Resenha: Quem é Você, Alasca?, John Green

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Autor: John Green   Editora: Martins Fontes Páginas:  229                Ano:  2013

 Sinopse:

Miles Halter é um adolescente fissurado por célebres últimas palavras que, cansado de sua vidinha pacata e sem graça em casa, vai estudar num colégio interno à procura daquilo que o poeta François Rabelais, quando estava à beira da morte, chamou de o “Grande Talvez”. Muita coisa o aguarda em Culver Creek, inclusive Alasca Young, uma garota inteligente, espirituosa, problemática e extremamente sensual, que o levará para o seu labirinto e o catapultará em direção ao “Grande Talvez”.

“Últimas palavras me dizem muito sobre quem as pessoas foram”
“Para mim, foi a guerra que gerou centenas de ótimas últimas palavras”
Miles Halter (Tradução livre)

Quem é você, Alasca Young? Essa fora a pergunta tão intrigante que Miles Halter fazia a si mesmo inconscientemente desde que conhecera a garota.

Miles está começando uma nova vida: vai para a escola preparatória Culver Creek no Alabama! Que adolescente não se anima com a ideia de ser independente e cuidar do próprio nariz? Essa era a ideia dele, que se deu justamente pela árdua realidade de não ser o supremo exemplo de popularidade. Mas Miles tinha um grande propósito em sua vida que era achar um grande “TALVEZ”.  Ele tinha um prazer enorme em decorar as últimas palavras de pessoas famosas, e a inspiração dele veio de François Rabelais, cujas últimas palavras foram: “Eu vou a procura de um Grande Talvez” (tradução livre), e em Culver Creek ele percebe que talvez pode achá-lo.

Ao chegar em seu dormitório, se depara com Chip Martin, o qual todos chamavam de Coronel por ironia, assim também foi dado a Miles o cognome de Gordo, por este ser franzino. Gordo foi apresentado aos amigos de Coronel: Takumi Hikohito, Alasca Young e por último, Lara Buterskaya. Quase que prontamente, o Coronel e o Gordo se tornaram amigos, fazendo com que tivesse motivos para estar com Alasca não só dentro das salas de aula dividindo a mesma matéria, mas também em bebedeiras e farra.

Alasca tem o hábito de fumar. O livro por inteiro nos traz essa atmosfera rebelde e independente de um mundo adolescente. Essa autonomia e liberdade que Alasca externava estimulavam seus hormônios. Ela também chamava atenção de rapazes por ser considerada muito bonita, embora só tinha olhos para seu namorado, Jake.

A trama segue com esses cinco amigos (Coronel, Gordo, Alasca, Takumi e Lara) aprontando muito: saindo as escondidas de “Águia” (o reitor de Culver Creek), se embebedando até cair, fumando cotidianamente, aprontando trotes, muitos “amassos”, e por assim vai.

Quem pensou que a história se tratava apenas de diversão barata estava enganado, ela trata algo muito mais profundo. Se para Miles a busca era achar o Grande Talvez (ou a Grande Incógnita, se preferir), para Alasca era descobrir a resposta para a pergunta de Gabriel García Márquez em “O General em Seu Labirinto”:

“Como eu poderei um dia sair deste labirinto de sofrimento?”

  Uma de suas respostas foi que sempre haverá sofrimento. Para a garota consternada de fantasmas do passado, essa interrogação a assombrava. Seu discernimento a fazia se achar suja, característica notória, cujos desejos sobrepunham a racionalidade. Por fim, Alasca conseguiu sair deste labirinto, mas quem elege a razão da justificativa feita é o leitor. Como acha que ela se sentiu? Por que ela optou por esse caminho para fora do labirinto? Era a melhor maneira? Seriam seus atos provenientes de seu coração? Suas atitudes correspondiam com o que sentia? O que ela, por verdade, sentia? O que ela, por verdade, era? Quem era ela? Quem é você, Alasca?

