Resenha: Nem tudo será esquecido, Wendy Walker

nem-tudo-sera-esquecido

     Autor: Wendy Walker – Editora: Planeta                 Ano: 2016 – Páginas: 288

Classificação 3.5/5 ⭐️ 🚍

Compre aqui l Submarino l Americanas

Sinopse:

Um dos suspenses psicológicos mais elogiados nos Estados Unidos Tudo parece perfeito na pequena Fairview, em Connecticut, até a noite em que a adolescente Jenny Kramer é violentada durante uma festa. Nas horas posteriores, ela é medicada com uma droga controversa para que as memórias da violência sejam apagadas. Mas, nas semanas que se seguem, enquanto se cura das dores físicas, Jenny percebe que guardou nuances daquela noite. O pai, obcecado por sua incapacidade de descobrir quem abusou de sua filha, busca  justiça, enquanto a mãe tenta fazer de conta de que o crime não abalou seu mundo cuidadosamente construído. Segredos da família e do círculo próximo começam a vir à tona durante a busca incessante pelo monstro que invadiu a comunidade – ou que talvez sempre tenha estado lá –, guiando este thriller psicológico para um fim chocante e inesperado.

“A música tocava muito alto, e ela a teria ouvido da cena do ataque. A playlist estava cheia de mega hits pop, aqueles que ela disse que conhecia bem, com letras do tipo que grudam na cabeça. Mesmo com a música e as risadas que escapavam pelas janelas abertas, ela teria ouvido os outros sons mais próximos, os suspiros sórdidos de seu agressor, suas próprias súplicas guturais”

Jenny é uma garota de 16 anos, tem cabelo loiro comprido, olhos azuis, é esbelta e atlética, ela tem sardas e uma pequena covinha do lado direito da boca. Mora com os pais, Tom e Charlotte, e com o irmão mais novo, Lucas. Em uma noite, que prometia ser melhor que qualquer outro momento de sua vida, ela vai à uma festa.

Havia sido convidada por Doug, mas quando chega lá, encontra ele com outra garota. Desiludiada, Jenny começa a beber sem controle. Depois de passar mal, fica com vergonha de sua atitude e chorando corre para fora da festa, direto para o meio da mata.

Então, o pior acontece: Jenny é estuprada. Após uma hora de violência, tinha sido encontrada por um casal de namorados largada com o corpo esgotado no chão sujo, ela foi salva. Seus pais decidem que o melhor a fazer é autorizar um tratamento para induzir a amnésia anterógrada limitada de acontecimentos traumáticos.

“Não havia emoções ligadas à voz dele nem emoções positivas de ser salva. Eu tinha o poder de dar essa explicação e, ainda assim, não podia, porque eu precisava que ela ficasse com essa teoria, com a falsa memória, mesmo que eu fingisse convencê-la do contrário. Fechei a boca e engoli as palavras. A verdade.”

Quando acorda, Jenny não lembra-se de nada, fica apenas um vazio, além das cicatrizes físicas, incluindo um entalhe nas costas, um machucado feito com um graveto pelo agressor. O detetive Parsons assume o caso sem muito sucesso, o estuprador usou camisinha, havia se depilado e usado luvas, não havia nenhum rastro para seguir.

Num ato de desespero, Jenny resolve por fim à vida e corta os pulsos. Ela é socorrida por sua mãe e seu amante. Após esse incidente, Charlotte, Jenny e Tom começam a fazer tratamento individualmente com o psiquiatra Alan. Nas sessões, Jenny tenta relembrar o que aconteceu naquela noite. Segredos são revelados, como o caso de Charlotte com Bob, dono da concessionária e chefe de seu marido Tom.

Em meio ao tratamento da família, o psiquiatra Alan também cuida do paciente Sean, um ex-fuzileiro naval, que também havia sido submetido ao tratamento para induzir a amnésia, após ter perdido um companheiro de trabalho e o próprio braço durante um ataque com bomba. Jenny e Sean começam a frequentar um grupo de terapia de vítimas de trauma, e ficam mais próximos.

“Um paciente senta diante de você. Ele perdeu o braço em combate. Ele perdeu a memória do combate. Ou, mais precisamente, ela foi tirada dele. Agora ele perdeu a si mesmo para sua própria mente. Esse homem não é merecedor de seu tempo?”

Surgem duas pistas, um Honda Civic azul foi visto parado perto da mata na hora do atentado, e um rapaz usando um casaco azul estampado com um pássaro vermelho foi visto entrando na mata. Ao mesmo tempo, Jenny começa a ficar cada vez mais próxima do que realmente aconteceu, surgem como suspeitos o chefe de seu pai Bob e o filho do psiquiatra Jason. Ela segue na ânsia por justiça, tentando achar em sua memória o motivo da sua dor.

Nem tudo será esquecido é uma narrativa do psiquiatra Alan do que se passa em seu consultório, na vida dos personagens e em sua vida desde o atentado, o que nos dá a sensação de como é o tratamento de pessoas que passam por traumas.

Toca de forma delicada no assunto estupro, e em como não só a vítima, mas toda sua família sofrem com o ocorrido. Mostra também que apagar da memória o trauma não é a melhor coisa a se fazer, que o melhor é enfrentar os monstros em nossa cabeça e superar os problemas, mesmo sendo difícil vencer um trauma.

“Só quero que isso acabe.

Ela repetiu isso entre fungadas e lágrimas.”

Noventa por cento do livro acontece dentro do consultório de Alan, e através do tratamento, cada personagem vai enfrentando seus monstros e descobrindo seu verdadeiro eu. A história segue com o objetivo de encontrar o estuprador, e eu tive meus palpites, mas no final é alguém que nem imaginamos, e o leitor descobre que o psiquiatra e a paciente Jenny tem monstros iguais.

Plus: O livro será adaptado para o cinema e a diretora será a talentosa Reese Witherspoon em parceria com a Warner Brothers. Vale lembrar que Reese foi uma das responsáveis pelo sucesso da adaptação de “Garota Exemplar”.

É um livro interessante, eu indico a leitura! Beijocas!

assinatura nova tábata

Anúncios

Resenha: Amigo Secreto, Sylvia Day 🔞

amigo-secreto-sylvia-day

                   Autor: Silvia Day – Editora: Paralela           Ano: 2013 – Páginas: 120

Classificação 2.5/5 ⭐️ 🚍

Compre aqui l Submarino Americanas

Sinopse:

Em Amigo secreto, a autora narra duas histórias contemporâneas, bem apimentadas e muito românticas que certamente farão as leitoras perderem o fôlego. A primeira, que dá título ao livro, conta a história de Nick e Steph, colegas de trabalho que secretamente sentem uma enorme atração um pelo outro. Isso até o momento que Nick tira Steph no amigo secreto e escolhe um presente claro e direto: uma foto sensual e provocadora que promete esquentar as coisas entre eles. Já a segunda narra o relacionamento difícil e obsessivo de um casal que se vê envolvido na investigação e no roubo de joias de Gideon Cross.

 

Não sei porque tive vontade de ler uma história, como posso dizer, “picante”, mas esse livro surgiu em minhas mãos e eu pensei ‘porque não?’. Já aviso que o livro e a resenha são para maiores de 18 anos. Então vamos à história…

Ela começa na festa de final de ano de uma empresa, durante o amigo secreto, Nicholas dá um presente um tanto inusitado para sua amiga secreta Stephanie: uma foto completamente sem roupa, com apenas um laço cobrindo aquilo que vocês bem sabem, e também um jantar para dois em um restaurante, como se fosse um convite.

Antes da festa, aconteceu de Nick, em um dia em que estava fazendo hora extra, encontrar perto do lixo  um papel amassado com uma anotação com a letra de Steph, era sua lista de desejos para presente de Natal.

“Minha lista de desejos (safadinhos)

Nicholas James sem roupa, embrulhado apenas em um laço.

Nick me beijando até eu perder os sentidos.

Nick cozinhando pelado pra mim (para eu poder ficar olhando a bunda dele)…”

Depois do tal presente, eles ficam mais próximos e a primeira cena “caliente” acontece no escritório. Nick convida Steph para jantar em sua casa e promete realizar todos os desejos de sua lista. Ela só quer uma noite de diversão, já ele quer compromisso. Para Steph é difícil acreditar que o homem mais conquistador e garanhão que ela conheça esteja realmente apaixonado por ela e que queira algo sério. Steph tenta não se envolver, por um motivo de sua vida pessoal que impede que ela invista em relacionamentos.

A história é curta, quase como se fosse um conto, que gira em torno dos dois e se eles vão ficar juntos ou não.

Depois desse, o livro tem outro conto, que eu particularmente gostei mais. Anastasia é uma investigadora particular, que descobre o paradeiro de artigos de luxo roubados. Ela está de volta à sua cidade natal para investigar o sumiço de pedras preciosas, a Coroa de Rosas.

” – Só porque você tem um filho não significa que a sua vida acabou.”
  – Mas significa que as minhas vontades não vêm em primeiro lugar. Eu não posso…” Ela fechou os olhos.

Após 12 anos sem aparecer na cidade, ela reencontra um antigo namorado, o delegado Jake, um homem alto e esguio, com olhos azuis e lábios firmes. Ele a convida para ficar em sua casa enquanto estiver na cidade. Na primeira noite, após o jantar, já acontece a primeira cena de amor.

Em sua investigação, Ana descobre que o irmão dela e o de Jake estão envolvidos no roubo das pedras preciosas. E o pior, a mãe dela, Tilly, é sequestrada por Rick, bandido envolvido no roubo.

Após saber a localização de Tilly, Ana e Jake vão juntos para tentar resgatá-la. Nisso eles ficam mais próximos e Ana se pergunta como irá se relacionar com um delegado, sendo que sua família é envolvida com o crime.

O livro é pequeno, com apenas 118 páginas, mas eu só indico a leitura caso queira ter em sua imaginação as cenas “picantes”, fora isso é uma história com enredo escasso. Então, se estiver procurando por pura diversão, leia, caso esteja procurando uma boa história, não abra esse livro.

