora evoluiu se comparado ao Garota Exemplar, mas assim como Garota Exemplar (e podem começar as críticas em 1, 2…), a narrativa não me convenceu…Esperava um pouco de ação, uma história que me prendesse um pouco mais.

Em todos os resumos que li o livro é colocado com uma “narrativa tensa e cheia de reviravoltas”, um “livro viciante”, mas na verdade, e deixo bem claro, na minha opinião, cria-se uma expectativa que não é correspondida ao longo da leitura. Em muitos trechos o texto fica inclusive monótono, repetitivo.

Por sua vez, consegue-se sentir as emoções angustiantes da protagonista, sua total consciência de seus problemas e sua incapacidade de lidar com eles.

Ou seja, não é que o livro seja ruim, apenas não é a meu ver um livro que te prende da mesma forma do começo ao fim. Tem reviravoltas? Algumas. Mas para um bom leitor de romances policiais, ao longo da história fica fácil perceber exatamente quem são os vilões e os mocinhos, usando esse clichê, e como a trama se desenvolverá.

A protagonista Camille é bem intensa, transmite emoções fortes, angustiantes e consegue passar toda sua instabilidade emocional para nós leitores.

Na verdade, todos os personagens são bem construídos, cada um com suas características peculiares, suas personalidades e seus anseios.

“Uso este vestidinho por causa de Adora. Quando estou em casa, sou a bonequinha dela. 
– E quando não está?
– Sou outras coisas. Você é Camille, minha meia-irmã. A primeira filha de Adora, antes de Marian. Você é pré e eu sou pós.”

O enredo é interessante, aborda questões como relacionamento familiar, automutilação, relações conturbadas entre os membros de uma pequena comunidade, assassinatos.

Mas apesar disso tudo a narrativa não evolui. Ao menos pra mim.

Talvez estivesse com expectativas demais, esperando um romance com mais ação, mais emoção, baseado em tudo que li, mas se quer saber, leia!

Pode ser empolgante pra você!

Até a próxima!

assinatura camila

Resenha: Grande Irmão, Lionel Shriver

grande-irmao

Autor: Lionel Shriver         Editora: Intrínseca  Páginas: 336                        Ano: 2013

 

Sinopse:

Pandora é uma empreendedora bem-sucedida que vive em Iowa com o marido, Fletcher, um homem de temperamento irritadiço, que nunca consegue relaxar. Edison, irmão de Pandora, antes um conhecido pianista de jazz em Nova York, está completamente falido, sem ter onde morar. Contrariando o marido, Pandora envia uma passagem aérea para o irmão e abre sua casa para hospedá-lo. Depois de quatro anos sem se encontrarem, ela quase não o reconhece quando vai buscá-lo no aeroporto e depara com um homem mais de cem quilos acima do peso. Em casa, os hábitos desleixados de Edison criam um enorme desconforto para Fletcher, até que Pandora decide se comprometer com o emagrecimento do irmão e abdica de tudo para ajudá-lo.

Construído com a inteligência e a força impactante de Lionel Shriver, Grande irmão é um livro sobre um assunto ao mesmo tempo social e dolorosamente íntimo. Shriver mostra, sem rodeios, como a obesidade grave pode atingir uma família de modo devastador e nos faz questionar se é possível proteger as pessoas que amamos delas mesmas.

“Essa era a pergunta do ovo ou da galinha que eu não tinha conseguido dissecar. Edison estava gordo por estar deprimido, ou deprimido por estar gordo?”.

Com o mesmo estilo de sempre, Lionel Shriver, autora de Precisamos Falar Sobre o Kevin, nos leva a um universo crítico, incômodo e ácido ao abordar a obesidade como tema central em Grande Irmão. Preparem-se leitores, pois não posso escrever pouco de algo que se trata da magnífica Lionel.

O livro é narrado por Pandora, uma empresária bem sucedida que mora em Iowa nos Estados Unidos com seu marido Fletcher e dois enteados: Tanner e Cody. De um dia para outro descobre por Slack, um amigo de seu irmão mais velho Edison, que o mesmo está passando por uma situação difícil em Nova York. Apesar dos protestos de Fletcher, Pandora o chama para morar com eles quatro por um tempo até as coisas se normalizarem para o lado de Edison. O problema (problemão) que a pegou de surpresa foi quando se dirigiu ao aeroporto para recebê-lo. Notou que o irmão havia engordado radicalmente nesses quatro anos em que os dois não se encontraram. Foi um pouco constrangedor o momento, pois ela teve que ignorar a circunstância mostrando-se educada.

“O simples fato de fitá-lo parecia maldade”.

