Resenha: O Grande Gatsby, F. Scott Fitzgerald

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Autor: F. Scott Fitzgerald    Páginas: 252            

Sinopse: 

O mundo febril da “geração perdida” da época posterior à Primeira Guerra Mundial. Uma trama densa, cheia de paixões, conflitos, intrigas, na “era do jazz”. A história de Jay Gatsby e sua dramática ânsia de ascensão social. A falta de sentimentos, a violência e o materialismo das metrópoles do leste norte-americano. O desespero de personagens oprimidos pela existência rotineira, buscando a fuga pelo rompimento de velhas convenções sociais e correndo de encontro a um grande vazio. Na raiz do drama, como nos outros livros de Fitzgerald, está o dinheiro. Mas o romantismo obsessivo de Gatsby com relação a Daisy se contrapõe ao materialismo do sonho americano, traduzido exclusivamente em riqueza.

Gatsby acreditava na luz verde, no futuro orgástico que, ano após ano, costuma recuar diante de nós. Ontem fomos iludidos, mas não importa – amanhã correremos mais rápido, esticando nossos braços mais além… E em uma bela manhã… E assim avançamos, botes contra a corrente, impelidos incessantemente de volta ao passado.

“The Jazz Age” (A Era do Jazz) A história por trás de O Grande Gatsby é sobre a decadência moral que assolou os EUA durante os anos 20. Embora houvessem divisões de classe em outros países, os EUA tinham o equivalente a uma classe alta na forma de patrícios ou membros de famílias ricas de longa data. Estes aristocratas do Novo Mundo assenhoreavam a si mesmos acima das outras pessoas e gastaram a maior parte de suas vidas festejando pela Era do Jazz. Além disso, 1920 tinha visto a proibição do álcool, e consequentemente, organizações criminais viram uma boa forma de ganhar dinheiro através do contrabando ou de venda ilegal de bebidas. Quando ambos os grupos juntam-se, eles formam uma ordem social de diletantismo – pessoas que assumem e cultivam pretensões de sofisticação. O enredo de O Grande Gatsby gira em torno da sucessão de eventos – homicídio involuntário, assassinato e suicídio – trágicos que parecem mais horríveis do que os excessos que vieram antes. Sem contar que a história de amor entre Jay Gatsby e Daisy Buchanan é de cair de joelhos!

Papo de Gente Grande

Cinefilia O Grande Gatsby sofreu diversas adaptações para o cinema, minhas favoritas são as de 1974 (bem detalhado) e 2013 (bem caro). Abaixo, o trailer da versão de 2013, com o Leo DiCaprio e Carey Mulligan (minha Daisy preferida):

#Dica: A música “Over The Love”, da Florence and The Machine, ao final do trailer, capta a história como ninguém. Linda! Vale a pena abrir outra janela no Youtube só pra prestar atenção na letra inteira.

Até a próxima!

assinatura Barbara

 

Resenha: A Passagem, Justin Cronin

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Autor: Justin Cronin     Editora: Arqueiro Ano: 2013                        Páginas: 816

Classificação 4 ⭐️ 🚍

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Sinopse

“Leia este livro e o mundo como você o conhece desaparecerá.” – Stephen King 

Primeiro, o imprevisível: a quebra de segurança em uma instalação secreta do governo norte-americano põe à solta um grupo de condenados à morte usados em um experimento militar. Infectados com um vírus modificado em laboratório que lhes dá incrível força, extraordinária capacidade de regeneração e hipersensibilidade à luz, tiveram os últimos vestígios de humanidade substituídos por um comportamento animalesco e uma insaciável sede de sangue. Depois, o inimaginável: ao escurecer, o caos e a carnificina se instalam, e o nascer do dia seguinte revela um país – talvez um planeta – que nunca mais será o mesmo. A cada noite a população humana se reduz e cresce o número de pessoas contaminadas pelo vírus assustador. Tudo o que resta aos poucos sobreviventes é uma longa luta em uma paisagem marcada pelo medo da escuridão, da morte e de algo ainda pior. Enquanto a humanidade se torna presa do predador criado por ela mesma, o agente Brad Wolgast, do FBI, tenta proteger Amy, uma órfã de 6 anos e a única criança usada no malfadado experimento que deu início ao apocalipse. Mas, para Amy, esse é apenas o começo de uma longa jornada – através de décadas e milhares de quilômetros – até o lugar e o tempo em que deverá pôr fim ao que jamais deveria ter começado. A passagem é um suspense implacável, uma alegoria da luta humana diante de uma catástrofe sem precedentes. Da destruição da sociedade que conhecemos aos esforços de reconstruí-la na nova ordem que se instaura, do confronto entre o bem e o mal ao questionamento interno de cada personagem, pessoas comuns são levadas a feitos extraordinários, enfrentando seus maiores medos em um mundo que recende a morte.