Beijocas!

assinatura nova tábata

Resenha: Órfão X, Gregg Hurwitz

orfao-x

         Autor: Gregg Hurwitz – Editora: Planeta     Ano: 2016 – Páginas: 336

Classificação 3/5 ⭐️ 🚍

Compre aqui l Submarino Americanas

Sinopse:

Quando garoto, Evan Smoak foi recrutado no orfanato onde vivia para fazer parte de um programa americano ultrassecreto. Rebatizado de Órfão X, ele foi treinado para ser um exímio assassino e enviado aos piores lugares do mundo para missões que ninguém mais conseguia executar. Depois de longos anos de atividade, Evan deixa o programa e usa as habilidades de agente secreto para “desaparecer” e viver para um único propósito, agora sob o codinome de “Homem de lugar nenhum”: salvar e proteger pessoas pobres e  indefesas como ele havia sido. No entanto, seu passado de matador sangrento passará a assombrá-lo e também a seus protegidos. Alguém tão bem treinado quanto ele – talvez um ex-colega de programa?– está na sua cola, para tentar eliminá-lo.

“Evan respirou. ‘Nunca leve para o lado pessoal. Não presuma nada. Nunca leve para o lado pessoal. Não presuma nada’, pensou ele.

Podia sentir o peso da pistola sobre o joelho. A arma estava sempre ali, leal e confiável, uma constante. Aço e chumbo reagiam de maneira previsível. Eram finitos, imutáveis, domáveis. Evan podia contar com eles.”

Evan Smoak é um assassino profissional, que foi treinado pelo governo num programa que transforma órfãos em máquinas de destruição. Lhe foi dado o codinome de Órfão X, e antes dele tiveram Órfãos com todas as letras do alfabeto.

Evan teve como mentor e treinador Jack, e quando ele é morto, o Órfão X decide fugir do programa e usar o que sabe para ajudar as pessoas. Muda-se para um apartamento em Los Angeles, onde através de um celular, que não pode ser rastreado, ele recebe as ligações pedindo sua ajuda.

Morena é uma garota de 17 anos que vive em um bairro humilde junto com a irmã de 11 anos, Carmen. Elas haviam sido abandonadas pelo pai e a mãe havia falecido fazia um ano. Morena sofria abusos sexuais pelo investigador William Chambers. Ela entra em contato com Evan, conhecido como o Homem de Lugar Nenhum, para pedir sua ajuda, pois teme o momento em que William resolva começar a abusar de sua irmã.

“- Você faz parte do que chamamos de Programa Órfão. É excepcionalmente equilibrado e muito comedido diante do desconhecido e foi escolhido para o programa justamente por ter essas qualidades. Há outros como você. Mas jamais os conhecerá.”

Evan encara essa missão e, rapidamente, põe fim à vida do investigador. Ele era assim, um anti-herói, um matador do bem, se é que isso existe. Após concluir a missão, ele despede-se de Morena e diz para ela encontrar outra pessoa que precise de ajuda e dar seu número de telefone.

Em meio a suas missões, ao fingir ter uma vida pacata, Evan conhece Mia, uma promotora de justiça, moradora de seu prédio, e seu filho de 8 anos Peter. Ele se aproxima cada vez mais dessa pequena família, tendo noção de como é uma vida normal.

“- O que faz você feliz?

Dessa vez, não houve intervalo entre pensamento e resposta:

– Suas sardas.

Mia entreabriu os lábios. Deu alguns passos para trás, para dentro do quarto. Ameaçou falar alguma coisa, mas parou.”

Apenas 5 dias após concluir a missão, ele recebe a ligação de Katrin pedindo sua ajuda, ela diz que foi indicada por Morena e está sob ameaça por dívidas de jogo. Ao encontrar com Katrin em um restaurante, eles sofrem um atentado, mas conseguem sair ilesos. Ela diz que o pai  dela, Sam, encontra-se nas mãos dos bandidos. Esses bandidos eram Slatcher e  Candy, comandados por Top Dog.

Evan começa uma investigação, mas ainda sem conseguir ajudar Katrin, não sabe a identidade nem o paradeiro de quem a ameaça, ele recebe outro telefonema, um pedido de ajuda de Memo Vasquez, que também diz tem sido indicado por Morena. Evan tinha deixado bem claro para Morena que ela deveria indicar somente uma pessoa, então vai atrás dela para descobrir o que aconteceu.

Um dos dois, ou Memo, ou Katrin, está mentindo, e Evan descobre que está sob ameaça, alguém quer ele morto. Agora terá que lutar para sobreviver, ao mesmo tempo em que tenta salvar as pessoas que pedem sua ajuda.

Órfão X é um livro de suspense com muita ação, onde nem tudo é o que parece. No desenrolar da história temos alguns flashbacks de quando Evan ainda era novo e estava em treinamento. Tem muitas partes com lutas, em que ele fica entre a vida e a morte, mas a última é a melhor de todas. O livro é cheio de momentos tensos e não tem quase nada de romance. Tem 59 capítulos e a partir do capítulo 37 é uma emoção atrás da outra.

Beijocas!

assinatura nova tábata

Resenha: A instrução dos amantes, Inês Pedrosa

a-instrucao-dos-amantes

Autor: Inês Pedrosa – Editora: Planeta                 Ano: 2006 – Páginas: 168

Classificação 3/5 ⭐️ 🚍

Compre aqui l Submarino Americanas

Sinopse:

A instrução dos amantes é um romance sobre o amor. Ou melhor, é o amor o principal personagem deste livro. Há a história de Cláudia que se apaixona por Dinis no funeral de Mariana, que não se sabe como pôde ter se matado – ou teria ela caído da varanda acidentalmente? Assim como há as narrativas das aventuras da turma liderada por Ricardo Luz – o valente namorado de Cláudia -, que brinca no cemitério à noite ou rouba gasolina dos carros para alimentar as motos. Também há as outras turmas, mas há, principalmente, meninos e meninas, todos com o coração à flor da pele. E nada disso importa, pois há a pele, que junta e separa, e os beijos, os corpos, os segredos, e o sem-jeito das palavras, a submissão, as dores das traições e rejeições e, claro, as cartas ridículas. Há, enfim, o amor, tão misterioso quanto a frase resmungada pelo velho Murinelo: “Há respostas humanas para o que não é humano”.

“Filipe cultivava a maior das misoginias, que é a de compreender as mulheres. Costumava dizer que havia três variedades de Belas Adormecidas: as mais baratas eram as que não acordavam nunca; dentro da gama mais sofisticada, que acorda com um beijo, havia as que tinham um mecanismo para adormecer outra vez e as que não voltavam a adormecer, por mais que se lhes fizesse – e eram estas, evidentemente, as que saíam mais caras.”

A história desse livro gira em torno de um grupo de amigos, composto por Cláudia, que namorava Ricardo, as gêmeas Luísa e Laura, Teresa, João, Isabel, seu namorado Filipe, Radar, Linhos, Alexandra e, o irmão de Isabel, Dinis, que não fazia exatamente parte do grupo. A trama inicia-se no funeral de Mariana, amiga do grupo, que havia se matado. E a história principal surge quando, durante o funeral, Cláudia apaixona-se por Dinis.

Os personagens estão na época de escola, acredito que no Ensino Médio, e entre amizades e romances, surgem as brincadeiras. Como uma vez que vão até o cemitério, vendam um integrante do grupo e a vítima deve procurar, agarrar e nomear quem achar primeiro, sem falar com ele.

“Depois a memória acabou, caiu, despenhou-se inteira nas mãos dele, ali, na cintura dela. Fechou os olhos, desejou morrer dentro daquele peito que lhe escaldava o coração: ‘onde é que eu estou, onde é que eu começo, não sei de mim, de onde vem esta alegria que me dói tanto, se ao menos eu conseguisse parar de tremer.'”

E é através de um jogo, em que é feita uma pilha de papéis com os nomes das mulheres e dos homens, onde cada um vai dançar com a pessoa que sortear, que Cláudia aproxima-se de Dinis. Mesmo ainda estando com Ricardo, ela acaba envolvendo-se com o rapaz.

No mesmo clima de paixão da adolescência, João pede ajuda de Teresa para escrever uma carta de amor à Alexandra. Enquanto Cláudia aproxima-se de Isabel para poder ficar perto de seu amor Dinis. Elas acabam tornando-se amicíssimas de verdade. Mas será que essa amizade permanecerá mais forte que o romance com garotos?

“- A beleza, meu filho, para as raparigas, é uma coisa espiritual. Sem explicação nem medida. É por isso que é muito difícil encontrar duas raparigas com a mesma opinião sobre a beleza de um rapaz. As mulheres não são todas iguais, como os homens. Até são capazes de gostar de um monstro como tu.”

A instrução dos amantes é um livro curtinho, com enredo simples, e, apesar de ter sido escrito no português de Portugal, dá pra entender tudo. Fala de paixão, de como essa coisa arrebatadora entra em nossas vidas e nunca mais somos a mesma pessoa, fala também do amor não correspondido.

Mas, não espere muitos ensinamentos desse livro, nem um final espetacular, ele serve apenas como uma lembrança de como é a paixão juvenil. Quem nunca sofreu de “paixonite” nem comece a lê-lo. Beijocas!

assinatura nova tábata

Resenha: Filosofia para Corajosos, Luiz Felipe Pondé

filosofia-para-corajosos

Autor: Luiz Felipe Pondé – Editora: Planeta          Ano: 2016 – Páginas: 192

Classificação 3/5 ⭐️ 🚍

Compre aqui l Submarino l Americanas

Sinopse:

O objetivo deste livro é ajudar o leitor a pensar com a sua própria cabeça. Para tal, o filósofo e escritor Luiz Felipe Pondé, autor de vários best-sellers, se apoia na história da filosofia para apresentar argumentos para quem quer discutir todo e qualquer tipo de assunto com embasamento. Afinal, os grandes filósofos estudaram, pensaram e escreveram sobre os temas essenciais com os quais ainda lidamos no mundo contemporâneo. O livro está dividido em três partes: “Uma filosofia em primeira pessoa”, onde o autor conta como ele entende a filosofia; “Grandes tópicos da filosofia ao longo dos tempos”, que traz um repertório básico dos temas que todo mundo precisa conhecer mais a fundo; e “Por que acho o mundo contemporâneo ridículo”, uma análise ferina da sociedade atual.