Para o espanto de Fletcher, seu cunhado passara mais tempo que desejara em sua casa. Os hábitos tão comumentes de Edison gerava vasto ceticismo criando uma barreira entre a transparência e a hipocrisia. Tais hábitos se resumia em empanturramento. Além disso, eles estavam desenvolvendo hábitos de Edison, embora sem querer. No fundo, Pandora sabia que ninguém estava sendo sincero com ninguém, pois ao invés dela ativar seu conteúdo sincero afetivo, fingia que não havia nada de errado, e seu irmão fazia o mesmo.

“Ele adora cuspir informações e não era mau contador de histórias. Mas era capaz de falar o dia inteiro sem que, no final, alguém o conhecesse melhor do que antes”.

Fletcher já havia exteriorizado várias vezes sua falta de complacência mediante a situação presente. Uma palavra dentre todas usadas no livro é a “autocomiseração”, que significa ter pena de si mesmo, e é exatamente assim que Edison se sente, assim também sua irmã em relação a ele. O momento em que isso chegou ao extremo foi quando Edison quebrou sem querer uma cadeira feita e carinhosamente apelidada por Bumerangue por Fletcher. A cena em que sucede a humilhação foi algo que Lionel transmitiu com muita destreza. É algo forte que dispensa compaixão. Fletcher se esbravejou como nunca. Desde o começo, não me simpatizei com ele, e não foi porque eu li o livro até o final e o conheci até o final que eu cedi. Não apenas pelo que fez com Edison, na verdade, todos têm vários pontos negativos que não me cativou. Tanto pelas relações marido e esposa, irmão e irmã e cunhado e cunhado, quanto ao inverso.

“Eu gostaria que ele houvesse pretendido dizer que não queria continuar a se matar de tanto comer. Mas a interpretação alternativa era mais provável: a de que o consumo exagerado e sistemático fosse proposital – um suicídio em câmera lenta, por meio de doces”.

Assim, um pouco impensável, Edison aposta com Fletcher comer um bolo inteiro caso ele não emagrecesse. Nessa altura, Fletcher já não queria mais Edison morando lá, e este já queria ir embora também. Esse assunto diz respeito a segunda parte do livro intitulada “II : MENOS”. A primeira até aqui tem por título “I : MAIS”. Diante disso, Pandora sentiu comiseração por seu irmão falido e prometeu que moraria com ele em outro lugar por um ano e o ajudaria em sua jornada rumo ao emagrecimento. Ela sabia que estava prestes a arruinar seu casamento, mesmo assim o fez. E Edison, que não se dava bem com Fletcher, se mostrou egoísta deixando a mulher abandonar sua família.

“Enquanto nos afastávamos, pensei nesta disparidade: Edison estava apostando o orgulho, Fletcher estava apostando um bolo e eu estava apostando meu casamento”.

Pode-se deduzir que os dias que se sucederam não foram nada fáceis para Fletcher, longe da esposa; Edison, tomando shakes e fazendo caminhas; e Pandora, cuidando como uma mãe de um irmão mais velho de 175 K. O que mais perturbou era que a relação entre Pandora e Edison havia criado uma intimidade de grande proporção. Eles estavam muito ligados como irmãos. Edison sentia muitos ciúmes de Pandora quando ela saía de casa. Uma vez ela saiu com Fletcher para matar a saudade, e então chamou Edison para ir junto. Vi Edison muito egoísta, e assim também Pandora. Como se os dois fossem um casal.

“Engraçado, a única coisa que me incomodou um pouco foi ele não ter corrigido a suposição errônea de Novacek de que éramos casados”.

(Imagino o sorrisinho de Edison ao perceber que Novacek os induziu como casal).

Temos por final um desfecho incrivelmente subversivo, incômodo, maçante, imponderável. Uma história contada por Pandora. Foi pra arrasar, arrombrar, lacrar.

“É uma história triste, mas não tem nenhum mistério”.

Que mistério!

Como deixa, aqui estão mais dois quotes do livro que não se encaixaram na resenha, mas senti a necessidade de postar:

“Sentir fome quando se está com excesso de peso é uma forma nitidamente burguesa de sofrimento, quando ninguém mais tem pena de nós, é difícil termos pena de nós mesmos”.

 

“O fracasso permite a libertação”.

Bom, espero que essa resenha tenha aguçado a curiosidade de vocês.

Ressalvo que este é meu ponto de vista, assim, abro um caminho para que vocês sintam-se a vontade e comentem quando e o que quiserem, pois a opinião de todos é valida!

Obrigada pela leitura!

assinatura nova luiza