“Tenho medo de fantasmas, Gordo. E meu lar é cheio deles”
Alasca Young (Tradução livre)

  É inegável o modo rude do autor, nos explicitando palavras de baixo calão com muita frequência (preciso ressaltar que o li na versão britânica). Este episódio e também o fato de os personagens principais fumarem constantemente poderá incomodar certos leitores.

“Quem é você, Alasca?” é intrigante ao ponto de querermos chegar ao “Último Dia”. Vimos na primeira página que o livro começa com somente com a palavra “Antes”, sendo assim, o título dos capítulos são como que uma contagem regressiva até o “Último Dia”, daí outra folha somente com a palavra “Depois” nos é exposta. Qual será o grande evento que ocorrerá no último dia?

“Tão malditamente impulsiva (…) Tão estúpida (…) Seria aquilo apenas outro momento impulsivo de Alasca? (…)”
Gordo (tradução livre)

Observação: Meu exemplar do livro é a versão britânica.

Capas

Algumas das várias capas de ‘ Quem é você, Alasca? ‘. Qual sua preferida?

Bom, espero que essa resenha tenha aguçado a curiosidade de vocês.

Ressalvo que este é meu ponto de vista, assim, abro um caminho para que vocês sintam-se a vontade e comentem quando e o que quiserem, pois a opinião de todos é válida!

Obrigada pela leitura!

assinatura nova luiza

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Resenha: A Psicanálise do Fogo

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Autor: Gaston Bachelard         Editora: Martins Fontes

Páginas: 176        Ano:  1994 (1ª reimpressão: 2012)

O homem é a criação do desejo, não uma criação da necessidade.”

Hoje vou falar um pouco deste pequeno livro. Sabe aqueles livros que você lê e viaja junto com as ideias do autor? A psicanálise do fogo faz parte desse grupo. Eu sempre gostei muito de filosofia e ciências sociais, mas não sabia da existência desse filósofo que foi tão importante para o mundo contemporâneo.

Creio eu que foi algum professor do cursinho que o indicou para leitura porque eu achei o título da obra escrito em uma folha de matemática (???), mas não lembro ao certo quem foi. A única certeza que eu tenho é que não foi um professor de matemática que indicou. Enfim…vamos ao que interessa.

Gaston Bachelard foi um filósofo e poeta francês que realizou reflexões sobre as ciência, lógica, psicologia e a poesia. Bachelard tem como ponto de partida de suas idéias uma filosofia das ciências naturais, especialmente da física. Originam-se nesse campo suas contribuições à epistemologia e à poética, para cuja interpretação também se vale dos recursos metodológicos da psicanálise.

Vamos estudar um problema em que a atitude objetiva jamais pôde se realizar, em que a sedução primeira é tão definitiva que deforma inclusive os espíritos mais retos e os conduz sempre ao aprisco poético onde os devaneios substituem o pensamento, onde os poemas ocultam os teoremas. É o problema psicológico colocado por nossas convicções sobre o fogo. Problema que nos parece tão diretamente psicológico, que não hesitamos em falar de uma psicanálise do fogo.”

Primeiramente, não é um livro fácil de ser lido. Vai ter muita coisa que vai, literalmente, dar um nó na cabeça. Reconheço que eu preciso o ler novamente para realmente conseguir absorver o conteúdo e salientar algumas dúvidas.
Bachelard discorre acerca das interpretações que o fogo pode assumir. Dividido em sete capítulos, fica claro como a evidência primeira não é uma verdade fundamental. Ora, um objeto ou sensação pode assumir um significado em uma determinada cultura. No entanto, em outra pode assumir um significado totalmente oposto.

O simbolismo do fogo é a peça chave para a criação da psicanálise do mesmo. Antes da então descoberta do fogo, o homem viva semelhantemente aos animais e com uma pequena organização social. Após o domínio do objeto de análise do autor, o fogo tomou forma, tornou-se um princípio ativo, transmutador e transformado. Com isso, a epistemologia retratada pelo autor vai ganhando forma e sentido ao decorrer da obra.

Paciência e boa leitura!

assinatura Barbara