“Muitas vezes temos a sensação de que estamos vivendo a vida dos outros e não a nossa. Essa sensação aparece quando sentimos que fazemos o que os outros querem e não o que nós queremos”

Esse não é um livro com uma história, tão pouco um livro de autoajuda. É uma reflexão de um filósofo com seus pensamentos sobre o mundo, sempre baseado no estudo feito sobre outros filósofos. Os capítulos são divididos por perguntas feitas e respondidas pelo autor. As questões focam na existência humana, fala do mundo e para o mundo.

Descobri que filosofar é falar a língua dos outros, e logo no começo do livro já temos um pouco do filósofo Friedrich Nietzche. Depois, o Luiz Felipe Pondé passa a falar sobre o Romantismo, o mal-estar com a modernidade, e o fato de ganhar dinheiro para sobreviver é o que compete a maioria, pois poucos podem se dar ao luxo de trabalhar com o que amam.

“Outro exemplo fácil disso é a desvalorização da maternidade. Ser mãe não paga salário; logo, pouco vale. Não é à toa que as mulheres emancipadas não querem ser mães de muitos filhos porque preferem ter uma inserção maior na cadeia produtiva de bens.”

Eis dos temas abordados pelo autor e que também devemos refletir: O que estamos fazendo no mundo? Existe vida após a morte? Se Deus não existir, tudo é permitido? Existe evolução moral na humanidade? Dinheiro compra amor verdadeiro?

Mais uns capítulos a frente me deparei com uma análise sobre Platão e Aristóteles. Para Platão, as imperfeições do mundo e da vida seriam fruto de incompetência do demiurgo. E passamos para a Metafísica de Aristóteles, que explora o mundo das verdades eternas e não materiais.

Também é explorada a questão “Deus existe?”, tida pelo autor como uma das perguntas mais inúteis. Mesmo assim ele faz sua tese através do pensamento do filósofo Blaise Pascal.

“Enfim, não existe esse eu verdadeiro a não ser como mais um produto nas prateleiras do mundo contemporâneo, que há muito desistiu de qualquer ideia de personalidade em favor de uma ideia com menos ônus, que é a de estilo e de felicidade a todo custo.”

Outro assunto abordado no livro é a moral ou ética, que para o autor seriam sinônimos. E que para Aristóteles deveriam ser praticados a ponto de serem espontâneos. E depois de refletir sobre esse assunto, vamos direto para o hedonismo, ou viver segundo o prazer.

Tem uma parte do livro que diz que a maioria das pessoas é um mero número da cadeia reprodutiva. E que a felicidade como meta de todos é o que destruirá o mundo. Talvez o autor esteja sendo um pouco pessimista, mas ao meu ver, essa é a mais pura realidade e o que acontece nesse momento é que surge a carência por uma espiritualidade.

No fim, a leitura fluiu de forma rápida, é um livro curto, que não se aprofunda muito, é uma leve pincelada sobre a filosofia, de forma pra que mesmo para pessoas que não sabem muito sobre o assunto (como eu) consigam ler e parar pra pensar por si mesmo.

Beijocas!

assinatura nova tábata

Resenha: Profissão Repórter 10 anos, Caco Barcellos e Equipe

profissão reporter

Autor: Caco Barcellos    Editora: Planeta        Páginas: 384       Ano: 2016

Classificação 4/5 ⭐️ 🚍

Compre aqui l Submarino l Americanas

Sinopse:

Comandado por Caco Barcelos, considerado por muitos o melhor jornalista da TV brasileira, o programa Profissão Repórter chega a uma década de existência com o chamado sucesso de público e de crítica. Ao longo de cerca de 250 programas, a produção semanal, exibida na TV Globo, conquistou inúmeros prêmios, foi objeto de estudo em universidades e virou referência para quem quer ser repórter. O livro Profissão Repórter 10 anos grandes aventuras, grandes coberturas comemora este aniversário trazendo o relato dos jornalistas que fizeram vinte das melhores reportagens exibidas pela TV Globo.

Mais do que apenas um relato dos bastidores, os autores das reportagens revelam um pouco da alma de cada programa onde, como diz Caco Barcelos, a estrela principal tem que ser e é a reportagem de qualidade.

“Os acasos são fascinantes. Deixar-se levar pela história, a pequena ou a grande história, é um fetiche de nove entre dez repórteres que passaram pelo programa (e muitos narram episódios do tipo com detalhes saborosos nas próximas páginas). Para mim, o acaso é um pouco mais. É quase uma justificativa para minha existência: em 1978, meu pai reparou numa baixinha adorável no cinema Belas Artes. Trocaram olhares na fila da sessão e telefones na saída do filme. E aqui estou. Fruto do acaso. Fosse outro filme a que algum dos dois decidisse assistir, fosse outro cinema, fosse outro dia, fosse outro horário, eu não existiria. Se a sessão estivesse lotada demais, e meu pai não desse conta de prospectar a baixinha adorável, eu não existiria” (Caio Cavechini)

O programa Profissão Repórter era um quadro do Fantástico que desde 2006 é transmitido pela Rede Globo, atualmente às quartas-feiras. Eu já assisti várias vezes o programa, e quando vi o Caco Barcellos bonito assim na capa logo quis ler.

O livro é dividido em 5 partes: Um novo desafio, Grandes aventuras, A redação e o repórter, Grandes coberturas e Olhares Externos. São histórias dos repórteres que trabalharam no programa ao longo desses 10 anos. O texto  que abre o livro “Histórias entre o céu e a terra” foi escrito pelo Caco, quando, atrás de uma boa história, foi cobrir o garimpo na Amazônia. Tamanha foi sua surpresa quando ele soube que, durante uma viagem de barco, havia ficado ao lado de um criminoso foragido e detalhe é que só foi descobrir isso quando retornou aos estúdios. Tinha perdido a grande história.

“Acredito que a gente pode mudar a vida das pessoas contando uma história. Acredito que é nossa obrigação ouvir as pessoas que não são habitualmente ouvidas, que precisamos estar perto do povo para mostrar suas dificuldades, que os relatos mais importantes surgem nas situações mais simples.” (Gabriela Lian)

Tem um texto “Um passaporte haitiano”, do Thiago Jock em que ele retrata a vinda de um migrante do Haiti para o Brasil. E pensar que enquanto muitos brasileiros querem sair do nosso país, tem gente que sonha em vir pra cá e trazer a família. O repórter fica tão conectado com a matéria que acaba se preocupando com o futuro do haitiano. Espera e faz de tudo para ajudá-lo.

Temos também o relato da repórter Gabriela Lian, “A corda do Círio de Nazaré”, onde ela retrata sua vivência ao lado dos fiéis. A dificuldade e sua preocupação com a estética são descritas por quem, mesmo não tendo a mesma fé, viveu na pele o dia dos pagadores de promessa.

“Eu me afastei, chorando, respirei fundo, dei um tempo e voltei. Como é possível criar uma casca e não se deixar afetar por esse tipo de coisa? Que profissão é essa que fui escolher? Esse tipo de pergunta é aquele que brota uma vez para não nos deixar mais. Cinco anos depois, ainda não tenho respostas, mas novas perguntas” (Eliane Scardovelli)

E tem o relato do editor Rafael Armbrust de como é juntar horas de gravação e fazer disso algo interessante, mesmo sem aparecer de fato na tela da TV. E a alegria de sua vó quando finalmente ia ao ar uma reportagem em que ele era o repórter e o editor.

Todos os textos do livro são bons! A parte que mais gostei foi “Grandes Coberturas” e o texto que mais gostei foi “Syntagma, St. Paul e Serra da Saudade”, por Paula Akemi, que relata suas experiências durante a reportagem nessas praças. Indico para fãs do programa, entusiastas do jornalismo e curiosos que, como eu, adoram uma boa história.

“Ver um repórter renomado e respeitado na Globo, com três livros publicados, desdobrando-se para conseguir mostrar uma história é animador e também inspirador e faz com que os mais jovens não desanimem em cenários muito adversos, de silêncio e porta na cara.” (Felipe Gutierrez, sobre Caco Barcellos)

Quando assisto reportagens, me dá uma vontade de ser jornalista, ficar viajando por aí e ganhar para isso. O livro me fez enxergar o repórter como trabalhador, que tem que ficar longe da família e trabalhar com jornada incerta, tudo para nos contar uma história.

Beijocas!

assinatura nova tábata

Resenha: Apenas Um Dia, Gayle Forman

apenas-um-dia-frente_

Autor: Gayle Forman – Editora: Novo Conceito Páginas: 378 – Ano: 2014

Classificação 5/5 ⭐️ 🚍

Compre aqui l Submarino l Americanas

Sinopse:

A vida de Allyson Healey é exatamente igual a sua mala de viagem: organizada, planejada, sistematizada. Então, no último dia do seu curso de extensão na Europa, depois de três semanas de dedicação integral, ela conhece Willem. De espírito livre, o ator sem destino certo é tudo o que Allyson não é. Willem a convida para adiar seus próximos compromissos e ir com ele para Paris. E Allyson aceita. Essa decisão inesperada a impulsiona para um dia de riscos, de romance, de liberdade, de intimidade: 24 horas que irão transformar a sua vida.
Apenas um Dia fala de amor, mágoa, viagem, identidade e sobre os acidentes provocados pelo destino, mostrando que, às vezes, para nos encontrarmos, precisamos nos perder primeiro… Muito do que procuramos está bem mais perto do que pensamos.

Série “Apenas um Dia” (3 volumes), em sequência, “Apenas um ano” (versão de Willem), e “Apenas uma noite”, final da trilogia.

