Resenha: A garota no trem, Paula Hawkins

a garota no trem

Autor: Paula Hawkins     Editora: Record      Páginas: 378  Ano: 2015

Classificação 4/5 ⭐️ 🚍

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Sinopse: 

A trama, que gira em torno do desaparecimento de uma jovem mulher, com três narradoras femininas duvidosas, conquistou fãs como o mestre do mistério Stephen King, que publicou em sua conta do Twitter que o “excelente suspense” o manteve acordado a noite inteira: “a narradora alcoólatra é mortalmente perfeita”. O livro segue uma linha de recentes sucessos literários de uma nova geração de autoras que vem redefinindo as convenções do gênero policial, com personagens femininos complexos que fogem do estereótipo de vítimas ou megeras, e tramas que criam suspense a partir de evoluções psicológicas sutis e dinâmicas ardilosas do casamento e relacionamentos.

Em menos de um mês, o livro – que vem sendo comparado pela crítica a uma mistura de Garota exemplar e Janela indiscreta – ultrapassou a impressionante marca de 500 mil exemplares vendidos e alcançou o primeiro lugar nas listas de mais vendidos em todos os países em que foi publicado (Reino Unido, Irlanda, EUA e Canadá) desde seu lançamento em janeiro. Com os direitos vendidos para 37 países e uma adaptação para o cinema em andamento pela Dreamworks.

“Uma para tristeza, duas para alegria, três para menina. Três para menina. Fico empacada nas três. Não consigo passar disso. Minha cabeça está repleta de sons, minha boca, repleta de sangue. Três para menina. Posso ouvir as aves, as pega-rabudas – estão rindo, debochando de mim, um crocitar estridente. Um bando. Mau agouro. Posso vê-las agora, negras contra o sol. Não as aves, outra coisa. Alguém está vindo. Alguém está falando comigo. Veja só. Veja só o que você me obrigou a fazer.”

Quando você abre a primeira página do livro se depara com o final – a partir daí o leitor vai descobrir o que levou até aquele desfecho – e só então nos são apresentados os personagens.

Rachel viaja todos os dias de trem para ir e voltar do trabalho, ela é divorciada e mora com uma amiga, Cathy. Seu ex-marido, Tom, atualmente está casado com a mulher que fora sua amante, Anna. Agora eles moram na casa que já pertenceu à Rachel, por onde ela passa todos os dias de trem. Eles tem uma filha, uma linda família, para a tristeza de Rachel. Mas Anna não se importa, está feliz com sua vida, só poderia ser mais feliz se a ex-mulher parasse de infernizar a vida deles.

“Nunca entendi como as pessoas podem neglicenciar com tanta frieza os danos que causam ao seguir o que manda o coração. Quem foi que disse que fazer o que manda o coração é uma coisa boa? É puro egocentrismo, um egoísmo de querer ter tudo.”

Em suas viagens, Rachel gosta de observar a vida de um casal que mora próximo à sua antiga casa. Todo dia, de dentro do trem, vê um pedacinho da vida deles e o que não vê, preenche com a imaginação, um casal perfeito, que no passado ela formou com Tom, a quem ela nomeia de Jess e Jason.

Na realidade, eles são Megan e Scott. Megan é dona de um passado difícil, com muitas perdas, trabalhava em uma galeria de arte, mas depois que o negócio fechou as portas, ela ficou sem rumo, então permanece entediada em casa,  sai apenas para ir à aula de pilates e sua consulta com seu psicanalista Kamal.

Um dia Rachel vê pela janela do trem que Megan está na varanda com um homem, mas esse homem não é Scott, ela vê quando eles se beijam e fica indignada por o casal perfeito existir só na sua imaginação.

No dia seguinte, Rachel resolve que deve contar à Scott o que viu. E é com essa loucura e todos os seus problemas alcoólicos que ela embarca no trem. Então, vem um apagão, ela acorda em seu quarto e não se lembra de nada do que aconteceu.

“Eu me sinto assustada e confusa. Alguém está tentando me bater. Posso ver o punho vindo e me agacho, as mãos para o alto tentando proteger a cabeça. Já não estou no trem, mas na rua. Ouço gargalhadas de novo, ou gritos. Estou na escada, estou na calçada, é tudo tão confuso, meu coração bate acelerado.”

