Resenha: Ruptura, Simon Lelic

ruptura

Autor: Simon Lelic     Editora: Nova Fronteira Páginas: 288                     Ano:  1976

Classificação 4/5 ⭐️ 🚍

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Sinopse:

Um professor de história entra calmamente no auditório da escola em que trabalha e, com uma velha arma, alveja três estudantes e uma professora; por fim, virando a arma contra si mesmo, comete suicídio. Designada para desvendar um crime aparentemente simples, a inspetora Lucia May dá início às investigações, e aos poucos vai percebendo que não se trata apenas de um psicopata que, num rompante, assassina pessoas inocentes. Pressionada a arquivar o caso, ela se sente cada vez mais desafiada a entender a mente do assassino e a descobrir a verdade. Assim, se depara com uma das questões mais contundentes da vida escolar contemporânea: o bullying.

“É difícil, não é? Quando não temos ninguém para culpar por algo terrível que aconteceu. Ou quando não temos ninguém vivo para culpar. Consegue entender? É sempre mais fácil lidar com a dor se você consegue transformar essa dor em raiva, se você consegue liberar essa dor, se consegue culpar alguém, ainda que essa pessoa não mereça ser culpada”.

Ruptura se apresenta como um livro necessário de ser lido por todas as entidades escolares, tanto professores quanto alunos. Se for o caso do aluno, deve ser feito um estudo com professores em cima do mesmo para que a história não seja passada a eles de forma incorreta. Trata-se de um assunto nada mais que habitual, ainda mais com tantos registros de violência nas escolas. O romance não aborda o bullying como algo fantasioso, o fato é que realmente se vê a nossa volta situações mais trágicas que as encontradas neste livro. Claro que há um fluxo de trama criado pelo escritor, até porque é uma história fictícia, porém não significa que não possa ser real, levando em consideração o grau de verdade encontrado aqui.

Os capítulos são alternados entre o dia a dia de Lucy, detetive do caso, e testemunhos de familiares, amigos, professores e alunos. Para quem não leu a sinopse, Samuel Szajkowski é o professor em uma escola em Londres que lança fogo com uma arma velha em três alunos e uma professora antes de se suicidar. Lucy busca com muito afinco investigar quem era por verdade o professor Szajkowski e porque ele cometeu um crime tão cruel. Quanto mais Lucy interroga as pessoas, mais ela descobre sobre quem era o homem que assassinou quatro pessoas a sangue frio.

Todos, logicamente, o acusaram de louco. Era uma pessoa sozinha, não tinha muitos amigos e tampouco namorada. Havia uma professora da mesma escola com a qual Samuel saira algumas vezes, mas nada que passasse o físico. Sempre muito quieto e considerado esquisito, era alvo de bullying não só dos alunos, mas também dos profissionais que trabalhavam com ele ali.

“Trabalho com ele. Preciso me dar bem com ele. Seria constrangedor para os outros se não fosse assim”.

O lugar que era para ser como uma segunda casa para a criança ou o adolescente tem se tornado lugar de violência, discórdia, abuso, má fé, menosprezo e desatenção. Professores assediando e sendo assediados por alunos, alunos praticando violência dentro das escolas, alunos que não sabem o valor do respeito, diretoria negligente, e como ela é negligente em Ruptura. O diretor se mostra absurdamente indolente, despreocupado. (Também se encaixa nas escolas do Brasil, principalmente as escolas públicas).

“Lidar com dinheiro mancha a alma de uma pessoa assim como suja as pontas de seus dedos. Administrar as contas de uma escola pode ser uma tarefa difícil”.

O chefe de Lucy, Cole, a estava pressionando que escrevesse um relatório alegando que Samuel Szajkowski era culpado, assim eles encerrariam o caso, porém a detetive não o fez. Pediu um prazo para que pudesse apurar mais os fatos. Cole não queria que isso se estendesse mais, afinal, o homem fez uma chacina na escola e se suicidou. Vítimas encontradas e assassino morto. Embora corresse o risco de perder seu emprego, embora todos considerem o professor o único culpado, ela não cessou sua busca.

Ainda que fosse arriscado para Lucy esta investigação, sua escolha a fez descobrir muito mais do que todos sabiam. Quanto mais o conhecia por testemunhos de terceiros, mais tinha compaixão por ele. A ação do professor não pode ser justificada de maneira alguma, mas por um lado ele também foi vítima, não da própria arma, mas sim da indiferença.