“Nascemos em um dia. Morremos em um dia. Podemos mudar em um dia. E podemos nos apaixonar em um dia. Qualquer coisa pode acontecer em apenas um dia.”

Essa é a história de Allyson Healey, uma garota de cabelo escuro, olhos escuros e traços mais fortes e começa na Inglaterra quando ela está fazendo uma viagem com a melhor amiga Melanie, que é totalmente diferente dela, loira e de olhos verdes. Um tour pela Europa, o Teen Tour, quem não sonha com isso? Eu sonho! Mas esse não era o sonho dela, os pais tinham planejado essa viagem pós formatura.

Até que Willem, um holândes de 20 anos, um metro e noventa, cabelo loiro e olhos negros, de lábios macios e vermelhos, a convida para assistir “Noite de Reis”, de Shakespeare, a peça em que vai atuar. Um dos roteiros do Teen Tour é assistir a peça “Hamlet” em um anfiteatro, mas ela e Melanie fogem para assistir a peça de Will Guerrilheiro ao ar livre.

“- Acho que você é o tipo de pessoa que acha dinheiro no chão, balança a nota no ar e pergunta se alguém a perdeu. Acho que chora nos filmes que nem são tristes porque tem um coração mole, apesar de não demonstrar. Acho que faz coisas que a assustam, e isso a faz mais corajosa do que aqueles malucos por adrenalina que saltam de bungee-jump das pontes.”

210px-Louise_Brooks_detail_ggbain.32453u

Louise Brooks

No dia seguinte, ao pegar o trem em direção a Londres, quem Allyson encontra? Will! Eles ficam a viagem toda conversando e ele a acha parecida com a atriz Louise Brooks. E a partir de então, para Will, ela é Lulu. Ao chegar ao seu destino, por um impulso, Allyson e Will resolvem que vão passar um dia em Paris, antes dela voltar para Boston. É uma loucura largar a excursão e viajar sozinha com um cara que acabou de conhecer sem avisar os pais, somente Melanie sabe seu destino.

Quando chegam a Paris, Allyson logo vê o primeiro problema: o que fazer com as bagagens? Mas Will tem uma solução: deixar as malas na boate de sua amiga Cèline. Eles passam o dia juntos em Paris, acontece de tudo, ida a parte dos cabarés da cidade, mesmo que durante o dia, passeio de bicicleta e ataque de skinheads. Mas o dia chega ao fim e já é hora de Lulu voltar para sua vida real, de responsabilidades: uma faculdade de medicina à espera.

“Eu o encaro por um momento, boquiaberta. Ele me olha de volta, e então sua boca se abre num sorrisinho mínimo. Então percebo que o que eu disse antes estava certo: Ninguém é quem parece ser.”

Mas Allyson não quer voltar e decide ficar mais uma noite. Os momentos com Willem foram mágicos e ela quer ficar mais tempo com ele. Quando acorda no dia seguinte, ela não vê Will, nem seu relógio que ganhou da sua mãe.

Vida que segue, ela vai à faculdade, e tem que estudar muito, mas não deseja mais ter essa vida que os pais escolheram para ela. Quer ser autêntica como sua amiga Melanie, quer tomar cerveja, quer ir ao restaurante com as amigas e não usar a reserva feita pelos pais, nem a coleção de despertadores que a mãe também escolheu. Chegou o momento de se libertar! De saber quem é Allyson de verdade!

“Eu abaixo os olhos, cutuco a unha.

– Isso apenas faz de mim uma mentirosa.

– Não, não faz. Está apenas testando identidades diferentes, como todos aqueles nas peças de Shakespeare. E as pessoas que fingimos ser já estão dentro de nós. É por isso que fingimos ser essas pessoas, para começar.”

Esse livro é maravilhoso e duas partes me afetaram profundamente. Meu lado mãe diz que ela é uma ingrata, porque quem pode viajar pela Europa, almoçar em restaurantes chiques, passar férias em Cancun. Mas a história não é sobre os pais da Allyson, é sobre descobrir quem é seu eu verdadeiro. Vocês já pararam pra pensar se essa vida que levam foram a que escolheram? Além de ter o romance com o holândes Willem, e eu amo romances!

trilogia apenas um dia

Trilogia completa. Apenas o último não foi lançado no Brasil.

Beijocas!

assinatura nova tábata

Entrevista com o escritor F. P. Trotta

Conheci o livro Intergaláctica pelo Instagram e assim que vi a capa do livro e fiquei curiosa e fui ler a sinopse, logo já me interessei. Quando acabei de ler o livro entrei em contato com o autor e ele aceitou meu convite para participar de uma entrevista aqui no blog.

F. P. TROTTA

F. P. Trotta

Franco Poltronieri Trotta é o nome verdadeiro do autor de 24 anos que nasceu em São Paulo, e  Intergaláctica é seu primeiro livro publicado no Brasil. Escrito originalmente em inglês e chamado de Intergalactic. Dá uma olhada na entrevista do criador da heroína Amanda!

Você é formado em Administração de Empresas e participou de várias produções de eventos, de onde veio a vontade de escrever um livro?

Ironicamente eu dizia desde criança que queria ser escritor, lembro de falar isso na formatura do C.A. hahahaha! Mas por causa dos contatos da minha família era mais fácil seguir uma vida que desse dinheiro fácil trabalhando nas festas de boates cariocas e no Rock In Rio. Quando terminei o segundo RIR que fiz em 2013, vi que a história estava pronta na minha cabeça e a escrevi. Mas antes de Intergaláctica já tinha escrito dois outros livros, que hoje me envergonho muito e guardo a sete chaves (devia ter queimado!)

Os personagens Uyara e Placo são alienígenas muito importantes para a jornada de Amanda, Lina e Stryker. De onde surgiu a inspiração para a criação desses seres de outro mundo?

Pro Placo eu queria alguma criatura dócil que servisse de transporte pra eles. Mas meses depois eu acho que meu subconsciente roubou o Lapras do Pokémon e criou o Placo, e eu só me toquei depois. Enfim! Já a Uyara devia ser alguém que conseguisse ganhar a confiança do grupo pra apresentar o planeta a eles. Como sabemos, nada é o que parece, e se não fosse uma alienígena que servisse de guru para eles, não funcionaria.

Tem lançamento novo para esse ano?

Sim! Interdimensional vai sair na Bienal de São Paulo, dia 31/8 e 1/9, junto da minha sessão aonde vou assinar Intergaláctica!

Quem foi a primeira pessoa a ler o livro após finalizado? Essa pessoa te apoiou?

Minha melhor amiga! Sim, ela leu em 48 horas. E é igual com Interdimensional: ela tá lendo nesse momento. Hahahahaha!

Intergaláctica

Ficção científica é um gênero ainda não muito explorado pelos autores nacionais. Você pretende seguir essa mesma linha, ou pretende escrever sobre outros temas?

Eu queria preencher esse buraco, mas isso foi fácil pra mim porque eu sou estupidamente apaixonado pelo gênero. A ideia do que pode estar lá fora me fascina e é meu tema preferido pra conversas entre amigos. A história deve terminar no terceiro livro, mas eu mesmo ainda sei que não tenho cabeça o suficiente pra escrevê-lo ainda. Preciso agora dar uns dois anos focando em divulgar esses dois e aí sim focar em terminar a história. Então por enquanto estou no espaço!

Quais livros encontramos na sua estante de casa? Você tem um autor preferido?

Eu sou obcecado pela trilogia Fronteiras do Universo, do Philip Pullman. Também amo a quadrilogia 2001 do Arthur C. Clarke e Duna, de Frank Herbert.

De quem veio a ideia de transformar a história de Intergaláctica em história em quadrinhos? Como anda esse projeto? Tem data para ser lançado?

A história sempre teve um apelo visual muito grande – e aí um contato em comum me apresentou à Raiane, que está desenhando nesse momento. Mas o lançamento só deve acontecer no final do ano – quero fazer tudo meticulosamente!

Que dicas você dá para quem está começando?

Eu ainda sinto que estou começando, então a única dica que acho que posso dar depois de um ano dentro do mundo literário é que o clichê de escrever o que ama é regra principal. É uma delícia notar que um ano depois, prestes a lançar o segundo, todo dia eu ainda acordo cheio de felicidade pra responder os leitores, continuar a divulgação, e bolar os próximos: e isso é inteiramente porque eu amo escrever um universo feito pra quem quer, e precisa, como eu, ir embora da Terra por algumas horas.

separador

Gostaram da entrevista? Até a próxima! Beijocas!

assinatura nova tábata

Resenha: Intergaláctica, F. P. Trotta

Intergaláctica

Autor: F. P. Trotta – Editora: Livros Ilimitados Páginas: 279 – Ano: 2015

Classificação 4/5 ⭐️ 🚍

Á venda l Submarino l Americanas

Sinopse:

Uma conspiração para controlar o rumo da mais importante expedição espacial da história da humanidade. 3 de Maio de 2031 – No dia de lançamento da aguardada expedição da NASA para explorar a lua de Júpiter, uma das candidatas para habitar vida extraterrestre, a psiquiatra Amanda Collins acorda de um coma após meses batalhando contra uma meningite aguda.Junto com seus pacientes Stryker, Ripley e sua amiga Lina, eles descobrem que fazem parte de um crescente quebra-cabeça envolvendo uma corporação geopolítica underground chamada A Firma, que planeja sabotar a missão, usufruindo de uma nova tecnologia para saquear a nave e destiná-la para um planeta habitável localizado dezessete anos luz da Terra. O quarteto então inicia uma operação para descobrir a verdade por trás da conspiração, mergulhando de cabeça na maior expedição planetária da história da humanidade.

“- Assim que você entender que você é um insignificante e sem importância sinal sonoro no radar do tempo – uma das bilhões de pessoas que vieram e se foram em alguns milhões de anos – e se tornar humilde com a ideia que tudo o que você sabe e conhece do mundo hoje é o que outros grandes homens lhe contaram a partir de suas próprias observações.”