Em uma notícia da internet ela vê a foto de Megan e a manchete “Moradora de Witney Desaparecida”. Rachel fica obcecada em saber o que aconteceu, ainda mais porque foi na noite em que ela teve o apagão. Começa sua busca para tentar desvendar o mistério e ela vai a cada lembrança chegando mais perto da verdade.

“A garota no trem” é um thriller psicológico. Fui me envolvendo na história aos poucos, e ia de um suspeito a outro tentando descobrir o que aconteceu, até que, quase no final, a autora revela um detalhe que era a peça chave que faltava. Foi escrito em primeira pessoa, como se fosse um diário das três mulheres envolvidas na trama, Rachel, Megan e Anna.

É um livro para quem é curioso devorar. Mas não posso revelar mais detalhes, quem quiser saber o que acontece vai ter que ler. Me contem depois o que acharam! Ah, o filme será lançado em novembro desse ano.

Beijocas!

assinatura nova tábata

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Resenha: O Leitor, Bernhard Schlink

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Autor: Bernhard Schlink         Editora: Record Páginas: 240                Ano: 2008

Classificação 2/5 ⭐️ 🚍

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Sinopse:

Michael tem somente 15 anos quando conhece Hanna, uma mulher 21 anos mais velha. É o início de uma delicada relação amorosa, marcada por pequenos gestos e rituais. A leitura de clássicos de Tolstói, Dickens e Goethe precede os encontros. Ao longo de meses, o casal repete essas cerimônias, interrompidas pelo súbito desaparecimento de Hanna. Sete anos depois, Michael, estudante de direito, é convidado a tomar parte em um julgamento contra criminosos do regime nazista. Ele descobre que uma das acusadas é sua antiga amante, o que o lança a um vórtice de culpa e piedade.

“Ler em voz alta, tomar uma chuveirada, amar e ficar um pouco mais juntos – este tornou-se o ritual dos nossos encontros”.

Aos 15 anos, aconteceu algo com Michael Berg que ficou guardado para sempre com ele. Algo que marcou sua vida, e que mais tarde isso que era considerado como passageiro se tornaria seu pior pesadelo.

Michael Berg era apenas um adolescente de 15 anos quando conheceu Hanna Schmitz, uma mulher muito mais velha e analfabeta. Suas vidas se cruzam de modo inesperado. Impetuosamente, Hanna fascina o garoto, o qual este pela sua ingenuidade não se esquiva da sedução da mulher.

“Na noite seguinte, me apaixonei por ela. Não dormi direito, senti sua falta, sonhei com ela, pensava senti-la até reparar que estava segurando o travesseiro ou o cobertor”.

Se torna usual na vida de Michael ir se encontrar com Hanna após a escola. Os dois mantém uma relação restrita a sessões de leitura e sexo. Subitamente, Hanna desaparece sem deixar pistas, destroçando o coração do rapaz.

A vida dá muitas voltas, e dessa vez, oito anos depois desse incidente, Michael não tinha imaginado a proporção do inconveniente. Ele, como estudante de direito, assiste a um julgamento pior que homicídio onde Hanna está no banco de réus acusada por um crime em um campo de concentração nazista. Ao se por diante desta situação, Michael percebe que há muitas coisas que a mulher omite, e que essa acusação, por alguma razão, poderia ser uma fraude.

Não apenas perplexo, mas com muita mágoa, o garoto assiste as sessões do julgamento. Ninguém naquela sala tinha a menor noção do que Michael Berg sabia sobre Hanna, pois ele guardava um segredo que poderia ser revelado, mudando o curso de toda a história. Basta saber qual decisão Michael tomaria.

“(…) Eu continuava sendo culpado. E se não fosse culpado porque a traição a uma criminosa não pode tornar uma pessoa culpada, era culpado porque tinha amado uma criminosa”.