“Antes de se tornar a Garota de lugar nenhum – Aquela que surgiu, A Primeira, Última e Única, a que viveu mil anos – ela era apenas uma menininha de Iowa chamada Amy…” 

Em meados de 2012, estava eu em uma livraria vendo alguns livros da seção de Terror quando me deparei com uma capa brilhante, escura, bem bonita mesmo e com um título interessante, “A Passagem”. No primeiro momento que li a sinopse, pensei: “ah, é só mais uma daquelas histórias de vampiro. Não vou perder o meu tempo com isso.” Só que eu não tinha lido a primeira frase com atenção: Leia este livro e o mundo como você o conhece desaparecerá…OMG! Stephen King!
Como uma fã assídua de terror e suspense, acabei confiando nas palavras do senhor King. No entanto, só coloquei em prática o plano de comprar o livro em 2014. Fiquei sem a edição que vi na primeira vez e acabei comprando a de 2013 lançada pela editora arqueiro.

Levava aquele bloco de 816 páginas por todos os lados de São Paulo. Não queria saber, o enrendo me amarrou, segurou-me de tal maneira que o li em, aproximadamente, uma semana. Parava sempre uma hora antes de começar a me arrumar para ir ao cursinho e lia a estória da menina Amy sem parar.

A criação de Cronin gira em torno de um vírus no qual transforma seres humanos em criaturas tenebrosas, e essa foi a parte que eu adorei do livro. O autor foge completamente do estilo “Edward” que estava em alta daquela época. Estava diante de seres cruéis, extremamente fortes e ágeis, com sede de sangue. O livro ganhou muitos pontos com essa caracterização feita pelo autor. Para aqueles que já leram o Drácula de Bram Stoker, creio eu, irão gostar da caracterização vampiresca feita pelo o autor de A Passagem.

Dividido em duas partes, temos inicialmente a exposição aos leitores de um ambiente entrando em apocalipse devido a disseminação do vírus em questão. Amy, a Garota de Lugar nenhum, aparentemente, é o único ser da raça humana que é capaz de fazer o vírus funcionar corretamente. – Sabem aquele clichê “queremos criar um super-humano“? Pois é, a “doença” surge daí…
Temos, também, um agente do FBI, Wolgast, um homem cheio de falhas e super “apegável” ao leitor. Eu mesma me apeguei demais com o personagem e acabei ficando bem sentida com algumas passagens do livro. O apego de Amy, orfã, com Wolgast é extremamente emocionante. Lindo mesmo. Com a evolução do enredo, a relação entre os dois protagonistas da primeira para vai evoluindo, a ponto de Wolgast se tornar um pai para a garotinha.

“Aconteceu depressa. Trinta e dois minutos para um mundo morrer e outro começar a nascer” 

Noventa e sete anos se passaram, daí entramos na segunda parte do livro na qual apenas uma pequena parcela da população sobreviveu aos ataques constantes dos vampiros. Em uma espécie de isolamento, temos um povo sobrevivendo protegidos dentro de uma grande muralha, dividindo afazeres e a administração dessa espécie de cidade. Sem contar que a partir de agora vamos ter mais ação e é ai que você vai ficar preso ao livro. É de tirar o folego de qualquer um!

Segue o conselho da tia, leia a trilogia! No Brasil ainda foram lançados apenas o primeiro e o segundo volume, Os Doze, – olha, eu não gostei muito da continuação. Achei que deixou muito a desejar em relação ao primeiro volume. Irei o ler novamente para tirar novas conclusões para a sua resenha – e, previsto para 2015, A Cidade dos Espelhos.

assinatura BarbaraGostou? No blog da Barbara tem mais, vai lá: Fragmento Literário

Resenha: O Oceano No Fim Do Caminho, Niel Gaiman

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Autor: Niel Gaiman            Editora: Seguinte  Páginas:  368               Ano:  2012

Classificação 3 ⭐️ 🚍

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Sinopse

Foi há quarenta anos, agora ele lembra muito bem. Quando os tempos ficaram difíceis e os pais decidiram que o quarto do alto da escada, que antes era dele, passaria a receber hóspedes. Ele só tinha sete anos. Um dos inquilinos foi o minerador de opala. O homem que certa noite roubou o carro da família e, ali dentro, parado num caminho deserto, cometeu suicídio. O homem cujo ato desesperado despertou forças que jamais deveriam ter sido perturbadas. Forças que não são deste mundo. Um horror primordial, sem controle, que foi libertado e passou a tomar os sonhos e a realidade das pessoas, inclusive os do menino.