“Intergaláctica – Onde estaria a segunda Terra?” é um livro de ficção científica que conta a história de Amanda. Em 2009, ainda menina, sonha em ser inventora como o pai Oswald, e sua curiosidade faz com que em uma noite entre escondida no laboratório dele. Com ânsia por descobertas, ela manuseia a criação do pai, chamada Órbita, e acaba machucando-se. Shirley é a babá, que sempre a socorre, pois Oswald tem uma relação complicada com a filha e está muito envolvido em seu trabalho.

Na adolescência, Amanda é vítima dos experimentos científicos do pai, e quando acordo amarrada em uma cama, não pensa duas vezes antes de fugir com Shirley pela Floresta Hallo, na Islândia, que é o local de instalação do laboratório.

Nesse momento a história tem um lapso, Amanda tornou-se psiquiatra, está com 30 anos e mora em Chicago. Ela entra em contato com o ex oficial da marinha Ripley e a analista de sistema Stryker que marcam de encontrá-la juntamente com a executiva financeira Lina. Amanda treina-os para se infiltrarem na Firma e participarem da missão Europa, financiada por Oswald.

“- Não é isso. Você criou a faceta errada. Você fez o erro que a maioria das pessoas faz. Mas você não fez isso por você, você fez isso por medo. Medo de ficar sozinho, de não ser amado, mal interpretado, de não ser aceito.”

Eles partem para a Islândia e, usando do amor paterno ainda existente, Amanda consegue convencer o pai a permitir que ela, Lina, Stryker e Ripley participem da missão.

Enfim começa a aventura que dá título ao livro, com o lançamento Europa One em Washington. Os quatro são criogenicamente congelados e ficam assim até o ano de 2041.

Quando chegam ao planeta definido pelos humanos como Gliese nos deparamos com alienígenas de todos os tipos, na minha opinião, é a parte mais interessante do livro.

“… até que as cabeças das criaturas apareceram e eles notaram cabelos sedosos e quase brancos, brilhando contra o reflexo do sol que descia… e suas cabeças levavam à ombros e costas esguios.”

Todos os cenários são muito bem descritos e é uma história criativa. Apenas senti falta de uma descrição dos personagens humanos. Talvez por esse motivo não tenha simpatizado muito com a personagem principal.

Eu nunca havia lido nada desse gênero e foi uma boa experiência. O autor conseguiu unir uma coisa tão humana como uma desavença familiar com o ainda não descoberto mundo espacial. O final é inesperado e provavelmente tem continuação.

Beijocas!

assinatura nova tábata

Especial 8 de Maio – Tem mãe na história

Acho que mãe é a palavra mais gritada em todo o mundo. Como é bom poder chamar mãaaaae, manhêeee, mãezinhaaa, mainhaa e, o meu preferido, mamãe. Cada um tem um tipo único de mãe, mas todas tem algo em comum: o amor. O que seria de seus filhos sem elas?! Já dizia a pensadora contemporânea Lady Gaga “Você quer se casar com alguém que te ame, te dê carinho, e que esteja sempre do seu lado? Se case com a sua mãe.” kkkk

Brincadeiras à parte, nos livros elas também estão presentes, quer ver? Eu provo!

Mãe adotiva – a Cidade do Sol (Khaled Hosseini)

A cidade do solA meu ver Laila foi adotada por Marian. Quem vê um pouco de notícias internacionais sabe que a vida das mulheres no Oriente Médio, na região que sofre com as guerras, é muito difícil, e com essas duas personagens não foi diferente.

Ambas são esposas de Rashid, mas tem uma diferença de quase 20 anos de idade. Apesar de no começo Marian não aceitar a menina e nem querer vê-la pintada de ouro, a situação em comum, as dificuldades e sofrimentos de ambas as unem. E Marian começa a cuidar de Laila, com um amor capaz de salvá-la.

Quero representar aqui aquela mulher que não é sua mãe de sangue, mas que de alguma forma cuida de você, sempre querendo o seu bem.

“Aprenda isso de uma vez por todas, filha: assim como uma bússola precisa apontar para o norte, assim também o dedo acusador de um homem sempre encontra uma mulher a sua frente. Sempre. Nunca se esqueça disso, Mariam.”

separador

Mãe de rebelde – Férias (Marian Keyes)

férias

Coitada da mãe da Rachel. A filha é toxicômana e a mãe preocupadíssima resolve interná-la em uma clínica de reabilitação. Ao longo dos tratamentos em sessões de terapia, Rachel percebe que sempre achou que a culpa de tudo que dava errado fosse dela e que a mãe tinha mais apreço pelas irmãs.

Era tudo coisa de sua cabeça e quando Rachel precisou de apoio, quem estava lá? A mãe! Resenha aqui

“- Olha! – ordenou ela, exibindo-a contra a luz e apontando a parte da frente. – Isso não cobriria o traseiro de uma formiga. E quanto a isso? – indicou o fio que dá nome à peça. – Que serventia tem para alguém? O que me espanta é como ela foi se rasgar de uma maneira tão uniforme, deixando só esse fiozinho certinho – confidenciou.

– Você não está entendendo – disse eu, branda. Tomando o fio-dental de sua mão, expliquei: – Essa parte não é para a bunda, é para a frente. Esse fiozinho certinho sim, é que é para a bunda…

– Sua SEM-VERGONHA! Isso pode ser o tipo de coisa que se usa em Nova York, mas você não está mais em Nova York, e, enquanto viver embaixo do meu teto, vai se cobrir como uma cristã.”

separador

Mãe trabalhadora – Quando você voltar (Kristin Hannah)

Quando voc+¬ voltarJolene é tenente do exército e quando é convocada para a guerra, precisa deixar suas filhas aos cuidados do pai. Manda cartas e liga quando consegue, sempre sofrendo e com saudades. Sentindo-se culpada por não estar presente em todos os momentos, mas lutando pelo futuro delas. Resenha aqui

“Jolene permaneceu parada até que alguém buzinasse. Sentia a dor da filha com intensidade. Se havia algo de que entendia era rejeição. Não passava a vida esperando que seus pais a amassem? Ela tinha que ensinar Betsy a ser forte, a escolher a felicidade. Ninguém consegue nos magoar se não permitimos. A melhor defesa é o ataque.”

separador

Mãe super protetora e mãe relapsa – Cuco (Julia Crouch)

Cuco

Rose é dona-de-casa e teve o privilégio de cuidar das filhas bem de pertinho. Acompanha a filha até a escola, faz almoços saudáveis, compra roupas, cuida da educação proximamente, cada detalhe sempre rigorosamente bem planejado.

Polly é a mãe que quer filhos independentes, até demais! Nico e Yan se criam praticamente sozinhos, a edícula onde moram é uma bagunça e não tem rotina. Ela é cantora e trabalha em casa, se estiver compondo, os meninos podem fazer o que quiserem, desde que não a atrapalhem.

São dois extremos, minha opinião é que o melhor é saber balancear os dois. Resenha aqui

“- Eu sei que você quer ser a mamãe de todo mundo Rose, E nós duas sabemos exatamente por quê.
Rose engasgou, chocada com o que Polly tinha acabado de dizer.
– Não se preocupe Rose – continuou. – Só não desconte isso nos meus filhos.”

separador

Mãe durona – A menina que roubava livros (Markus Zusak)

A menina que roubava livrosPara fugir da perseguição nazista, Liesel vai morar com sua nova mãe Rosa. A mãe adotiva mostra-se relutante, como se não gostasse da situação, ela apelida a menina de porca e é sempre grosseira.

Aos poucos Rosa vai demonstrando o quanto ama aquela menina, daria tudo o que tem para Liesel ser feliz, mas não sabe como dizer ‘eu te amo’. Resenha aqui

” — Como você chamava sua mãe de verdade?

— Auch Mama, também de mamãe — respondeu Liesel, baixinho.

— Bom, então eu sou a mamãe número dois — fez Rosa.

— Sim — concordou Liesel, prontamente. Naquela casa se apreciavam respostas rápidas.

— Sim, mamãe — corrigiu-a Rosa. — Saumensch, me chame de mamãe quando falar comigo.”

separador

Mãe que erra tentando acertar – Precisamos falar sobre o Kevin (Lionel Shriver)

precisamos-falar-sobre-o-kevin

Quando um filho erra a culpa sempre é jogada descaradamente sobre a mãe. Sabemos que a criação é obrigação dos pais, mas cada pessoa é única, há exemplos de mães que educam seus filhos da mesma maneira, mas eles tem atitudes diferentes.

Eu confesso que não li o livro (está na minha lista de desejos), só vi o filme. Na história Eva luta para ser a mãe perfeita, ao mesmo tempo vai descobrindo aos poucos que seu filho é psicopata e ninguém lhe dá ouvidos. Ela poderia tê-lo abandonado, mas permanece firme e forte ao seu lado, sofrendo por cada erro que ele comete. Se foi culpa dela? Só Deus para julgar! 

“A maternidade (…). Isso sim é que é país estrangeiro.”

separador-lápiz-3

Vamos aumentar essa lista! Sabe de alguma personagem mãe? Comente o nome da mãe, se souber, e o livro! Beijocas!

assinatura nova tábata

Resenha: Guerra Civil, Stuart Moore

guerra civil

Autor: Stuart Moore  Editora: Novo Século   Páginas: 398                 Ano: 2014

Classificação 3/5 ⭐️ 🚍

Á venda l Submarino l Americanas

Sinopse:

A épica história que provoca a separação do Universo Marvel! Homem de Ferro e Capitão América: dois membros essenciais para os Vingadores, a maior equipe de super-heróis do mundo. Quando uma trágica batalha deixa um buraco na cidade de Stamford, matando centenas de pessoas, o governo americano exige que todos os super-heróis revelem sua identidade e registrem seus poderes. Para Tony Stark o Homem de Ferro é um passo lamentável, porém necessário, o que o leva a apoiar a lei. Para o Capitão América, é uma intolerável agressão à liberdade cívica. Assim começa a Guerra Civil

“Então, uma figura surgiu na porta, sua silhueta contornada pelo fogo enfurecido. Um homem alto e musculoso usando um uniforme vermelho, azul e branco rasgado. Capitão América, a lenda viva da Segunda Guerra Mundial, dava um passo cauteloso de cada vez, deixando o inferno para trás, carregando uma mulher inconsciente em seus braços fortes.”