Sobre o Filme

o-leitor-livroInterpretando Hanna Schmitz, temos a belíssima Kate Winslet, mais conhecida pelo papel de Rose no filme Titanic. Ela está incrivelmente linda e talentosa. Esta chegou a ganhar vários prêmios pela interpretação. Dentre eles está o Oscar, mais conceituado prêmio de cinema americano. Já Michael Berg foi interpretado quando adolescente por David Kross, o qual tinha apenas 17 anos quando o filme foi gravado, assentindo o diretor Stephen Daldry a lançar o filme apenas após a maioridade do menino.

Sobre a fidelidade ao livro, devo dizer que não saiu muito fora dos padrões. Assista ao trailer abaixo:

Espero que essa resenha tenha aguçado a curiosidade de vocês. Ressalvo que este é meu ponto de vista, assim, abro um caminho para que vocês sintam-se a vontade e comentem quando e o que quiserem, pois a opinião de todos é valida!

Obrigada pela leitura!

assinatura nova luiza

Resenha: O Perfume – A História de Um Assassino, Patrick Süskind

o perfume

Autor: Patrick Süskind         Editora: Record        Ano: 1985                Páginas: 218

Classificação 5/5 ⭐️ 🚍

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Sinopse:

Jean-Baptiste Grenouille, nascido na França no século XVIII, em meio a entranhas e ao fedor de peixes num mercado de rua, rejeitado pela mãe e pela natureza, não traz consigo nem o cheiro nem a beleza que se esperam de um recém nascido. Não consegue nem mesmo despertar qualquer instinto maternal nas amas de leite, as quais caridosamente o alimentam. Ele não é amado por ninguém.

Sua infância em um orfanato sob os cuidados de Madame Gallard, a qual não possui olfato e portanto não consegue se afeiçoar a nenhuma de suas crianças por acreditar que as mesmas não têm cheiro, apenas contribui para a sensação de excluído social. Durante sua sobrevivência percebe que é dotado de uma sensibilidade e memória olfativa prodigiosa e sai em busca da essência perfeita. Se torna aprendiz e depois mestre perfumeiro. E o mais importante, aprende a dar nomes aos infinitos odores que consegue distinguir. Precisa extrair o perfume do ser humano , a essência da beleza no seu estado mais puro para que possa exalar o odor das pessoas que o fascinam, inspirar amor nos outros e assim conseguir o carisma e atenção que lhe foram negados desde o seu nascimento. Nem que para isso precise matar.

** Nota da Ana: Pessoal, essa é a última resenha da Camila nesse ano, ela está saindo de licença maternidade do blog rs. Ano que vem teremos resenhas novas e um bebê novo para alegrar a gente! Muito amor envolvido ❤️

“(…) tinha conseguido, graças ao seu próprio gênio reconstruir o odor humano e fizera-o de uma forma tão perfeita que até uma criança se enganara. (…) Seria capaz de criar um perfume não só humano, mas sobre-humano. Um perfume angelical, tão indescritível, bom e pleno de energia vital que quem o respirasse ficaria enfeitiçado e, quem o usasse, amaria Grenouille de todo o coração.”

 O Perfume, publicado originalmente em 1985, é um daqueles livros em que o leitor sofre uma verdadeira imersão devido a riqueza de detalhes e caracterizações.

Você praticamente “inala” os cheiros descritos, os bons e os ruins.

Você consegue sentir, de maneira bastante incômoda por sinal, a falta de amor e afeto vivida pelo personagem principal e sua necessidade doentia de resgatar esses sentimentos e por consequência, resgatar sua humanidade.

Nessa obra de Süskind afeto e olfato estão intimamente ligados.

É  muito mais do que a história de um assassino.

Numa época em que banho não fazia parte da rotina das pessoas, mercados ao ar livre eram a regra e dejetos eram descartados rotineiramente nas ruas, as pessoas “de sorte” – e muito dinheiro- podiam se dar ao luxo de encomendar perfumes em tradicionais perfumarias parisienses que serviam para camuflar seus próprios odores e disfarçar os odores ao seu redor.

Mas para Grenouille, isso não bastava. Ele precisava sentir a essência pura. E percebe que para tal ele precisa de matéria prima também pura, ou seja corpos recém assassinados, que ainda trazem consigo o calor e o odor genuíno.

Ele se torna obsessivo em sua busca.