Ele sabia que os adultos não conseguiriam — e não deveriam — compreender os eventos que se desdobravam tão perto de casa. Sua família, ingenuamente envolvida e usada na batalha, estava em perigo, e somente o menino era capaz de perceber isso. A responsabilidade inescapável de defender seus entes queridos fez com que ele recorresse à única salvação possível: as três mulheres que moravam no fim do caminho. O lugar onde ele viu seu primeiro oceano.

“Eu crio arte. Às vezes, arte verdadeira. E, às vezes, isso preenche os espaços vazios na minha vida. Alguns deles. Não todos.” 

Podem me chamar de herege, pois esse foi o primeiro livro do Neil Gaiman que eu li na minha vida. Mas assim, conheço o maravilhoso trabalho do autor, em específico, Sandman. E vou ser sincera com uma coisa, esperava muito mais do livro. Muito mais mesmo. Sempre via todo mundo falando bem do enredo e, então, acabei criando uma grande expectativa para o ler.

Sabe aquela sensação de já ter lido a história antes? Então…

Não sei por que, mas o enredo trouxe a tona outro livro escrito em 1948: No Caminho de Swann,Marcel Proust. Creio eu que isso deve-se ao fato de ambas histórias retratarem de lembranças da infância de ambos protagonistas, sendo que em O Oceano no Fim do Caminho essa nostalgia é retratada de tom fantástico, típico das obras de Neil Gaiman.

O nosso protagonista, que não possui o nome, retorna a sua cidade natal para um enterro. No entanto, durante o caminho resolve procurar a sua antiga residência mas falha ao reparar o quanto as coisas mudaram nos últimos 20 a 35 anos. Ao olhar ao redores do lugar onde passou a a maior parte de sua infância, encontra uma antiga casa conhecida de seu eu, a antiga fazenda Hempstock, lugar o qual protagonizou ótimos e desesperadores momentos aos seus 7 anos de idade. Suas lembranças até então esquecidas voltam com toda força ao reencontrar uma espécie de lago, o oceano.

Aqui que entra as semelhanças com No Caminho de Swann. Não, não estou viajando no meu oceano, vulgo mente barulhenta, ao comparar os dois livros. A maneira que Gaiman e Proust tratam o tema são muito semelhantes mesmo, até mesmo na composição das personagens principais eu achei parecidas. Ambos falam de lembranças do período da infância de um garoto introspectivo que possui o seu mundinho e as suas angústias características de sua idade. Enquanto em Proust o estopim para isso ocorre durante um devaneio da madruga, em Gaiman temos o derramamento de fragmentos, até então esquecidos, diante do oceano sem fim.

A sacada de Neil Gaiman está em sua maneira de narrar a história do nosso quarentão. Pelo fato do protagonista e sua família não possuírem nome, ao contrários das outras personagens secundárias, temos uma imersão total na vida dessa personagem. O leitor se agarra aos temores da criança, entra em desespero junto com ela, quer ajuda-la. Isso é um ponto que o autor explora de forma fantástica, sendo esse o motivo de eu ter lido até o final o livro.

“Deito-me na cama e me perco em histórias. Gosto disso. Os livros são mais seguros do que as outras pessoas mesmo.”

Ok, então por que não me agradei com a obra? Simples, não sou fã de fantasia. Já tive a minha fase de gostar desse tipo de enredo, mas passou. Porém tenho certeza que ela vai voltar, porque tem horas que eu estou amando uma determinada coisa e depois estou odiando. Minha vida se resumi nisso, mas enfim…

É apaixonado por fantasia e suspense? Vai fundo, meu amigo e minha amiga, no O Oceano no Fim do Caminho. Não curte muito essas coisas? Leia também, a histórinha é muito interessante e o autor fantástico, vale a pena tentar. Tenho certeza que você não vai largar o livro por tão cedo quando iniciar essa viagem no mundo mágico de Gaiman.

E, então, concordam com o meu paralelo com No Caminho de Swann? Acham que eu viajei?  Não leram um dos livros? Ou nenhum? Está esperando o que? Corre que está perdendo.

3 beijos,

assinatura Barbara

Resenha: A Psicanálise do Fogo

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Autor: Gaston Bachelard         Editora: Martins Fontes

Páginas: 176        Ano:  1994 (1ª reimpressão: 2012)

O homem é a criação do desejo, não uma criação da necessidade.”

Hoje vou falar um pouco deste pequeno livro. Sabe aqueles livros que você lê e viaja junto com as ideias do autor? A psicanálise do fogo faz parte desse grupo. Eu sempre gostei muito de filosofia e ciências sociais, mas não sabia da existência desse filósofo que foi tão importante para o mundo contemporâneo.