Os Novos Guerreiros são jovens e inexperientes, mas querem ser valorizados. Por isso, resolvem que irão enfrentar uma gangue de vilões muito acima do nível de poder deles. O que acontece é que oitocentos e cinquenta e nove moradores de Stamford, Connecticut morrem nesse dia.

“E uma vez você me disse: quando o outro lado tem mais homens do que nós, mais armas do que nós, numa proporção de vinte para um, é hora de parar de lutar.

– É verdade, quando você está errado – Capitão o encarou. – Quando você está certo, finca o pé no chão e não tira o time de campo.”

Um programa de TV filmava todo o acontecimento e a população que assistia àquilo começou a sentir medo, pois não podiam mais confiar nos heróis. A qualquer momento uma pessoa, até então comum, podia vestir uma roupa colorida, e, sem nenhum tipo de treinamento, colocar em risco a vida de pessoas.

O bilionário Tony Stark, o Homem de Ferro, havia reunido os heróis que hoje formavam os Vingadores, tinha fé no poder da indústria e da tecnologia. Capitão América era guiado pelo coração e pelo instinto. Agora vou revelar um spoiler #SPOILERALERT que aparece logo no começo do livro. O que mantinha o eixo, o centro dos Vingadores era Thor, e agora o amigo e companheiro deles aparentemente morrera sozinho, em uma guerra disputada bem longe dali.

“Tony pegou o objeto. Homem-Aranha espreitou e viu o que era: uma moeda de prata de dólar comum.

– Eu… eu não estou entendendo – disse Tony.

O Demolidor virou-se um pouco para ele.

– Agora você tem trinta e uma moedas de prata, Judas.”

Tony vai para Washington falar com o Congresso sobre a situação dos super-humanos nos EUA. Nesse meio tempo, Peter Parker, o Homem-Aranha, torna-se o novo Vingador.

“- A culpa não é sua. Assim como não podemos culpar um policial por atirar em um criminoso que aponta uma arma para ele.

– Sra. Sharpe…

– Shh. Eu também queria lhe dar isso – ela procurou na bolsa. – Era o brinquedo preferido do meu filho Damien desde que ele tinha três anos.

Ele pegou o brinquedo e fitou-o através da chuva. O boneco do Homem de Ferro…”

A Lei de Registro de Super-Humanos (LRS) prevê que todos os meta-humanos teriam que se registrar e passar por um treinamento para ter permissão de usar seus dons para praticar atos de heroísmo. Ela também dá ao governo poderes extremamente amplos de repressão.

E a partir daí começa a Guerra Civil, escolha seu lado! Homem de Ferro lidera o grupo a favor da lei, e assume o comando de sua implementação, formado por Quarteto Fantástico, Homem-Aranha, Miss Marvel, Viúva Negra, Mulher-Hulk e com todo o apoio da SHIELD e seus agentes.

Capitão América sabe que a LRS acabará com as máscaras, com a identidade secreta, colocando em risco a família dos heróis, também teme o controle do governo e da SHIELD, e o pior é que quem não se registrar, será preso sem julgamento, mesmo ao fazer o bem. Ele lidera a Resistência, que é contra a LRS, formada por Patriota, Luke Cage, Wiccano, Falcão, Demolidor, Golias, Manto, Tigresa, Adaga, Gavião Arqueiro, Hulkling, Célere e  Estatura.

“Capitão balançou a cabeça. Esses dois só tinham um ao outro; Manto dependia da Adaga para sobreviver. Como alguém podia pedir para dois jovens como eles se registrarem, entregarem suas vidas ao governo?”

São duas batalhas entre os a favor da LRS e a Resistência. Lógico que não vou dizer quem vence, vou dar só alguns detalhes. Na primeira batalha um herói morre. A segunda batalha revela um traidor, envolve heróis dos X-Men e de Atlântida e tem um resultado que eu não esperava.

A história do livro gira em torno de cinco heróis principais: Homem de Ferro, Capitão América, Homem-Aranha e a família de Reed e Sue Richards, ou Sr. Fantástico e Mulher Invisível, eles agora são casados e tem dois filhos. E o autor apresenta-nos quatro epílogos de cada um.

Agora vamos à minha opinião. Eu torci o tempo todo pelo Capitão, acho que é porque sou meio rebelde. No fim, percebi que ninguém era o dono da verdade, os dois estavam certos, só com pontos de vista diferentes.

É a primeira vez que leio uma história de super-heróis, no geral, achei interessante. O problema é que eu não conhecia muitos desses personagens e foi difícil criar uma aparência em minha cabeça, mesmo com a descrição de todos, precisei de muita imaginação. As batalhas tem muita ação, se o leitor não prestar atenção aos detalhes, acaba perdendo-se na narrativa.

“No limite da fábrica, Demolidor e Viúva Negra corriam um atrás do outro pelas paredes quebradas, através de janelas estilhaçadas, aparecendo e sumindo na forte chuva. No topo de um recipiente químico, Demolidor parou e olhou para trás para Viúva Negra, a decepção estampada em seu rosto.

Sue teve a impressão de ver os lábis dele formando as palavras: Você não sabe o que é liberdade.”

Estou esperando ansiosamente pelo filme, depois que assistir, eu faço a comparação, mas já acho que a história não é a mesma, só o título.

Se alguém quiser me indicar outro livro desse gênero, coloca nos comentários, por favor!

Ah! Tenho obrigação de soltar outro spoiler #SPOILERALERT, se não quiser saber, pare de ler!…

O Homem-Aranha revela ao mundo sua identidade e, antes disso, quando ele conta para a tia May é muito engraçado.

Beijocas!

assinatura nova tábata

Resenha: Como Partir o Coração de um Dragão, Cressida Cowell

como partir o coração de um dragão

Autor: Cressida Cowell  Editora: Intrínseca   Páginas: 320                Ano: 2012

Classificação 5/5 ⭐️ 🚍

Á venda l Submarino l Americanas

Sinopse:

Soluço Spantosicus Strondus III foi o mais grandioso herói já visto em todo o território viking. Ele era bravo, impetuoso e muitíssimo inteligente. Mas até mesmo os grandes heróis podem ter dificuldades no começo, principalmente se seu companheiro é um dragãozinho teimoso, mal-educado e desobediente como o Banguela.

Em Como partir o coração de um dragão, a nova aventura da série Como treinar o seu dragão, Soluço está bastante ocupado: tem que conseguir completar a Tarefa Impossível, derrotar os Berserks, salvar Perna-de-peixe de virar comida de monstro e, ainda por cima, descobrir o secretíssimo segredo do Trono Perdido. Parece muita coisa? Não para Soluço; afinal, é para isso que servem os heróis, não é?

” -É isso mesmo, seu traste. Dizem por aí que a Praia do Coração Partido é assombrada pelo fantasma de uma mulher em um navio fantasma… procurando eternamente seu filho morto e perdido… e se encontra VOCÊ em vez dele…”

Dia 18 de abril é Dia Nacional do Livro Infantil. E pra comemorar, a resenha é de um livro para crianças, mas a história é uma delícia, que a minha criança interior adorou aproveitar. Eu indico para meninos e meninas a partir de 7 anos sem limite final de idade.

como partir o coração de um dragão

Princesa Pirracenta e o Perna-de-Peixe.

Soluço é o mais improvável futuro rei, um garoto de aparência comum, cabelos ruivos, magro e de rosto sardento, que fala dragonês fluentemente. Tem como melhor amigo Perna-de-Peixe, garoto alto, magricela e romântico. Seu dragão Banguela é um dragãozinho de jardim com metade do tamanho dos dragões de caça.

O livro começa com o sumiço de Camicazi, menina minúscula, corajosa e desgrenhada, filha da chefe das Ladras do Pântano. A tribo dos Hooligans, da qual Soluço é o herdeiro do trono, sai na busca pela criança perdida.

Ao passar pelo Arquipélago Oriental, uma parte de mundo excepcionalmente perigosa, os vikings Hooligans encontram Oso, o rei mais poderoso e brutal no Mundo Barbárico. Ele é inteligente e acredita que a tribo Hooligans está realizando um ataque. Além disso, no momento em que encontram-se nas terras de Oso e dos Criminosos Feiosos, é descoberto que Perna-de-Peixe havia enviado um poema para a princesa da tribo. Esse poema vai parar na mão do rei Oso e ele quer saber quem o enviou, pois cortejar sua filha tornava-o automaticamente noivo.

“-…Se eu pudesse voltar no tempo, não teria me demorado naquela Baia Amaldiçoada para chorar preciosas lágrimas salgadas sobre o cadáver dele, permitindo que os humanos me envolvessem em correntes e me enterrassem nesta floresta. Não, eu abriria as asas e partiria para o céu azul e claro e o deixaria para que os peixes comessem… Fui muito castigado pela minha fraqueza em amar e confiar em um humano.”

Para o noivo conseguir o direito de se casar com a princesa, teria que cumprir uma prova muito complicada e perigosa, denominada Tarefa Impossível, provando que era um herói. A princesa chama-se Pirracenta, com cerca de 1,85 m de altura, cabelos ruivos e cheios e olhos verdes, com um lindo Dragão-laço vermelho que mora em seu cabelo, linda e mal-humorada. Era seu 12° noivo, todos os outros não haviam retornado da Tarefa.

como partir o coração de um dragãoPara evitar o pior, Soluço assume a culpa por enviar o poema de amor, sendo assim, caberá a ele realizar a Tarefa Impossível. Acontece que, sentindo-se culpado e querendo provar que é um herói, Perna-de-Peixe foge para a missão sozinho, montado em seu dragão Bexiguento.