“Quando estava morta, ele a deitou no chão, em meio aos caroços de nectarina, e rasgou o seu vestido, e o fluxo de aroma tornou-se uma enchente, inundando-o com seu cheiro agradável. (…) Tendo sugado todo seu cheiro, ficou por algum tempo agachado ao seu lado para se recompor, pois estava impregnado dela. Não queira desperdiçar nada do seu aroma. (…) Em seguida levantou-se e apagou a vela com um sopro.”

 Patrick Süskind, alemão, nascido na Baviera, é considerado uma das pessoas mais retraídas do cenário literário alemão. Avesso a exposições desnecessárias, não é muito favorável a adaptação de suas obras ao cinema, porém O Perfume, deu origem a um filme homônimo em 2006, dirigido por Tom Tykwer, que conta com a participação de Dustin Hoffman, Alan Rickman e Ben Winshaw.

É um dos raros exemplos onde pouco se observa a típica perda de detalhes neste tipo de transferência, livro-filme. O filme mantém a originalidade do autor e o caráter surrealista da obra.

O filme merece ser visto (e olha que para mim essa afirmação quase nunca é verdadeira…) e o livro, lido e relido para que se consiga absorver todos os detalhes e significados que o autor minuciosamente apresenta, muitas vezes nas entrelinhas.

“Quem dominasse os odores dominaria o coração das pessoas.” 
(Patrick Süskind)

Até ano que vem!

assinatura camila

Resenha: Anjo da Escuridão, Sidney Sheldon

anjo da escuridão

Autor: Sidney Sheldon           Editora: Record Páginas: 398                              Ano: 2012

Classificação 2/5 ⭐️ 🚍

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Sinopse:

Um rico negociador de artes é brutalmente assassinado em sua mansão em Hollywood Hills. No chão do quarto, uma verdadeira cena de horror: Andrew Jakes está amarrado ao corpo nu de sua jovem e bela esposa, violentamente espancada e estuprada. O detetive Danny McGuire, comovido com a tragédia da linda e vulnerável mulher, empenha-se na busca do culpado. Mas todos os seus esforços mostram-se em vão e Angela Jakes desaparece misteriosamente depois de doar sua milionária herança. Anos depois, Danny está casado e trabalha como agente da Interpol na França quando é procurado por Matt Daley, filho do homem cruelmente assassinado. Danny não hesita em seguir as promissoras evidências que apontam para um único suspeito: uma brilhante assassina que está sempre um passo à frente de todos e que pode estar a um triz de encontrar sua nova vítima.

” O sangue em todos os lugares, nas paredes, no tapete, nos sofás. Os horríveis ferimentos na cabeça, rosto e pescoço do marido….E a esposa nua e ferida amarrada ao cadáver em frangalhos do marido.”

Se Sidney Sheldon queria me irritar quando escreveu esse livro, só quero dizer que conseguiu! E só não desisti da leitura por que fiquei curiosa para saber o desfecho e ver aquel# v@$% se dar mal.

Sempre gostei dos livros do Sidney (nós temos intimidade), eu sempre soube que os livros deles seguem um padrão ‘ protagonista linda, corpo perfeito, sensual, inteligente e que precisa de ajuda, pois houve um crime e ela está envolvida’, mas nossa, dessa vez ele pegou pesado. Fiquei com tanta raiva de todos os personagens que queria desistir da leitura. Não consigo acreditar que uma mulher pode ser tão linda a ponto de enfeitiçar os homens e eles ficarem tão babacas. Se fosse um livro de ficção eu poderia aceitar, mas não é.

Então, vamos ao livro.

“Seu cliente estava muito irritado na noite anterior e esperava que estivesse mais calma essa manhã. Era cedo demais para gritaria. Infelizmente quando entrou pelas portas duplas da sala de estar, os gritos eram ensurdecedores. Mas não eram de seu cliente. Eram seus.”

Fazendo um resumão da história: Assassinatos similares acontecem em diferentes países e com intervalos de anos, sempre envolvendo um homem idoso e rico e uma esposa jovem e extremamente bela. Os maridos são brutalmente assassinados e as esposas ficam gravemente feridas. Durante a investigação policial a esposa doa todo o dinheiro a instituições de caridade e some no mundo, nunca mais se tem noticia. Um policial chamado Danny Mguire fica obcecado pela esposa de um dos ataques e decide investigar a todo custo, e isso quase lhe custa a carreira e o casamento.