Creio eu que foi algum professor do cursinho que o indicou para leitura porque eu achei o título da obra escrito em uma folha de matemática (???), mas não lembro ao certo quem foi. A única certeza que eu tenho é que não foi um professor de matemática que indicou. Enfim…vamos ao que interessa.

Gaston Bachelard foi um filósofo e poeta francês que realizou reflexões sobre as ciência, lógica, psicologia e a poesia. Bachelard tem como ponto de partida de suas idéias uma filosofia das ciências naturais, especialmente da física. Originam-se nesse campo suas contribuições à epistemologia e à poética, para cuja interpretação também se vale dos recursos metodológicos da psicanálise.

Vamos estudar um problema em que a atitude objetiva jamais pôde se realizar, em que a sedução primeira é tão definitiva que deforma inclusive os espíritos mais retos e os conduz sempre ao aprisco poético onde os devaneios substituem o pensamento, onde os poemas ocultam os teoremas. É o problema psicológico colocado por nossas convicções sobre o fogo. Problema que nos parece tão diretamente psicológico, que não hesitamos em falar de uma psicanálise do fogo.”

Primeiramente, não é um livro fácil de ser lido. Vai ter muita coisa que vai, literalmente, dar um nó na cabeça. Reconheço que eu preciso o ler novamente para realmente conseguir absorver o conteúdo e salientar algumas dúvidas.
Bachelard discorre acerca das interpretações que o fogo pode assumir. Dividido em sete capítulos, fica claro como a evidência primeira não é uma verdade fundamental. Ora, um objeto ou sensação pode assumir um significado em uma determinada cultura. No entanto, em outra pode assumir um significado totalmente oposto.

O simbolismo do fogo é a peça chave para a criação da psicanálise do mesmo. Antes da então descoberta do fogo, o homem viva semelhantemente aos animais e com uma pequena organização social. Após o domínio do objeto de análise do autor, o fogo tomou forma, tornou-se um princípio ativo, transmutador e transformado. Com isso, a epistemologia retratada pelo autor vai ganhando forma e sentido ao decorrer da obra.

Paciência e boa leitura!

assinatura Barbara

Resenha: Ecce Homo, Friedrich Nietzsche

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Autor: Friedrich Nietzsche         Editora: Saraiva de Bolso Páginas: 114        Ano:  2011

Classificação 5 ⭐️ 🚍

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Sinopse:

Alusão à frase de Pilatos ao exibir o Cristo martirizado – é um escrito autobiográfico de 1888 em que Nietzsche, no período final de lucidez intermitente, examina as suas obras e, através delas, apresenta um novo ideal humano. Não só isso, mas, ao escolher títulos de capítulos como “Por que sou tão sábio”, “Por que sou tão sagaz”, “Por que escrevo bons livros”, apresenta a si mesmo como protótipo de um novo homem.

“Quem cala falha sempre em finura e gentileza de ânimo; o calar é um pretexto; guardar consigo a injúria é formar necessariamente um péssimo caráter, […] Todos aqueles que silenciam sofrem […]”

Hey! Estou voltando com uma resenha de pegada filosófica, e o livro escolhido foi o Ecce Homo do tio Nietzsche.

Você queria um livro pequeno e difícil para ler? Pois, então, você acabou de encontra-lo!

Bom, o que falar desse alemão que eu mal conheço e considero pacas? Deixei para a editora Nova Fronteira a cargo disso…

Nietzche (1844 – 1900) nasceu no seio de uma família protestante, mas na adolescência entra em contato com os escritos de Schiller, Hölderlin e Byron, leituras que o afastaram do cristianismo, além dos clássicos Platão e Ésquilo, também decisivos na sua formação filosófica e no distanciamento da teologia. Aos 24 anos, torna-se professor de filologia naUniversidade da Basileia. Com a saúde debilitada, abandona a universidade quase dez anos depois e passa a se dedicar a escrever obras com Assim falava Zaratustra (1883), Ecce Homo(1888) e O anticristo (1888). Em 1890, Nietzsche tem um surto de loucura de origem incerta, que o acompanhou até a sua morte, em 25 de agosto de 1900, na cidade alemã de Weimar.

Ok, agora é a minha vez de falar um pouco sobre Nietzsche e a minha experiência de leitura de suas obras.
Um dos meus primeiros contatos com o filósofo foi quando eu estava no ensino médio nas aulas de filosofia e com alguns livros que meu pai tinha. Portanto, gostaria de deixar bem claro algumas visões que eu tenho de seus pensamentos e eu acho que vai ser útil para o entendimento para quem, futuramente, for ler as obras do Nietzsche.

Primeiramente, gostaria de desmistificar a frase mais conhecida e polêmica do moço: “Deus está morto.”