Soluço vai atrás de seu amigo, carregando Banguela em um cesto, sobe nas costas do dragão Caminhante do Vento para a ilha de Berserk. Após passar por dragões monstros gigantescos chamados Papa-Abelhas Gigantes, Soluço é atingido por algo e perde a consciência. Acorda entre homens e mulheres imensos e musculosos, carregando arcos, flechas e grandes espadas de chumbo.

Esse é só o início da aventura, muitos mistérios precisam ser resolvidos. Onde está Camicazi? Pirracenta terá um dia algum marido? Onde está Soluço e quem são esses Vikings? E o leitor conhece mais sobre os antepassados de Soluço.

“A fêmea ergueu o braço para lançar longe o berço… e então parou quando ouviu o choro vindo dali… Fervendo de indignação, ela ergueu as garras para matar o bebê… e parou quando ele voltou a chorar…

O bebê, contorcendo-se, esqueceu de sentir medo e esfregou a bochechinha na pele de cobra lisa de seu peito, em busca de comida.”

Eu dei esse livro para o meu filho de 7 anos e lia para ele à noite. Em uma noite em que estava ocupada, o pai dele leu no meu lugar. Só que depois eu me peguei lendo o capítulo que havia perdido sozinha, e percebi que essa história para crianças estava me prendendo a atenção.

Também pudera, o livro é rico em detalhes, cheio de surpresas e aventuras que alimentam nossa imaginação. E os personagens são viking, reis, princesas nada convencionais, um bruxa e um dragão-marinho chamado Furioso muito castigado. E o Banguela é a coisa mais linda e engraçada do livro, os diálogos entre Soluço e ele são ótimos, imagina você conversando com o seu bichinho de estimação! Detalhe é que o dragãozinho do livro é bem diferente do personagem do filme “Como treinar o seu dragão”.

Leia para uma criança! Dê o livro de presente para uma e depois peça emprestado! É um passatempo que vale a pena! Beijocas!

assinatura nova tábata

 

Resenha: Amigas para sempre, Kristin Hannah

amigas para sempre

Autor: Kristin Hannah    Editora: Arqueiro   Páginas: 446                Ano: 2014

Classificação 4/5 ⭐️ 🚍

Á venda l Submarino l Americanas

Sinopse:

Tully Hart tinha 14 anos, era linda, alegre, popular e invejada por todos. O que ninguém poderia imaginar era o sofrimento que ela vivia dentro de casa: nunca conhecera o pai, e a mãe, viciada em drogas costumava desaparecer por longos períodos, deixando a menina aos cuidados da avó. Mas a vida de Tully se transformou quando ela se mudou para a alameda dos Vaga-lumes e conheceu a garota mais legal do mundo. Kate Mularkey era inteligente, compreensiva e tão amorosa que logo fez Tully sentir-se parte de sua família. Ao longo de mais de trinta anos de amizade, uma se tornou o porto seguro da outra. Tully ajudou Kate a descobrir a própria beleza e a encorajou a enfrentar seus medos. Kate, por sua vez, a ensinou a enxergar além das aparências e a fez entender que certos riscos não valem a pena. As duas juraram que seriam amigas para sempre. Essa promessa resistiu ao frenesi dos anos 1970, às reviravoltas políticas das décadas de 1980 e 1990 e às promessas do novo milênio. Até que algo acontece para abalar a confiança entre elas. Será possível perdoar uma traição de sua melhor amiga? Neste livro, Kristin Hannah nos conta uma linda história sobre duas pessoas que sabem tudo a respeito uma da outra – e que por isso mesmo podem tanto ferir quanto salvar.

“Pensamentos – até mesmo medos – são coisas feitas de ar e sem forma, até que os tornamos sólidos com a nossa voz. E depois que lhes damos esse peso, eles podem nos esmagar.”

Kathleen Mularkey é romântica e inteligente, tem olhos verdes, cabelos loiros e lisos. Talullah Hart é uma garota determinada e popular, tem cabelos castanho-avermelhados compridos e cacheados, pele clara, lábios carnudos, cílios longos e olhos castanhos.

Essa é a história de Kate e Tully. Iniciada quando Tully tem 10 anos e mora com a avó, pois a mãe Dorothy, ou Nuvem, como gostava de ser chamada, tinha problemas com drogas e vadiava por aí, aparecendo de anos em anos para ver a filha. Kate mora com os pais e o irmão mais novo, após suas duas melhores amigas se distanciarem dela, se vê sozinha, conversando apenas com seu cavalo e tendo os livros como seus melhores amigos.

Em 1974, ambas tem 14 anos, Nuvem resolveu levar Tully para morar com ela, e elas mudam-se para Seattle, em uma casa em frente à casa de Kate. À primeira vista Kate ficou encantada com a nova vizinha. Já Tully não estava tão empolgada, para ela aquela não passava de uma cidade cheia de caipiras. Ela também temia que as pessoas soubessem que sua mãe era uma drogada, assim, no dia em que Kate vem até sua casa, obrigada pela sua mãe a dar as boas vindas, Tully mente dizendo que Nuvem tem câncer.

Mesmo com vidas e personalidades tão diferentes, um incidente faz com que se aproximem, Tully confia um segredo a Kate e a partir daí elas viram TullyeKate, as meninas da Alameda dos Vaga-lumes. Com a mãe desnaturada que tinha, Tully foi tornando-se parte da família de Kate, elas eram inseparáveis. A Sra. Mularkey era o exemplo que Tully tinha, e fez nascer nela a vontade de correr atrás de seus sonhos e o desejo de ser uma jornalista famosa.

“- Ela detestava aquele olhar. Mas o que importa não são as outras pessoas, isso eu aprendi. Quem a sua mãe é e como decidiu viver não são um reflexo de quem você é. Você pode fazer as suas próprias escolhas. E não tem nada do que se envergonhar. Mas você vai ter de sonhar alto, Tully.”

Então Nuvem acabou envolvendo-se em uma encrenca com a polícia, e Kate tem que se mudar para a casa da avó. Mesmo distante, as amigas trocam cartas religiosamente, jurando serem amigas para sempre.

Quando está com 17 anos, a avó de Tully falece e ela vai morar com a família de Kate. Elas vão para a faculdade de Wasshington juntas, e Tully está determinada a ser uma jornalista de sucesso. Já Kate não sabe ao certo o que quer, mas, para não decepcionar a amiga e a mãe, permanece na faculdade. Elas terminam o curso e Tully arruma um emprego para as duas em uma produtora de jornalismo.

Johnny era o homem mais bonito que Kate vira na vida, tinha cabelos pretos compridos e espessos, com cachos suaves nas pontas, e era o chefe delas. Kate acaba apaixonando-se, mas ele só tem olhos para Tully.

Em 1985, Tully recebe uma proposta de emprego de uma produtora maior. E assim as amigas seguem por destinos diferentes, Tully cada dia torna-se mais reconhecida profissionalmente, dedicando-se exclusivamente à carreira e Kate resolve parar de trabalhar para ter uma família, se dedicar ao marido e aos filhos.

“Era ridículo, constrangedor e inevitável, porque não importava que a maternidade estivesse lhe dando uma surra e acabando com sua autoconfiança, a maternidade também a havia inundado de amor, de tal forma que de alguma maneira era apenas metade de si mesma sem a filha.”

Gente, juro que não contei nem 50% do que acontece. É uma história muito linda, que poderia muito bem ser real. São mulheres com histórias de vida diferentes, que mantém uma amizade de muitos anos. O livro é em terceira pessoa, e a autora conseguiu me passar a emoção das personagens. Eu me identifiquei várias vezes com a Kate.

A Parte Um “Os anos 1970” e a Parte Dois “Os anos 1980” parecem aquelas novelas/séries adolescentes, tipo Pretty Little Liars, apesar de ser clichê, foi uma leitura leve e divertida, com aventuras e romance. Uma coisa legal nessas partes é que temos a descrição das músicas que estão tocando e dos figurinos que as personagens estão usando, e é tudo característico da época.

Na Parte Três “Os anos 1990” e Parte Quatro “O novo milênio” elas já são adultas, tendo que lidar com cobranças e responsabilidades, nessa parte as personagens vivem se colocando uma no lugar da outra, se perguntando como seria se tivessem feito escolhas diferentes. Eu achei a história mais interessante a partir da segunda parte.

“- Sabe, Marah, a vida é cheia de…

Kate parou de falar no meio da frase e quase deu risada. Estava prestes a dar um sermão igual aos de sua mãe.

– O que?

– Concessões. Você pode pensar no que conseguiu ou focar no que não conseguiu. A escolha que você fizer vai acabar determinando o tipo de mulher que você vai se tornar.”

Eu tenho uma amiga assim do tempo de escola, mas com a correria do dia-a-dia fica difícil nos mantermos próximas, lembrei dela ao ler. Tá aí, é um ótimo presente para dar à um amigo. Eu indico a leitura! Beijocas!

assinatura nova tábata

Resenha: Cuco, Julia Crouch

Cuco.indd

Autor: Julia Crouch  Editora: Novo Conceito Páginas: 464                Ano: 2012

Classificação 5/5 ⭐️ 🚍

Á venda l Submarino l Americanas

Sinopse:

Polly é a mais antiga amiga de Rose. Então quando ela liga para dar a notícia que seu marido morreu, Rose não pensa duas vezes ao convidá-la para ficar em sua casa. Ela faria qualquer coisa pela amiga; sempre foi assim. Polly sempre foi singular — uma das qualidades que Rose mais admirava nela — e desde o momento em que ela e seus dois filhos chegaram na porta de Rose, fica óbvio que ela não é uma típica viúva. Mas quanto mais Polly fica na casa, mais Rose pensa o quanto a conhece. Ela não consegue parar de pensar, também, se sua presença tem algo a ver com o fato de Rose estar perdendo o controle de sua família e sua casa. Enquanto o mundo de Rose é meticulosamente destruído, uma coisa fica clara: tirar Polly da casa está cada vez mais difícil.