Outro personagem que aparecem durante a trama para esquentar a história e merece ser citado como o mais idiota, é Matt Dailey, filho de um dos maridos assassinados. 

Cada capitulo é dedicado a um personagem, e as histórias se cruzam. Isso é um ponto positivo por que sempre gostei de livros assim, dessa forma é possível conhecer cada personagem intimamente. 

O livro fica realmente bom no final, durante o julgamento de condenação. Nessa parte conhecemos o motivo e a personalidade doentia que levou o assassino a cometer tais crimes. Essa foi a única parte que eu realmente me interessei em ler. E o final me deixou com uma expressão de  “what a well?”.

” As tábuas de madeira eram tão escorregadias quanto um derramamento de óleo. Mas não era óleo que estava deixando as tábuas escorregadias. Era sangue.”

 

” Se eu, pelo menos, pudesse ficar com ele para sempre. Se eu, pelo menos, pudesse contar a verdade para ele. Mas ela sabia que nunca poderia.”

Se eu recomendo? Não. De verdade, tem outros livros melhores do Sidney. Mas essa é minha opinião, pode ser que alguém me chame de louca e diga que esse é o melhor livro dele…nunca se sabe rs.

Me contem a opinião de vocês!

Beijo, outro, tchau!

assinatura nova ana

Resenha: Um Grito na Noite, Mary Higgins Clark

um grito na noite

Autor: Mary Higgins Clark            Editora: Record Páginas: 349                                     Ano: 2010

Classificação 4/5 ⭐️ 🚍

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Sinopse:

Jenny MacPartland, divorciada, duas filhas pequenas, vive num minúsculo apartamento em Nova York, sobrevivendo com seus poucos recursos, trabalhando de maneira esforçada, realizando sempre o seu melhor numa galeria de artes em Manhattan. Tem uma vida simples mas feliz.

Erich Krueger, pintor de fama internacional, solteiro, rico, criador de gado no meio-oeste, em Minnesota, sabe ser encantador. Sempre teve tudo o que desejou.

O caminho dos dois se cruzam quando Erich expõe na galeria em que Jenny trabalha.

Ela conhece sua obra, ele se apaixona por ela.

Sua principal obra exposta, Recordações de Caroline ao mesmo tempo a atrai e lhe dá arrepios por lhe parecer familiar. Caroline era mãe de Erich, e ele era totalmente devotado a ela. Ela tem alguma semelhança com Caroline. Após um breve, porém intenso namoro o conto de fadas se torna real. Eles se casam, se mudam para Minnesota e sua vida de rainha com tudo a sua disposição e a disposição de suas filhas começa. Estaria ela vivendo um sonho?  Mas logo a felicidade que esteve a seu lado nos últimos meses desaparece com a mesma rapidez com que a arrebatou. Incidentes e acidentes alterarão sua rotina, seu casamento, sua família e sua própria vida. Jenny fez a escolha certa ou nem se deu conta de que na verdade nem pode escolher?

“ (…) Case-se comigo, Jenny. Logo.
Uma semana antes , ela nem o conhecia. Sentiu o calor das mãos dele, fitou aqueles olhos interrogativos e percebeu que os dela também refletiam o mesmo amor ardente. E sabia, sem qualquer sombra de dúvida qual seria sua resposta.

 A primeira vista, um amor arrebatador. Um homem rico e talentoso se apaixona por ela, demonstra tanto amor e carinho por suas filhas, suprindo-lhe anos de ausência paterna que elas mal podem esperar para estar com ele novamente. A trata com tanto respeito e reverência que ela sente uma rainha. E garante que tudo o que ele mais quer é vê-la feliz. Ao lado dele, é lógico.

Pra algumas pessoas, principalmente as que já passaram por decepções nas relações amorosas, esse pode ser o início de um sonho, o “finalmente encontrei minha alma gêmea”. Para outros o pensamento que lhes vem a mente é: “- Deve ter alguma coisa errada por trás de tanta perfeição”.