Para muitos, um choque ao ler essa frase, não? Para outros, uma verdade. Outros, então, indiferença. Para mim, uma interpretação na qual considero plausível e sólida para o seu significado. Há uns 3 anos li Assim falava Zaratustra. Grande e enigmática obra. Incrível, ao meu ver. Uma das minhas favoritas do autor. E sim, lá encontramos pensamentos que nos fazem refletir sobre temas de cunho religioso e, na minha opinião, é de suma importância para o desenvolvimento do ser humano. Enfim, eu gostaria muito, mas muito mesmo que esse preconceito e ideais acerca de suas obras fossem quebrados. Diante disso, o que eu tenho como justificativa para Deus está morto? Simplificadamente, pois pretendo resenhar o Zaratustra futuramente e quero deixar esse debate no post dedicado a isto, Deus não está morto. Quem matou Deus foi o homem. Reflexão do dia: paremos para pensar o que é Deus e o que pregam sobre. Ok, bem resumidamente temos que Deus é um ser, força, energia, etc., onipotente, onisciente e onipresente. Portanto, ele sabe tudo sobre nós, mortais. Certo. O que pregam sobre Deus? Justiça, amor, respeito e todo aquele blá blá blá básico. Pois, então, observe o nosso redor. Veja o que acontece no seu dia-a-dia e compare com os ensinamentos divinos. Creio eu que você, um ser humano que tenha empatia e um mínimo de bom senso, tenha encontrado problemas com o que Deus ensinou e o que nós praticamos aqui na terra. Não quero entrar no assunto religião, – mesmo ter, indiretamente, entrado – só queria deixar essa questão em aberto e mostrar que a sua doutrina religiosa não vai interferir em nada durante a leitura de Nietzsche e Sartre, por exemplo, desde que você leia com a cabeça aberta para novas informações e não tenha preguiça de pensar o por que do autor acreditar sobre uma coisa x, escrever uma coisa z e etc.

Acho que é isso…vamos falar da sinopse do livro em questão antes que eu comece a escrever coisas aleatórias aqui.

Já deu para perceber pelos títulos que o egocentrismo chegou para ficar na obra. Errado. – ou não…pelo menos eu acho um pouco vulgar essa interpretação.

Como temos em mãos uma autobiografia, os capítulos discorrem acerca da vida e obra, como era a sua família, seu cotidiano e como se considerava um sábio. O prefácio deixa bem claro o eixo temático do livro.

Sem ser, por exemplo, uma espécie de monstrengo, uma sentina de imoralidade, sou o contrário (por temperamento) dessa classe de indivíduos que até agora continua sendo venerada como modelo de virtude. Orgulho-me de seguir as doutrinas do filósofo Dionísios e preferiria mil vezes mais ser considerado como um sátiro do que como um santo. Por isso, quero que todo mundo o leia este livro;

Sobre a linguagem. Difícil, sim. Não se esqueçam que Nietzsche era filólogo. Portanto, vamos encontrar joguinhos de palavras, metáforas e coisas do gênero. Sobre a tradução. Bom, não tenho muito o que reclamar sobre a que eu possuo, pois não tive a oportunidade de ler Ecce Homo em outras traduções ou original. Não tenha medo de o ler. Vai ser trabalhoso, mas vale muito a pena.

Até a próxima!

assinatura Barbara

Resenha: Nu, de botas, Antonio Prata

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Autor: Antonio Prata         Editora: Companhia das Letras      Páginas: 140           Ano:  2013

Classificação 5 ⭐️ 🚍

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Sinopse

Em Nu, de botas, Antonio Prata revisita as passagens mais marcantes de sua infância. As memórias são iluminações sobre os primeiros anos de vida do autor, narradas com a precisão e o humor a que seus milhares de leitores já se habituaram na Folha de S.Paulo, jornal em que Prata escreve semanalmente desde 2010.

As primeiras lembranças no quintal de casa, os amigos da vila, as férias na praia, o divórcio dos pais, o cometa Halley, Bozo e os desenhos animados da tevê, a primeira paixão, o sexo descoberto nas revistas pornográficas – toda a educação sentimental de um paulistano de classe média nascido nos anos 1970 aparece em Nu, de botas. O que chama a atenção, contudo, é a peculiaridade do olhar. Os textos não são memórias do adulto que olha para trás e revê sua trajetória com nostalgia ou distanciamento. Ao contrário, o autor retrocede ao ponto de vista da criança, que se espanta com o mundo e a ele confere um sentido muito particular – cômico, misterioso, lírico, encantado.