“Quando Rose soube que Christos havia sido morto, não pensou duas vezes: Polly e os meninos deveriam vir e ficar. Agora ela e Gareth tinham espaço, e Polly era sua melhor amiga desde a escola primária. Não havia dúvidas: eles deviam ficar e deixar que Rose cuidasse deles.”

Rose é centrada e resoluta, uma dona de casa casada com o artista plástico Gareth. Ela tem duas filhas, Anna de 9 anos e a bebê Flossie e mora em Londres com a família e se seu gato Manky.

A amizade entre Rose e Polly começou ainda na escola. No primeiro dia de aula de Polly, Rose aparece encharcada e Polly oferece uma troca de roupa para ela. Com a carência de amor dos pais e sem amigos, Rose agarra-se a essa amizade e elas vivem juntas desde o final da adolescência até os seus vinte e muitos anos. Nesse período Rose conheceu o também artista plástico Christos e os dois tiveram apenas uma noite de amor. Ao encontrar Polly pela primeira vez ele se apaixonou.

Polly agora era ex-drogada, ex-estrela do rock, uma mulher magra, que provocava essa paixão nos homens. Mudou para a Grécia após ter se casado com Christos. Quando sua melhor amiga fica viúva, Rose abre as portas de sua casa e oferece a edícula para Polly e seus filhos Nico e Yan, de 9 e 5 anos.

Aos poucos os visitantes vão se inserindo na rotina da família, embora Polly fique reclusa o tempo todo na edícula. Gareth trabalha em um estúdio na própria casa. Ambos só se unem aos outros para jantar. É Rose quem tem que cuidar das crianças, da casa e ir matricular os meninos na escola. Tendo que cuidar de tudo e de todos, ela acha melhor trazer Nico e Yan para ficar no quarto de hóspedes do casarão. Assim Polly poderia recuperar-se de seu perda. E ela teve uma ajuda do amigo e vizinho de Rose, Simon, em uma noite que somente os maiores de 18 podem saber.

“- Rose, eu sinto muito. Fui um tolo. Gareth é um idiota. Há uma coisa conosco, homens, e é que temos sangue demais em nossos pintos. Nossos cérebros ficam secos.”

Tudo lindo até então, família perfeita, amizade forte. Até que, durante um passeio que faziam juntos, um acidente acontece. E a partir de então, vários “acidentes” começam a perturbar a vida de Rose.

“Rose permaneceu ali por alguns minutos, sentindo-se arrasada. Em seguida, ergueu um braço pesado em direção ao criado-mudo, tateando até achar a receita. Abriu-a e a segurou em frente ao rosto até que a vista se focasse. Ali, com a caligrafia enérgica de clara de Kate, havia cinco palavras:

Mande-a embora de sua casa.”

O livro é dividido em 46 capítulos, e em cada um deles o leitor descobre um pouco do passado de Rose e vai montando um quebra-cabeça. Mas senti falta de mais detalhes da morte de Christos e de como era o relacionamento dele com Polly.

No começo do livro já da pra perceber que não foi uma boa ideia de Rose trazer sua amiga para casa. Ela demonstra ter inveja da aparência e talento de Polly e Gareth se opõe à vinda dela. E mesmo depois do primeiro acidente acontecer, quando Gareth mais uma vez insiste que Polly saia, ela mantém-se firme em sua decisão, mesmo porque Polly guarda um segredo do passado de Rose.

A cada acontecimento da história pensava “é agora! Rose vai descobrir tudo” e nada. A história da voltas demais até chegar ao clímax. Comecei a ficar com raiva, dava vontade de segurar o rosto dela entre as mãos e gritar “acorda pra vida, minha filha!!!”. Só que o final do livro valeu por cada vez que eu passei raiva, pois não foi nada previsível. Sabe aquela coisa de tentar atropelar as palavras, ler quase pulando as frases, por curiosidade de saber o desfecho?!

“Sentou-se e olhou para Polly, esta mulher que tinha sido sua amiga. Perguntou-se se as coisas sempre foram difíceis entre elas, sob a veneração de sua história compartilhada e do mantra repetido uma à outra de melhores amigas. Ou teria sido como um longo casamento, dissolvido por ressentimentos mudos, em que sem dúvida uma vez já houve amor?”

Quando a história termina, a autora nos presenteia com um breve relato do que acontece dois anos depois, o que abriu precedente para outro livro.

Cuco é um pássaro que rouba outros ninhos. Eu não sabia, acho que faltei nessa aula. Me fez pensar em como, às vezes, as coisas fogem ao nosso controle e quando vemos estamos tão afundados que não conseguimos nos reerguer. Foi uma leitura proveitosa! E depois dela eu aviso que não receberei mais visitas em minha casa (tô brincando!). Ficaram curiosos? Beijocas!

assinatura nova tábata

 

Resenha: O sol é para todos, Harper Lee

o sol é para todos

Autor: Harper Lee    Editora: José Olympio      Páginas: 364  Ano: 2015

Classificação 4/5 ⭐️ 🚍

Á venda l Submarino l Americanas

Sinopse:

Um livro emblemático sobre racismo e injustiça: a história de um advogado que defende um homem negro acusado de estuprar uma mulher branca nos Estados Unidos dos anos 1930 e enfrenta represálias da comunidade racista. O livro é narrado pela sensível Scout, filha do advogado. Uma história atemporal sobre tolerância, perda da inocência e conceito de justiça. O sol é para todos, com seu texto “forte, melodramático, sutil, cômico” (The New Yorker) se tornou um clássico para todas as idades e gerações.

“Na casa morava um fantasma do mal. As pessoas garantiam que ele existia, mas Jem e eu nunca o vimos. Diziam que ele saía à noite, quando a lua estava alta, e espiava pelas janelas. Quando as azáleas nos jardins do condado congelavam em uma noite muito fria, era porque ele tinha soprado sobre elas. Ele era o culpado de todos os pequenos delitos furtivos em Maycomb.”

O ano é 1935, em Maycomb, no Alabama, vive Jean Louise, mais conhecida por Scout, uma garotinha de 6 anos. Aos 2 anos de idade ela perdeu a mãe, mora com seu pai Atticus, um advogado que dava atenção aos filhos, mas era distante quando se tratava de afeto, e com seu irmão de 10 anos Jem. Na ausência de Atticus, quem cuida das crianças e da casa é a cozinheira Calpúrnia.

A história é narrada por Scout e a primeira parte do livro mostra como é sua vida e seu primeiro ano na escola. Nas férias de verão Scout e Jem brincam o dia todo com Dill, um garoto da mesma idade de Jem, que nessa época vem visitar sua tia, vizinha deles, Srta. Rachel.

Também há na vizinhança uma casa muito sinistra, com um morador misterioso, Boo Radley. Scout, Jem e Dill nunca o viram na vida e isso atiça a curiosidade e a criatividade deles. Criam um plano para fazer com que ele saia, desafiam um ao outro a chegar perto da casa e encenam uma peça teatral sobre ele.

“- Scout, quando chegar o verão, você vai precisar ter calma diante de coisas piores… Sei que não é justo com você e com Jem, mas às vezes temos que encarar as coisas da melhor maneira possível e saber como nos comportar quando as coisas vão mal… bom, só posso dizer que, quando vocês crescerem, talvez se lembrem disso com alguma compaixão e percebam que não os decepcionei. O caso de Tom Robinson é algo que concerne ao âmago da consciência humana. Scout, eu não poderia ir à igreja e louvar a Deus se não tentasse ajudar esse homem.”

Quando Scout está com 8 anos, seu pai recebe uma intimação para defender Tom Robinson da acusação de estupro. Mais de setenta anos tinham se passado desde a abolição da escravatura nos EUA, mas a situação não havia mudado muito. Os negros sofriam muito como o preconceito, só conseguiam arrumar empregos com exigências de trabalho braçal, e as mulheres negras só trabalhavam em casas de família.

Foi com esse cenário que Atticus, contra o que todos da cidade acreditam, fica determinado a provar a inocência de um negro, Tom. Nesse momento, ele e seus filhos sofrem discriminação e ameaças de moradores brancos de Maycomb.

E é aí que o livro começa a ficar interessante, temos os dois lados da história. Uma garota branca moradora do lixão, Mayella Ewell, que afirma que sofreu abuso sexual. Um negro trabalhador com mulher e filhos, Tom Robinson, que se diz inocente.

“- Chorar por causa de que, sr. Raymond? – perguntou Dill, querendo se defender.

– Por causa do inferno pelo qual algumas pessoas fazem as outras passarem sem nem pensar. Por causa do inferno pelo qual os brancos fazem os negros passarem, sem nem sequer pararem pra pensar que eles também são gente.”

A cidade toda vai acompanhar o julgamento, inclusive as crianças. A destreza e inteligência de Atticus são admiráveis. Eu não conseguia largar o livro. O autor descreve todo o julgamento e eu me senti ali, na primeira fileira do público, sendo obrigada a tomar uma posição. Esse não é o final, e temos a descrição do impacto causado pelo veredicto.

No começo do livro, eu tive a impressão que fosse uma história de criança, mas a realidade retratada é coisa de gente grande. É incrível perceber como as coisas eram obsoletas naquela época. Scout quer brincar, correr e aventurar-se, quer usar calças, mas sua tia quer transformá-la numa dama, e as damas não fazem isso, uma dama não pode nem votar.

A divisão social dos moradores, onde um se sente superior ao outro. O preconceito contra os negros existe como uma coisa natural, fazendo com que quem os defenda ou os trate como iguais também seja discriminado. O que é triste é saber que, nos dias atuais, isso ainda é a realidade de muitas pessoas.

‘O sol é para todos’ é um livro de drama, que me mostrou mais uma vez que a inocência de uma criança deve ser preservada dentro de nós e vale muito a pena ler. Pra quem tiver curiosidade, tem um filme baseado no livro, que é bem antigo, de 1962. Beijocas!

assinatura nova tábata