Resenha: O sol é para todos, Harper Lee

o sol é para todos

Autor: Harper Lee    Editora: José Olympio      Páginas: 364  Ano: 2015

Classificação 4/5 ⭐️ 🚍

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Sinopse:

Um livro emblemático sobre racismo e injustiça: a história de um advogado que defende um homem negro acusado de estuprar uma mulher branca nos Estados Unidos dos anos 1930 e enfrenta represálias da comunidade racista. O livro é narrado pela sensível Scout, filha do advogado. Uma história atemporal sobre tolerância, perda da inocência e conceito de justiça. O sol é para todos, com seu texto “forte, melodramático, sutil, cômico” (The New Yorker) se tornou um clássico para todas as idades e gerações.

“Na casa morava um fantasma do mal. As pessoas garantiam que ele existia, mas Jem e eu nunca o vimos. Diziam que ele saía à noite, quando a lua estava alta, e espiava pelas janelas. Quando as azáleas nos jardins do condado congelavam em uma noite muito fria, era porque ele tinha soprado sobre elas. Ele era o culpado de todos os pequenos delitos furtivos em Maycomb.”

O ano é 1935, em Maycomb, no Alabama, vive Jean Louise, mais conhecida por Scout, uma garotinha de 6 anos. Aos 2 anos de idade ela perdeu a mãe, mora com seu pai Atticus, um advogado que dava atenção aos filhos, mas era distante quando se tratava de afeto, e com seu irmão de 10 anos Jem. Na ausência de Atticus, quem cuida das crianças e da casa é a cozinheira Calpúrnia.

A história é narrada por Scout e a primeira parte do livro mostra como é sua vida e seu primeiro ano na escola. Nas férias de verão Scout e Jem brincam o dia todo com Dill, um garoto da mesma idade de Jem, que nessa época vem visitar sua tia, vizinha deles, Srta. Rachel.

Também há na vizinhança uma casa muito sinistra, com um morador misterioso, Boo Radley. Scout, Jem e Dill nunca o viram na vida e isso atiça a curiosidade e a criatividade deles. Criam um plano para fazer com que ele saia, desafiam um ao outro a chegar perto da casa e encenam uma peça teatral sobre ele.

“- Scout, quando chegar o verão, você vai precisar ter calma diante de coisas piores… Sei que não é justo com você e com Jem, mas às vezes temos que encarar as coisas da melhor maneira possível e saber como nos comportar quando as coisas vão mal… bom, só posso dizer que, quando vocês crescerem, talvez se lembrem disso com alguma compaixão e percebam que não os decepcionei. O caso de Tom Robinson é algo que concerne ao âmago da consciência humana. Scout, eu não poderia ir à igreja e louvar a Deus se não tentasse ajudar esse homem.”

Quando Scout está com 8 anos, seu pai recebe uma intimação para defender Tom Robinson da acusação de estupro. Mais de setenta anos tinham se passado desde a abolição da escravatura nos EUA, mas a situação não havia mudado muito. Os negros sofriam muito como o preconceito, só conseguiam arrumar empregos com exigências de trabalho braçal, e as mulheres negras só trabalhavam em casas de família.

Foi com esse cenário que Atticus, contra o que todos da cidade acreditam, fica determinado a provar a inocência de um negro, Tom. Nesse momento, ele e seus filhos sofrem discriminação e ameaças de moradores brancos de Maycomb.

E é aí que o livro começa a ficar interessante, temos os dois lados da história. Uma garota branca moradora do lixão, Mayella Ewell, que afirma que sofreu abuso sexual. Um negro trabalhador com mulher e filhos, Tom Robinson, que se diz inocente.

“- Chorar por causa de que, sr. Raymond? – perguntou Dill, querendo se defender.

– Por causa do inferno pelo qual algumas pessoas fazem as outras passarem sem nem pensar. Por causa do inferno pelo qual os brancos fazem os negros passarem, sem nem sequer pararem pra pensar que eles também são gente.”

A cidade toda vai acompanhar o julgamento, inclusive as crianças. A destreza e inteligência de Atticus são admiráveis. Eu não conseguia largar o livro. O autor descreve todo o julgamento e eu me senti ali, na primeira fileira do público, sendo obrigada a tomar uma posição. Esse não é o final, e temos a descrição do impacto causado pelo veredicto.

No começo do livro, eu tive a impressão que fosse uma história de criança, mas a realidade retratada é coisa de gente grande. É incrível perceber como as coisas eram obsoletas naquela época. Scout quer brincar, correr e aventurar-se, quer usar calças, mas sua tia quer transformá-la numa dama, e as damas não fazem isso, uma dama não pode nem votar.

A divisão social dos moradores, onde um se sente superior ao outro. O preconceito contra os negros existe como uma coisa natural, fazendo com que quem os defenda ou os trate como iguais também seja discriminado. O que é triste é saber que, nos dias atuais, isso ainda é a realidade de muitas pessoas.

‘O sol é para todos’ é um livro de drama, que me mostrou mais uma vez que a inocência de uma criança deve ser preservada dentro de nós e vale muito a pena ler. Pra quem tiver curiosidade, tem um filme baseado no livro, que é bem antigo, de 1962. Beijocas!

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