” Minha mãe não gostava que nos referíssemos a Vanda como ‘empregada’, preferia ‘a moça que trabalha lá em casa’. Eu estranhava: por que dizer ‘a moça que trabalha lá em casa’, se a todas as moças que trabalhavam nas casas dos outros, os vizinhos chamavam ‘empregadas’?”

Acho que eu nunca dei tanta risada dentro do ônibus por causa de um livro. Sabe aquele momento em que você está lendo e, de repente, você começa a rir loucamente? Daí as pessoas que estão ao seu redor acham que você tem problemas e ligam para o hospital psiquiátrico pelo simples fato de te acharem um ser extraterrestre por estar rindo de um livro? Então, essa foi a sensação que eu tive ao ler Nu, de botas.
Muitas de vocês devem se recordar do nome Antonio Prata. Digo muitas porque ele foi cronista da revista Capricho durante alguns anos. E sim, ele é filho do grande escritor e dramaturgo Mario Prata.

Gente, que capa sensacional! Sério, eu compre este livro por causa da capa! Sempre gostei muito das crônicas do Prata no site da Folha, mas o que me ganhou mesmo foi a capa. – sem contar a textura e o cheiro do papel. Eu tenho dessas coisas, podem me julgar…

Recordo-me de alguns momentos da minha infância. Banho de chuva e, em seguida, ficar correndo que nem uma louca desvairada na lama, passar a tarde com os coleguinhas fazendo arte, – tipo ficar jogando “pertences” na rua e subir no escorregador para gritar clemência sob o objeto – passar a tarde no parque brincando naqueles brinquedos de madeira, enfim, coisas de infância que foram se perdendo com o passar do anos.

Antonio Prata retrata de maneira muito divertida as suas peripécias praticadas quando era apenas um menino que gostava de usar apenas moletom, camiseta e botas. As suas recordações são escritas de uma forma tão gostosa de se ler que você se sente inserido no contexto, às vezes parece que está sendo retratada as suas memórias nestas folhas de papel pólen bold. Quem viveu a infância nos anos 80 irá, com toda a certeza do mundo, se deliciar com as histórias deste homem! Se você acha que aprontou muita, ainda não viu nada…

Simples, bonito, divertido e genial! Foi essa a minha conclusão no fim da leitura. Deu até dó de ter terminado o livro tão rapidamente! Você se apega com o autor e suas histórias. Ri com ele, sente as mesmas dúvidas que ele sentira e tudo mais! Um misto de emoções e risos é marca deste livro!

Gostaram? Me conta o que achou!

E se sentirem saudades me façam uma visita no Fragmento Literário!

assinatura Barbara

Resenha: Os Sofrimentos do Jovem Werther, Johann Wolfgang Goethe

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Autor: Johann Wolfgang Goethe                        Editora: L&PM          Páginas: 191          Ano:  2001

Classificação 4 ⭐️ 🚍

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Sinopse:

A literatura alemã divide-se em antes e depois de Os Sofrimentos do Jovem Werther. Ao escrever Werther, em 1774, Johann Wolfgang Goethe alcançava sua primeira obra de sucesso e, de quebra, dava início à prosa moderna na Alemanha. Esta que é uma das mais célebres obras de Goethe é o romance de uma alma, uma história interior. Dilacerante, arrebatada é a história de uma paixão literalmente devastadora. Com enorme repercussão quando do seu lançamento, Werther foi um testemunho de como a literatura tinha poder de agir na sociedade. Não foram poucos os suicídios atribuídos ao romance.

Oi, gente! Hoje trago para vocês o livro que gerou a maior onda de suicídios em massa da história da literatura, Werther de Goethe.

Preparem os lencinhos…

” Recordei as agitações, as lágrimas, o acabrunhamento de espírito, as aperturas de coração que suportei naquele buraco … Não dou um passo sem encontrar qualquer coisa que me chame a atenção. A um peregrino, na Terra Santa, não se lhe deparam tantos lugares sagrados pelas piedosas lembranças, e sua alma não se enche de tantas e tão santas emoções ”

Classificado como um romance epistolar, Os Sofrimentos do Jovem Werther foi o marco inicial do romantismo e uma das primeiras obras do autor alemão Johann Wolfgang von Goethe. Foi o primeiro livro do autor que eu li e me achei incrível a escrita do Goethe. A edição que eu tenho é comentada, assim foi possível uma imersão no mundo da personagem e seus sentimentos. Gente, pensa numa sofrência. Agora, eleve isso ao máximo. Tipo assim, a coisa mais pesada e triste da sua vida. Agora, piora mais um pouco…talvez ainda não chegue no nível do enredo.