Para Jenny foi a primeira opção. Pelo menos no início. Apesar de sempre ter a sensação de que algo estranho estava ao seu redor, ela optou por viver um sonho. O seu sonho de uma família feliz, sem preocupações financeiras, sem pressa.

Mal podia acreditar no quanto aquele homem era bom pra ela e para suas filhas.

E por isso demorou a perceber os sinais que desde o início ele deu sobre sua personalidade dominadora, controladora.

“Os olhos dele permaneceram fixos no rosto dela.
  • Achei que você ia querer sua camisola , querida – respondeu. – Olhe aqui.
Ele segurava uma camisola azul-clara de cetim com um grande decote em V na frente e nas costas.
  • Erich, eu tenho uma camisola nova. Você comprou essa pra mim?
  • Não – respondeu ele. – Era da Caroline. – Passou a língua nervosamente sobre os lábios. Sorria de forma estranha. (…) – Jenny, use esta camisola hoje; faça isso por mim.
(…) Por alguns minutos, Jenny manteve  o olhar fixo na porta do banheiro, sem saber o que fazer. “Não quero usar a camisola de uma mulher morta”, protestou em silêncio.”

O livro começa com um dos capítulos finais, isso mesmo, o que deixa bem claro quem é bom e quem é mau.

Isso pra muitos pode ser um balde de água fria, uma vez que grande parte do mistério em livros policiais se faz ao redor de suposições sobre em quem você deve ou não confiar. Mas acredite, saber quem é o bandido ou o mocinho nesta obra é o fator menos relevante.

Li algumas críticas que tratam o livro como tendo um início morno até que se desenvolva algum tipo de ação. Mas, uma vez que já li o livro 3 vezes (rsrs…fazer o que?) estou convicta de que o que o torna tão interessante é o terror psicológico vivido pela personagem principal e não a ação que se desenvolve aos poucos. Sim , Jenny demora a perceber o quanto está acuada, o quanto vem sendo abusada, mas ao se dar conta de que não tem nem mesmo o controle sobre suas filhas, começa a agir e aquela sensação estranha que a acompanhava desde a primeira vez que viu as obras de seu atual esposo funciona como um catalisador. É esse medo que traz de volta as rédeas de sua vida.

Você notará desde os primeiros capítulos que é nos mínimos detalhes que a personalidade dominadora de Erich se manifesta. Ele é cuidadoso demais, protetor demais, e o que por alguns momentos pode ser encarado como zelo e carinho nada mais é do que a necessidade de se manter sempre no controle da situação.

Um perfeccionista, no sentido mais doentio. Um opressor que se aproveita de atividades cotidianas para ganhar espaço e cada vez mais anular a personalidade de sua parceira.

Que age friamente manipulando suas próprias enteadas, de 3 e 2 anos, até que estas passem a trata-lo com prioridade, como seu “único papai” e que passem a não mais respeitar sua mãe. O romance intriga por nos fazer pensar em quantas relações doentias se desenvolvem de maneira aparentemente ingênua e casual. Um sonho se tornando um pesadelo.

Mary Higgins Clark é a vovó que eu gostaria de ter (apesar de adorar as minhas!)!

Completará 88 anos em dezembro e continua escrevendo livros de mistério super atuais. Seu primeiro livro Onde estão as crianças? se tornou um best-seller em 1975. Recebeu inúmeros prêmios e honrarias e foi presidente da Associação Mistery Writers of America, chamada de a Rainha do Suspense. Ela trabalha bastante o lado psicológico dos personagens e suas relações, por isso gosto sempre de reler as obras algum tempo depois para absorver alguns detalhes que em uma primeira leitura podem passar despercebidos.

E os livros podem ser lidos fora de ordem, uma vez que as histórias tem começo, meio e fim. Com certeza ela é leitura obrigatória pra quem gosta desse gênero, é lógico que essa a opinião de alguém que é viciada nessa categoria!!!