“Por que o ônus ficava sempre com os mais fracos quando eram os mais fortes que dispunham de liberdade para agir? Por que os mais fracos eram obrigados a ser corajosos enquanto os mais fortes tinham autorização para se comportar como covardes?”.

O final deixou um pouco a desejar, senti que terminou antes da hora. Logo quando Lucy para de escutar e realmente age, o livro termina deixando muitos fios soltos. É como se tivessem arrancado o capítulo final dele. Em várias histórias encontramos os finais subentendidos, aqui eu me senti perdida. O fato é que o grande final já aconteceu, o que nos envolve na trama são os pensamentos e opiniões de pessoas envoltas ao crime, principalmente de Lucy, que se mostra misericordiosa em relação ao professor por um motivo bem peculiar.

Bom, espero que essa resenha tenha aguçado a curiosidade de vocês.

Ressalvo que este é meu ponto de vista, assim, abro um caminho para que vocês sintam-se a vontade e comentem quando e o que quiserem, pois a opinião de todos é valida!

Obrigada pela leitura!

assinatura nova luiza

Resenha: A Filha da Herege, Kathleen Kent

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Autor: Kathleen Kent      Editora: Nova Fronteira Páginas: 332                     Ano: 2010

Classificação 5 ⭐️ 🚍

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Sinopse:

Em 1752, Sarah Carrier Chapman escreveu uma carta à sua neta revelando um segredo que havia guardado cuidadosamente por seis décadas. Era um relato assombroso sobre os horrores de uma aldeia da Nova Inglaterra chamada Salem e que obrigaram Sarah, na época com apenas dez anos, a tomar uma decisão que mudaria sua vida para sempre. Uma história assustadora de uma época onde não se podia confiar em ninguém: conspirações, traições, meias verdades e uma crença que domina as pessoas através do medo. Descendente direta de Carrier, a autora traz à vida a Nova Inglaterra puritana em seu período mais sombrio, assim como uma família unida pela confiança na verdade e pelo amor de seus membros uns pelos outros.

”  – E tudo isso está no seu livro vermelho grandão?
Ela segurou meu cotovelo com força e disse com rispidez:
   – Você nunca deve falar desse livro com ninguém, prometa-me agora mesmo que guardará segredo disso, inclusive dos seus irmãos. Prometa! “

A Filha da Herege é um romance forte e delicado ao mesmo tempo. Forte por tudo o que a família Carrier passou durante a suposta “caça as bruxas” em Salém e delicado ao ver o relacionamento de confiança entre mãe e filha.

O livro é uma carta que Sarah Carrier escreve para sua neta, contando a história de sua família. Na carta, Sarah conta que a caça as bruxas foi uma mentira criada pela igreja católica e como algumas pessoas foram guiadas pelo medo, superstição e a capacidade nata de fazer o mal e como sua infância foi marcada por perdas.

Muitas mulheres que conheciam a cura de algumas doenças/dores por ervas medicinais foram acusadas de bruxaria e a mãe de Sarah, a Sra. Martha Carrier, foi uma delas.

Martha era uma mulher de personalidade forte, que cuidava da família com o pulso firme e não se submeteu a tirania religiosa da época.

A parte mais chocante para mim foi quando a mãe de Sarah, estava no tribunal sendo julgada, pois a ex-empregada confirmou que viu Martha fazendo bruxaria (e ela é ex-empregada porque dormiu com um dos irmão de Sarah, a mãe não aceitou a situação e demitiu a moça, ela por sua vez ficou enfurecida e inventou essa história), e três mulheres fingem estar possuídas por demônios, fazem uma encenação ridícula e acusam-na de ter pacto com o satã. No fim quando ninguém mais está vendo, elas recebem dinheiro pela encenação. Qualquer desentendimento era motivo de acusar um e o outro de bruxaria, sendo criança, homem, mulher, todos estavam sujeitos a serem condenados a forca.

” No dia 20 de Julho, Mary Lacey prestou depoimento dizendo que realmente era uma bruxa, assim como sua mãe e sua avó. E que num sabá de feiticeiras feito a meia noite, o diabo prometeu que minha mãe seria a rainha do inferno. “

Eu fiquei com a impressão de que essa história realmente aconteceu, se alguém já leu e puder tirar essa dúvida, eu agradeço.

Eu gostei da narrativa e indico para todos.

Já leu o livro? Me conte o que achou.

Não leu? Comente também!

Beijo, outro, tchau!

assinatura ana