Lembro-me da primeira vez que o li, deve ter em torno de três ou quatro anos. Não fiquei muito sentida, acho que não devo ter lido com a atenção necessária ou com o meu modo sentimentalista ligado.- eu não gosto muito de romances românticos e essas coisas melosas e melancólicas.– Então eu fiquei me perguntando o que tinha de tão triste para levar os leitores da época a suicídios em massa. Para quem não sabe ou não se recorda, Werther foi responsável por “assassinar” leitores alemães devido ao tom realístico da obra.

Recentemente realizei a minha segunda leitura da obra e, meu Deus, quase choro durante a leitura. As sutilezas, o tema do enredo, a escolha de palavras, tudo colabora para a criação de um clima melancólico que o jovem Werther vive. A que ponto chega um coração apaixonado! Acho que todos já passaram por isso em algum momento, caso ainda não tenha ocorrido, acalme-se, você vai se apaixonar e sofrer por isso. meu querido e minha querida, caso você tenha amado e não tenha se f* por isso, pode ter certeza que você amou errado…

Além disso, para estragar ainda mais o babado, a criatura se apaixona por uma moça que está para casar! Oh sofrência…como se não bastasse estar com os sentimentos a flor da pele, tem que gostar de alguém comprometido. É pra acabar…

Lembra quando você estava na sétima ou oitava série e gostou daquele menininho ou menininha, só que ele ou ela tinha um namoradinho ou namoradinha e esse ou essa virou um grande amigo seu? Pois é, é quase isso que ocorre nesta obra. Albert, o então noivo de Lotte, tornou-se uma figura de admiração, respeito e amigo de Werther. Pode piorar? Como se não bastasse a grande amizade entre os dois, temos o convívio diário entre os três, portanto, a paixão incontrolável de Werther só foi aumentando. E tudo isso era comentados por cartas com seu amigo Whilhelm. creio eu que era amigo, não estou me recordando se era membro da família dele ou algo nesse sentido…

Mas…sim! Teve um beijo. Sim, sim, houve um beijo entre Werther e Lotte. No entanto, a jovem sabia da impossibilidade de um romance entre os dois e que Werther a amava de corpo e alma. Logo, após o ocorrido, Lotte pede ao moço para nunca mais a encontrar. E Werther fez isso.

Terminarei por aqui, se não vou encher a resenha de spoilers. – mais do que já tem, eu acho. Sorry.

Então, prepare os lencinhos e o chocolate para iniciar a leitura do romance! Bom choro 🙂

Sobre o autor:

Johann Wolfgang Goethe nasceu em Frankfurt, em 1749, e morreu em Weimar, em 1832. Poeta, romancista, dramaturgo, crítico, estadista, tornou-se um dos maiores vultos do pensamento alemão, tendo influenciado várias gerações. Em 1775, a convite do Duque Carlos Augusto, foi administrador de Weimar, onde destacou-se brilhantemente como financista e estadista. Deixou vasta obra, onde destacam-se, entre outras, Werther, Ifigênia, Elegias romanas (poesia), Fausto, Teoria das cores, Wiagem à Itália, Poesia e verdade.

 

assinatura Barbara

Resenha: A Sonata a Kreutzer, Lev Tolstói

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 Autor:  Lev Tolstói           Editora: 34                    Páginas: 113                      Ano:  2007

Classificação 5 ⭐️ 🚍

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Sinopse:

O tema da infidelidade no casamento já havia ocupado Tolstói na década de 1870, quando redigiu ‘Ana Karênina’, uma de suas obras-primas. Em ‘A Sonata a Kreutzer’, que veio à luz mais de dez anos depois, o tema retorna com uma intensidade fora do comum, potencializada pelos anos de crise religiosa do escritor. Aqui, para além da questão da fidelidade no matrimônio, Tolstói investiga de forma aguda o desequilíbrio nas relações entre homens e mulheres, e a hipocrisia de que se reveste o comportamento sexual da sociedade.

“…supõe-se em teoria que o amor é algo ideal, elevado, mas na prática o amor é ignóbil, porco, sendo repugnante e vergonhoso falar e lembrar-se dele. […] as pessoas fingem que o repugnante e vergonhoso é belo e sublime.”

Muitos não deve saber, mas o nome do livro é uma referência uma sonata para violino e piano do Beethoven – ela leva o mesmo nome. A Kreutzer não possui muitas informações, mas sabemos que Ludwig a compôs para um de seus acompanhantes,  George Bridgetower, um ilustre e prodígio na área. No entanto, durante uma conversa de bar, Tio Beeth fica constrangido com uma situação providente de George. Furioso, Beethoven altera o nome da obra que até então era chamada Sonata per mulaticco lunattico para Sonata a Kreutze, sendo esta uma homenagem a o maior violinista da Europa na época, Rodolphe Kreutzer.