Boa leitura!

assinatura camila

Resenha: Prisioneiros do Inverno, Jennifer McMahon

prisioneiros da neve

Autor: Jennifer McMahon         Editora: Record Ano: 2014                 Páginas: 350

Classificação 4⭐️ 🚍

Á venda l Submarino I

Sinopse:

Muitos acreditam que a pequena cidade de West Hall seja mal-assombrada. Ao longo de sua história, vários casos de pessoas desaparecidas foram registrados na região mistérios nunca desvendados. Alguns moradores inclusive juram que o espírito de Sara Harrison Shea, encontrada morta em 1908, ainda vague pelas ruas à noite.
A jovem Ruthie acredita que tudo não passa de uma grande bobagem. Porém, quando sua mãe desaparece sem deixar vestígios, ela começa a desconfiar de que aquela região guarda algum mistério, e suas suspeitas são reforçadas quando ela e a irmã encontram uma cópia do diário de Sara escondido em casa. Na busca pela mãe, Ruthie encontra respostas perturbadoras, e ela pode ser a única pessoa capaz de evitar que um grande mal aconteça. 

“Você achava que eu era louca quando viva? Você não conhece nada da loucura dos mortos. Agora não há cama nenhuma capaz de me segurar, doutor”, sussurrei com dureza em seu ouvido.”

Eita que eu senti medo! Eita que agora eu vou dar um tempo nos livros de terror! 😳 💀

Mas gente que delicia ler um livro de terror! Curti demais essas minhas duas últimas leituras! Eu sou muito medrosa com essas coisas de espíritos, mas não tenho vergonha na cara e adoro histórias sobre o assunto, tudo bem que depois eu fico vendo vultos, tendo pesadelos, com medo do escuro, mas não dá nada né, é bom que libera adrenalina e eu fico sempre atenta.

” Então algo passou correndo e me encarou. Eu a reconheci na mesma hora. Ela havia morrido de febre tifoide duas semanas antes. Eu tinha ido ao seu funeral.”
” Pode parecer cruel, enviar alguém para a morte. Mas basta um olhar para os olhos ocos e famintos da coisa que um dia foi minha filhinha para saber que existem coisas piores do que a morte.”

No livro conhecemos histórias paralelas, o ponto de vista de cada personagem e no decorrer da trama, essas pessoas se cruzam. A história se passa na cidade de West Hall, mais especificamente na casa de campo onde morou Sara Shea e hoje mora Ruthie com sua mãe e irmã. Nos fundos da casa tem a floresta da cidade e mais adiante um pico de rochas no formato de uma mão. O local é conhecido como ” a mão do diabo”. Muitas moradores acreditam que aquele lugar é amaldiçoado, que o espirito de Sara vive naquela floresta e é a responsável pelos desaparecimentos nos últimos cem anos.

Em 1908, onde tudo de errado começa, Sara Shea, perde sua filha na floresta e horas depois a encontra morta no fundo do poço. Arrasada com a morte da criança, decide ressuscitá-la com um feitiço que aprendeu quando bem nova, sua filha voltaria a vida por sete dias, depois estaria morta para sempre. Essas pessoas que voltam dos mortos são chamadas de dormentes.

Obviamente as coisas dão errado e isso reflete nos dias atuais, cem anos depois com o desaparecimento da mãe de Ruthie. Durante a busca pela mãe, Ruthie começa a descobrir coisas terríveis. Outras pessoas se juntam a ela, pessoas que também tiveram parentes desaparecidos e estavam ligadas a sua mãe e também uma pessoa ali que quer o passo a passo para ressuscitar os mortos rs.

” — Tiraram sua pele como se ela fosse uma uva. E sabe qual é a parte mais esquisita? Dizem que sua pele jamais foi encontrada.”
” — Temos poucas horas antes de ela voltar para a terra. Quero ver isso acontecer. Quero ver seu rosto quando a assombração deplorável que você trouxe de volta desaparecer para sempre.”
” — Mimi falou que este lugar é malvado — disse Fawn, com os olhos vítreos e estupefatos. — Ela falou que não é todo mundo que vai conseguir sair daqui hoje.”

O livro é todo trabalhado no suspense e na tensão. E sim, temos espíritos, dormentes, bruxaria…o pacote completo.

Para quem gosta do gênero é uma boa indicação, recomendo!

Espero ter aguçado a curiosidade de vocês!

E se já leram me conta o que achou! Se não leu, comenta também 🙂

Beijo, outro, tchau!

assinatura ana