Um belo dia, Tolstói teve um insight durante uma apresentação particular da Kreutzer em sua residência. As notas e suas ideias entraram em sincronia dando origem ao livro resenhado neste momento. O autor russo passava por diversos problemas relacionados a infidelidade e esse é o eixo principal da obra.

Conciso em uma viagem de trem, o monólogo segue com os desequilíbrios na relação entre homens e mulheres, entre casais sendo mais específica, visando, então, a hipocrisia social. Pózdnichev seria a versão do autor no livro, ou seja, Pózdnichev seria o próprio Tolstói. Com isso, temos a confissão de uma vida boêmia regrada  a ciúmes e adultério durante a sua juventude. Além disso, temos um debate da inconstância emocional entre o homem e a mulher, a relação da mulher como objeto sexual e o divórcio.

Tolstói, homem altamente sensível a música trouxe um intertexto com Beethoven ao construir uma obra com personagens profundos, complexos e bem construídos. Para você que nunca leu absolutamente nada do autor, este livro é uma boa pedida. A linguagem não é complexa e as traduções disponíveis são de boa qualidade, especialmente a da editora 34 que vem traduzido diretamente do russo.

Boa leitura!

assinatura Barbara

Resenha: A Revolução dos Bichos, George Orwell

a revolução dos bichos

Autor: George Orwell                   Páginas: 152         Editora: Companhia das Letras          Ano:  2007

Classificação 5 ⭐️ 🚍

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Sinopse:

Verdadeiro clássico moderno, concebido por um dos mais influentes escritores do século 20, “A Revolução dos Bichos” é uma fábula sobre o poder. Narra a insurreição dos animais de uma granja contra seus donos. Progressivamente, porém, a revolução degenera numa tirania ainda mais opressiva que a dos humanos
Escrita em plena Segunda Guerra Mundial e publicada em 1945 depois de ter sido rejeitada por várias editoras, essa pequena narrativa causou desconforto ao satirizar ferozmente a ditadura stalinista numa época em que os soviéticos ainda eram aliados do Ocidente na luta contra o eixo nazifascista.  De fato, são claras as referências: o despótico Napoleão seria Stálin, o banido Bola-de-Neve seria Trotsky, e os eventos políticos – expurgos, instituição de um estado policial, deturpação tendenciosa da História – mimetizam os que estavam em curso na União Soviética.
Com o acirramento da Guerra Fria, as mesmas razões que causaram constrangimento na época de sua publicação levaram A revolução dos bichos a ser amplamente usada pelo Ocidente nas décadas seguintes como arma ideológica contra o comunismo. O próprio Orwell, adepto do socialismo e inimigo de qualquer forma de manipulação política, sentiu-se incomodado com a utilização de sua fábula como panfleto.

“Quatro pernas bom, duas pernas ruim “

George Orwell, pseudônimo de Eric Arthur Blair, nasceu em 1903 na Índia. Intenso opositor do totalitarismo, Orwell discorre em suas principais obras, 1984 e A Revolução dos Bichos, as atrocidades presentes dos regimes políticos vigentes de sua época.

A novela satírica tem como cenário a “Granja do Solar”, sendo seu dono um senhor chamado Jones. Cansados da exploração sofrida no campo, os animais dessa fazendo resolvem tomar uma atitude contra seu dono: iniciar uma revolução contra a opressão humana.

Ao narrar a insurreição dos bichos, Orwell utiliza o período stalinista como referência para a construção do clássico moderno. A ditadura repressiva que assolava a época toma forma com claras referências a figuras históricas para a composição das personagens. A exemplo disso, temos o despótico Napoleão – sinceramente, fiquei com um ódio mortal dele. Acho que nunca na minha vida eu fiquei com vontade de bater numa personagem como agora – sendo uma alusão a Stalín e Bola-de-Neve, Trotsky, o “inimigo pragmático” da revolução.

O início da revolução é marcado por diversas utopias para a criação de uma “sociedade interna” livre de crueldade, livres da mão do homem. No entanto, o projeto inicial saí dos trilhos e toma outro rumo.

Marcado por um início promissor, os porcos – seres considerados no enredo “superiores” intelectualmente – começam a se tornar aquilo que o grupo repudiava, a forma “animalesca” do ser humano.

“Quatro pernas bom, duas pernas melhor “

Fica claro no decorrer da obra a facilidade de obter êxito na manipulação das personagens. Além disso, a associação que o enredo permite com a nossa realidade é preocupante. É um choque de realidade, em minha opinião. A sagacidade, crueldade e submissão representada em cada classe animal nos remete a refletir acerca da relação humana.

O que vocês acham? Contem pra mim!

E não esqueçam de me fazer uma visita! Fragmento Literário

assinatura Barbara